58 CNPJs encerrados

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A pandemia do novo coronavírus e as decisões governamentais estão sendo letais para a economia, especialmente para os micro e pequenos empreendedores que já estão encerrando atividades e dando baixa nos CNPJs. Em Canela, de março até ontem, 44 CNPJs foram cancelados e 14 estão em fase de serem encerrados.

Pode ser que não sejam todos por causa da crise da Covid-19, mas maioria com certeza. E aqui em Canela, entre estes 44 que já deram baixa nos registros neste período de pandemia, são empresas no formato ME (Microempresa Individual), EPP (Empresa de Pequeno Porte), EIRELI (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada), LTDA (Empresa de Responsabilidade Limitada) e MEI (Microempreendedor Individual). A coluna buscou estas informações no Departamento de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura.

No início deste mês, o Jornal Integração divulgou índices do desemprego na cidade. E janeiro a maio foram 2.321 demissões, ou seja, carteiras de trabalho que tiveram os vínculos empregatícios encerrados, não faz parte deste número os trabalhos informais e autônomos, isso significa que o estrago é muito mais devastador e as projeções são péssimas.

Em todo o país, conforme divulgou ontem o IBGE, somente no mês de junho, 1,3 milhão de empresas encerraram suas atividades, sendo 522,7 mil (39,4%) por causa da pandemia. E dentre estas, 99,2% era de pequeno porte com até 49 empregados.

MAIORIA QUER TRABALHAR

Eu gostaria de dizer que todos querem trabalhar, mas não são todos, não. Talvez a maioria.

“Hoje, 14 de julho, chegamos a uma triste e desafiadora marca de 120 dias sem futsal. Somos uma rede complexa de pessoas que dependem dessa modalidade para dar uma vida digna às nossas famílias – professores, atletas, ecônomos de ginásios, árbitros, técnicos… O futsal movimenta a economia de nosso estado de forma relevante e, como todos, não estávamos preparados para uma parada tão extensa. É triste, preocupante, desafiador… Venho pedir que nos deixem voltar ao trabalho, precisamos disso! Cada família tem o direito de escolher se permitirá que seu filho volte ou não aos treinos, mas que isso seja uma escolha, não uma imposição. Até agora seguimos todos os protocolos mas, até quando conseguiremos resistir sem trabalho?”.

Esta mensagem foi escrita por Leonardo Frazão na terça-feira. É alguém que depende dessa atividade e quer voltar a trabalhar. Por não conhecer o padecimento do outro posso/podemos não dar a mínima para o futsal, mas para alguém essa é a coisa mais importante. O futsal é só um exemplo. Toda atividade economia importa para quem depende dela.

ECONOMIA X SAÚDE

“Falido se recupera, morto não”. Sem dúvida essa é frase mais burra que ouvi nos últimos tempos. Com apenas um neurônio já é possível compreender que sem dinheiro logo não haverá sistema de saúde para atender os doentes. O discurso do governador é bonitinho, ele fala em buscar o equilíbrio, mas é exatamente isso que não ele não encontra. Para resolver um problema estão sendo criados outros tantos, inclusive mais graves. Qual a lógica disso? O saudoso Leonel Brizola tem a melhor resposta…

Trocando em miúdos e olhando os números, hoje, o Estado (RS) está mais prejudicial à sociedade que o próprio coronavírus.

O CUSTO DA INTRANSIGÊNCIA

Sobre o bandeiramento do governador Eduardo Leite, um resumo: “Numa doença ainda nova, há poucas verdades científicas. Milhares de especialistas partem de suposições ainda empíricas para embasar o método de lidar com a pandemia. Governadores e profissionais da saúde tomam decisões sobre a vida, a morte, o trabalho e a fome iminentes (…) O governo do RS, permanecendo intransigente, será responsável pela maior destruição de empregos e empresas da história do nosso estado, bem como pela perda de milhares de vidas na esteira da falta de serviços públicos que a quebra na arrecadação vai resultar”, Simone Leite, presidente da Federasul em artigo publicado pela Zero Hora ainda na semana passada.

VACA NÃO DÁ LEITE

A maior lição para nossa realidade é simples: Vaca não dá leite. Nunca deu. Você precisa acordar de madrugada, levar a vaca pro galpão, dar um punhado de milho quebrado ou um feixe de pasto, atar a cola (amarrar o rabo) e com o seu esforço, então, tirar o leite. Isso dá trabalho, mas se tu não o fizer, não terás o leite. E não há outro jeito. É assim para tudo, inclusive para bancar o sistema de saúde…

REPERCUTIU NA CÂMARA

Maioria dos vereadores repudiaram as ações do governo do estado e o Modelo de Distanciamento Controlado. Vamos ver o que disseram:

Luciano Melo: “O que vai ter de demissões e empresas fechando com essa bandeira vermelha, estou preocupado com a saúde, mas se as empresas fecham, as pessoas são demitidas, a Prefeitura deixa de arrecadar e falta recurso para investir na saúde. Hoje, o que tá salvando é o recurso enviado pelo Governo Federal”.

Marcelo Drehmer: “Sem dinheiro, como investir na saúde? Economia é tão importante quanto a saúde. O sistema já é precário normalmente, imaginem sem recursos. É injusto que os empresários tenham que pagar um preço tão alto”.

Marcelo Savi: “As pessoas não estão se dando conta que se fechar a cidade mais 15 dias o comércio vai falir, não vai mais ter emprego, quando acabar o seguro desemprego não vai ter dinheiro, a Prefeitura não vai ter dinheiro para ajudar as pessoas com sacolão, não vai ter remédio (…) o Governo do Estado, neste momento, está pecando gravemente”.

Jone Wulff: “Mais uma leva de empresas vai acabar fechando. Isso tudo está sendo uma ofensa para quem empreende. O governador está brincando com uma coisa muito séria. A Assistência Social já não consegue mais atender toda a demanda, eles já fizeram milagres até agora”.

Alberi Dias: “Os empresários aos poucos se reorganizando para se reerguer e vem essa bandeira vermelha, mas o que que é isso? Nós precisamos trabalhar. Pessoas que nunca precisaram de um sacolão estão batendo lá na Assistência”.

Carlos de Oliveira: “Eu não posso concordar com o descaso que o governo do estado está fazendo com a nossa comunidade. O pão de cada dia só se ganha com trabalho e sem trabalho não tem dinheiro. Que palhaçada é essa? Todos os dias eu recebo pedidos de comida, de pessoas que nunca imaginei que um dia iam pedir, isso não pode continuar. É só tirar a bunda da cadeira, guri de bo***. Isso é a vergonha das vergonhas”.

OS PERIGOS DA ERS-235

Com o Estado quebrado, a duplicação da ERS-235 até o Santuário de Caravaggio fica mais distante. Nesta semana, o vereador Luciano Melo teve aprovado um requerimento para o Secretário Estadual de Transportes, Juvir Costella e EGR, para que se providencie com urgência acostamento no trecho entre a rótula de acesso ao Distrito até a perimetral 1 (junto a Dauper). Nos próximos dias Costella deve estar presente em uma videoconferência com o prefeito e empresários canelenses para falar do tema.

Esse acostamento é o mínimo, o ideal mesmo é concluir a duplicação por uma série de motivos como turístico, de ligação com o litoral e religioso, industrial, que representa 26% da economia local e maioria das indústrias estão no Distrito, e evidentemente que por segurança.

Esse trecho é precário e semana passada novamente perdemos alguém querido em nossa comunidade, o Luiz Dalcortivo. Quantos mais perderemos até que faça algo? Não era só ajustar o fluxo de caixa e tirar a bunda da cadeira?

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