InícioGeralGramado e Canela“A casa era a única coisa que tínhamos”, relata gramadense

“A casa era a única coisa que tínhamos”, relata gramadense

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GRAMADO – Uma casa localizada no bairro Mazzurana, foi interditada após um cano de esgoto não suportar a vazão da água, que atingiu o pátio e a garagem da residência, na terça-feira (30). A interdição pela Defesa Civil ocorreu por conta do risco do desabamento da casa.

A moradia era o único patrimônio de Jerri Rodrigues e a esposa Patrícia, que não possuíam seguro. Rodrigues ressaltou que eles são trabalhadores assalariados e a construção da casa foi um esforço árduo ao longo de seis a sete anos. Ele atribui a tragédia a um erro humano, provavelmente relacionado à falta de manutenção por parte da prefeitura. Um cano de água foi mencionado por ele como possível causa, pois não suportou a quantidade de água proveniente do morro, passando pelo bairro Selita, adentrando o Mazzurana e afetando toda a região

“A casa era a única coisa que tínhamos, agora não temos mais, a gente não tinha seguro, é pobre, a gente trabalha, é trabalhador assalariado, e foi feito com muito sacrifício aquela casa. Demoramos seis, sete anos para conseguir terminar ela, fazer ela, deixar pronta, e agora por um erro, um erro humano, um erro provavelmente da prefeitura, que não foi lá trocar aquele cano, botar cano maior, deixar os mesmos, e aquela bitola daquele cano estava visto que não aguentava, não suporta a quantidade de água que vem”, comentou.

Morador do local há 10 anos, Jerri relatou que já está tomando medidas legais para buscar seus direitos. Ele pretende contratar um advogado e responsabilizar os culpados por essa situação. Rodrigues acredita que há responsáveis pelo ocorrido e espera que a justiça seja feita.

“Nós estamos buscando um advogado, e correr atrás dos direitos, vai atrás dos responsáveis, e aí a justiça é que vai resolver isso aí. E eu acredito que tem culpado, então os culpados vão ter que responder por isso”, apontou.
Atualmente, Jerri Rodrigues e sua esposa estão alojados em locais separados, tendo que dividir suas posses entre os dois lugares. Um dos principais problemas enfrentados pelo casal é o custo do aluguel. Rodrigues deu entrada em um local com o pouco dinheiro que tinha, em Gramado, enquanto sua esposa está em Canela enfrentando dificuldades financeiras. Eles planejam buscar suporte da prefeitura em relação ao aluguel, uma vez que consideram que a culpa é da administração municipal, que não solucionou o problema do cano anteriormente.

“Eu me alojei em um lugar pequeno, que não tinha como botar toda a mudança. Ela foi para Canela, carregou a metade, eu carreguei metade, cada um botou um pouco em cada lugar. E agora o nosso problema maior é o aluguel. Eu, com o pouco dinheiro que eu tinha, eu consegui dar de entrada onde eu estou. E ela está em Canela agora, só que ela está agora com esse problema, com essa dificuldade, e a gente não tem dinheiro, né? Pretendo ir na prefeitura para ver essa parte de aluguel. E eles vão ter que dar um suporte para nós aí, de qualquer forma. Porque está provado que foi culpa da prefeitura, que estourou o cano novamente e inundou a casa, e não é a primeira vez”, indicou.

O morador ressalta a gravidade da situação, destacando a tristeza de perder a casa que foi construída com tanto carinho e dedicação devido a erros de terceiros. A casa já foi pré-condenada pela Defesa Civil. “Agora acabou tudo, e alguém vai ter que responder por isso. Não quer mais passar pano em cima de ninguém mais porque na outra vez a gente relevou e aceitou do jeito que fizeram. Mas fizeram mal feito, e disseram que ia retornar, e não retornaram. Se passou quatro anos e não mudou nada, e agora estourou de novo. Uma desgraça dessas aí ninguém quer, né? Tu perder a própria casa que tu construiu com tanto carinho e dedicação por causa de um erro de outras pessoas aí tu se deparar com essa situação”, completou.

Jerri Rodrigues espera encontrar soluções para lidar com a situação. A família solicita ajuda por meio do pix 510.252.210-87 para manter os aluguéis das casas.

A Prefeitura foi procurada para esclarecer o fato, informando, apenas, que a casa havia sido interditada.

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