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Os prejuízos com a falta da chuva

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CANELA –A chuva ocorrida nos últimos dias amenizou o problema da falta de água, principalmente em zonas rurais, mas não soluciona a situação já registrada em prejuízos nas lavouras.

Na localidade do Chapadão, o casal de produtores Adelar Francisco Bedin e Atieli Roberta TreinBedin, sentem os prejuízos em suas produções com a falta de chuva. Com a irregularidade nas precipitações, a safra de bergamotas, laranjas e aipim já registram perdas.

Sem ainda precisar em valores, já que precisa aguardar a colheita, Bedin consegue exemplificar no quantitativo que a produção será menor em relação a anos anteriores. Dos cerca de 200 pés de frutas na propriedade, deve colher duas caixas por árvore, quatro vezes menos que em outros anos.

“A falta de chuva desregulou a produção no pé, tem frutas pequenas ainda em formação, abortando do pé, está caindo antes de brotar, estava otimista para o ano que vem, a produção estava boa e de novo faltou chuva no momento da fruta se segurar no pé, um prejuízo de cerca de 70%”, contou.

Para amenizar a falta de água o agricultor já almeja para o ano que vem, investir em irrigação no pomar, pois acredita que a irregularidade das chuvas será algo cada vez mais permanente. “Devo fazer irrigação para o pomar [2021], não adianta esperar pela chuva, já é o segundo ano que estamos perdendo e justo na época que precisa da água, que as plantas precisam não ocorre [chuva], então ficamos no prejuízo”, avaliou.

Além das frutas, outra produção familiar é o aipim. Esta cultura também registra prejuízos.Semeado em 2,5 hectares, Bedin mostrou que o tamanho dos pés está muito abaixo do ideal, o que aumenta as perdas em relação às frutas, pois o aipim necessita de plantação anual.

“O aipim logo que plantamos precisávamos da chuva e não ocorreu e já no início atrasou e está nascendo de forma desequilibrada, não vou colher nem a metade, mas só vou conseguir mensurar o valor, conforme o preço, se for bom vai ajudar”, comentou.

Investimentos para ajudar na produção

Para viabilizar o aumento na produção, o agricultor tentou por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) adquirir mil mudas de árvores frutíferas, porém não foi viabilizado. Apesar disso, mesmo que em outros anos os prazos e juros eram menores, a família adquiriu há cerca de dois meses um trator para a propriedade pelo mesmo programa.

“Adquirimos o equipamento, mas diferentemente deoutros tempos, em vez de 10, conseguimos prazo de apenas seis anos para pagar, mas com juros maiores e ainda tem a demora com a burocracia”, citou.

Apesar de algumas dificuldades encontradas a família segue procurando melhorar a estrutura da propriedade. Apesar do foco ser aipim, laranjas e bergamotas, a produção de hortaliças, de milho e de mel, auxiliam no incremento da renda e, para o ano que vem, Bedin planeja a construção de estufas para a produção de morangos.

“Não podemos depender somente de uma cultura, quando uma produção fica abaixo temos outras para salvar e amenizar e vamos tentando incrementar a nossa produção”, projetou.

Atuação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais

Diante desta situação da falta de chuva e a necessidade de amenizar o prejuízo com a produção, Ana Carolina Benetti, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canela explicou sobre a atuação da entidade nestas situações, entre outras demandas solicitadas pelos produtores.

“Enquanto ferramenta de luta,estamos sempre buscando defender os interesses dos nossos agricultores, ano passado com a seca conseguimos uma reposição dos valores no milho e estamos sempre buscando atender as demandas, mantendo diálogos com a Secretaria de Agricultura do Estado e neste ano, por conta da falta água potável, fizemos um ofício que o município decretasse situação de emergência e por conta disso conseguimos água potável, somos um meio de campo, entre os agricultores e o setor público”, explicou.

Para amenizar a situação, o Departamento de Agricultura de Canela está realizando o trabalho de levar água potável para cerca de 30 famílias das localidades de Rancho Grande, Bugre e parte da Moreira, conforme explicou o secretário da pasta, Luis Cláudio da Silva, o Ratinho.

“Estamos deslocando o caminhão tanque para atender estas famílias, são dias escalonados, mas não tem mais ficado sem água, basicamente está suprindo a necessidade”, relatou.

Texto e fotos: Tiago Manique – [email protected]

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