GRAMADO – A incerteza sobre o futuro do concurso público do magistério de Gramado levou dezenas de candidatos à Câmara de Vereadores na noite de segunda-feira (15). O plenário ficou lotado por representantes dos grupos considerados aptos e não aptos na etapa do exame psicotécnico, que agora se unem em torno de um objetivo comum: aproveitar, sempre que juridicamente possível, as etapas já realizadas do certame cancelado.
Os participantes esperavam que representantes do Executivo comparecessem para prestar esclarecimentos, especialmente a secretária de Educação, Simone Tomazelli, a secretária de Administração, Débora Brantes, ou a procuradora-geral do Município, Mariana Reis. No entanto, nenhuma delas esteve presente.
O vereador Professor Pedro Lazaretti pediu cautela ao Executivo para que ninguém seja prejudicado. Segundo ele, é o próprio município quem mais precisa do concurso. “Dois terços dos monitores e um terço dos professores atuam hoje por contrato. Não pode haver mudanças no meio do período escolar. As crianças não podem ficar desassistidas”, afirmou, revelando ter solicitado à Secretaria de Educação a renovação dos contratos temporários até a definição da situação.
A vereadora Professora Denise destacou a importância dos profissionais presentes. “É a educação e o município de Gramado que precisam de vocês”, disse aos candidatos. Ela lembrou ainda que quase 100 laudos do psicotécnico apresentavam textos praticamente idênticos, situação que levantou dúvidas sobre a condução da etapa. Os vereadores solicitaram documentos e relatórios aos candidatos para encaminhar as demandas ao Executivo.

A professora Ana Laura Neves, de Nova Petrópolis, disse ter saído frustrada da reunião. Com 12 anos de atuação na rede estadual, sem qualquer advertência na carreira, ela afirmou ter obtido nota máxima na prova objetiva, mas acabou reprovada no psicotécnico.
“Paguei uma fortuna pelo laudo, outra fortuna para advogado e agora quero saber até quando. Quanto tempo ainda vamos esperar? Viemos aqui para ouvir mais do mesmo?”, questionou, em razão da não presença de representante do Executivo.

Coordenador-geral da comissão dos aprovados e aptos, Max Borges contou que possui contrato com o município e buscava, por meio do concurso, a estabilidade profissional.
“Estudamos durante meses, investimos recursos altos, abrimos mão do convívio com a família. Muitos vieram de fora. Não queremos decidir o futuro do concurso, nem privilégios. Queremos informações, saber quais medidas estão sendo tomadas, quais os prazos e se existe possibilidade de aproveitamento do que já foi feito”, afirmou.
Vice-coordenador do grupo dos aptos, Rhuan Muller defendeu que todas as etapas sejam aproveitadas sempre que houver respaldo jurídico. E sobre as pessoas que venderam pertences para participar do certame, revelou que não conhece, mas chegaram relatos, por meio de comentários em redes sociais e nos grupos. “Fomos surpreendidos pela entrevista da Procuradoria (ao Jornal Integração) na quarta-feira, dia 10 e que foi publicada dia 12, um dia depois da nota da Prefeitura que foi dia 11, e que por isso o caos se instaurou”, disse.
Max acrescentou que o concurso reuniu cerca de 2.500 participantes, com mais de 600 candidatos aprovados e considerados aptos até aqui. Segundo ele, há relatos de pessoas vindas de diferentes regiões do Estado, como Bagé, que fizeram empréstimos e investiram economias para disputar uma vaga.
Ao final do encontro, o sentimento predominante era de apreensão. Mais do que uma definição imediata, os candidatos cobram clareza, respeito e uma resposta pública fundamentada sobre os próximos passos do concurso que, até poucos dias atrás, representava a esperança de estabilidade para centenas de profissionais da educação.

Prefeitura reforça compromisso com transparência
Em nota oficial divulgada neste domingo (15), a Prefeitura de Gramado afirmou que as investigações envolvendo o concurso público do magistério vão além de questionamentos sobre os critérios técnicos ou a aplicação das avaliações psicológicas. Segundo o Executivo, há indícios de irregularidades semelhantes às identificadas em outros municípios envolvendo a mesma empresa contratada para organizar o certame.
O caso já foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, por meio da 1ª Promotoria de Justiça, e a Administração garante que adotará todas as medidas administrativas e legais para responsabilizar a empresa por eventuais falhas, omissões ou atos ilícitos.
A nota destaca ainda que o Município foi vítima da situação, tendo contratado a banca por meio de procedimento regular e observando os princípios da legalidade, impessoalidade e transparência. A Prefeitura também ressaltou que é a principal interessada no esclarecimento dos fatos, uma vez que a suspensão do concurso afeta diretamente a prestação dos serviços públicos, especialmente na área da Educação, que depende da contratação de novos profissionais.
Por fim, o Executivo reiterou que permanece à disposição da Câmara de Vereadores e dos órgãos de controle para colaborar com as investigações e orientou os candidatos a acompanharem as informações exclusivamente pelos canais oficiais do Município.
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