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SEM SALÁRIO (SIM, AINDA)

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Coluna publicada no dia 10/06.

Ontem mesmo eu trouxe aqui o drama do pessoal da Escola Adriana Spall Wingert, em Canela. Coisa séria, coisa feia. Funcionária sem salário, sem vale, sem resposta concreta. Não é novidade. Mas hoje cedo, chegou mais denúncia — dessa vez direto de outras funcionárias.

E o enredo não mudou. O pagamento era pra ter saído sexta passada. Não saiu. O vale alimentação, que sempre pinga antes do salário, também não apareceu. Segunda e terça ninguém da cozinha foi trabalhar. E agora, com o bolso vazio e geladeira gritando, querem que todo mundo volte amanhã como se nada tivesse acontecido.

É dose.

PRA QUEM NÃO TAVA POR DENTRO

A escola é administrada pela tal da ADPECS — uma associação com um termo de colaboração com a Prefeitura. Só que a entidade teve as contas bloqueadas por decisão da Justiça lá de Itaqui, longe daqui. Aí a grana travou. Travou tudo. A Prefeitura, segundo nota oficial, foi notificada no dia 6 de junho e tá “trabalhando junto com a assessoria jurídica” pra resolver. Tem até uma medida judicial sendo estudada pra tentar pagar direto pela Justiça. O problema é que enquanto estuda isso e aquilo, o pessoal segue sem ver um centavo.

No fim da tarde desta terça-feira (10), a Prefeitura disse que “a Procuradoria-Geral do Município (PGM), em alinhamento com o Sindicato dos Professores, informa que tomou todas as providências administrativas e jurídicas necessárias para viabilizar os pagamentos pendentes. A expectativa é de que os valores sejam liberados o mais rápido possível, conforme os trâmites legais em andamento”.

TROCA DE CENA

Saindo do drama da escola, vamos pra um momento, no mínimo, curiosa. Hoje Canela amanheceu com obra entregue: a Corsan finalizou o primeiro trecho da nova adutora que liga a ETA 2 até o Expogramado. Obra milionária, moderna, promissora. Promete mais pressão, mais vazão, menos sufoco quando as cidades estiverem lotadas.

Tava todo mundo lá: a Corsan, imprensa, o prefeito de Gramado, Nestor Tissot. Só quem não tava… era Canela. Quer dizer, Canela tava representada só pelo chão onde a tubulação passa. O prefeito Gilberto Cezar estava em “compromissos previamente agendados”. E não foi ninguém no lugar.

ERA SÓ UM “TCHAU, BRIGADÃO”

Nem secretário, nem vice, nem ninguém. Nem uma pessoa do Executivo pra dar um aperto de mão, pegar o microfone e dizer “que obra importante”. Faltou aquele gesto simples, aquela formalidade que mostra que a cidade tá ligada, acompanhando, valorizando.

A Corsan entregou. Gramado agradeceu. Canela fez silêncio. E não é que a ausência do prefeito seja um pecado mortal — todo mundo tem agenda, tem imprevisto, tem reunião em cima da hora. O que pegou mesmo foi o vazio institucional. Porque alguém precisava estar ali, não, necessariamente, o prefeito. E ninguém estar chamou a atenção de todos.

O SIMBOLISMO QUE ESCAPOU

Obra pública, principalmente de saneamento, é daquelas coisas que ninguém valoriza… até faltar água na torneira. E por isso mesmo, quando se entrega um sistema novo, é momento de marcar presença. Mostrar que a cidade tá presente. Porque se não aparece nem na entrega, como é que vai cobrar depois?

Ficamos fora da cerimônia. Fora da foto. E fora do discurso. A Corsan falou. Tissot falou. E Canela? Ficou muda.

O QUE DISSE A PREFEITURA

Nos procuramos a Prefeitura para buscar uma posição do prefeito sobre a obra e uma justificativa sobre a ausência. “Por compromissos previamente agendados, o prefeito Gilberto Cezar não pôde estar presente neste ato. Mesmo à distância, acompanha de perto as pautas relacionadas à melhoria do abastecimento e reitera seu compromisso com a busca por soluções duradouras para Canela. O prefeito já agendou uma visita técnica à nova adutora, onde irá conhecer de perto a estrutura e dialogar com a equipe responsável pela obra”. Para completar, eu até acho que o prefeito poderia estar em um compromisso mais importante, está tudo certo, a questão é que não dá pra ficar sem uma alma viva representando o Executivo.

SANEAMENTO É COISA SÉRIA

O trecho entregue já tá funcionando. Produzindo 60 litros por segundo a mais. E a rede de 500mm em aço deve segurar bem a bronca nos picos de consumo. A estrutura completa ainda vai levar tempo — previsão de terminar só no fim de 2025. Tem matéria nesta edição. É uma baita conquista. E Canela é parte disso, não é figurante. Mas ao não marcar presença, acabou parecendo que só Gramado é protagonista. E isso, num projeto binário (Canela–Gramado), fica estranho.

FALTA D’ÁGUA

Se é pra ser justo, tem que dizer: a Corsan tá entregando o que prometeu. Com privatização, vieram investimentos, obras, estrutura nova. Gramado confiou e comemorou. Canela confiou… e não apareceu.

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