GRAMADO – O jogador Wellington, 25 anos, que atualmente atua no Al Riffa no Bahrein, tem enfrentado uma realidade incomum fora das quatro linhas. Chamado aqui na região como Nenê, o meia está vivendo sua terceira temporada no Bahrein e relata momentos de tensão após os recentes conflitos no Oriente Médio, embora destaque que a situação no país esteja, neste momento, sob controle.
Segundo o atleta, que atuou no Hercílio Luz e Marcilio Dias, ambos de Santa Catarina e Brasil de Pelotas, o clima mais crítico ocorreu logo nos primeiros dias após ataques atribuídos ao Irã na região. “Nos primeiros ataques, o país ficou bastante tenso. Acredito que foi a primeira vez na história que o Bahrein sofreu algo assim”, conta. Desde então, alertas e sirenes passaram a fazer parte da rotina. “A gente escuta todos os dias”, relata ele que conversou com a reportagem do Jornal Integração, em meio a um fuso horário de seis horas.
Apesar disso, Wellington afirma que o cenário atual é de maior tranquilidade. “Hoje está bem mais calmo. No início, fiquei tenso, principalmente por conta de um ataque na base dos Emirados Árabes aqui no país, mas agora melhorou bastante”, explica.

Futebol impactado, mas em retomada
A instabilidade inicial também afetou diretamente o futebol local. Os treinos do Al Riffa foram suspensos temporariamente, refletindo o momento delicado vivido no país. “Ficamos alguns dias sem treinar, mas quatro dias depois do primeiro ataque já retomamos as atividades”, diz.
De acordo com ele, existe um plano de contingência por parte das autoridades: competições poderiam ser suspensas caso a situação se agravasse. Até o momento, porém, os jogos seguem mantidos.
Segurança e rotina pessoal
Mesmo com os episódios recentes, o jogador afirma se sentir seguro. “Hoje estou tranquilo. O susto maior já passou”, resume. Ele está no país acompanhado da namorada, que também vivenciou momentos de incerteza nos primeiros dias do conflito.
A apreensão maior, segundo Wellington, veio do Brasil. “Minha família ficou apavorada com as notícias, principalmente por conta de muitas informações falsas que estavam circulando. Eles ficaram mais assustados do que nós aqui”, comenta ele que vive com a namorada.
Adaptação e permanência
Vivendo há três temporadas no Bahrein, o atleta relembra que a adaptação inicial não foi simples. “A cultura é muito diferente, então no começo foi difícil. Mas hoje estou bem adaptado”, afirma. O técnico era árabe e o entendimento era difícil. A língua oficial do país, o atleta confidenciou que sabe o básico, mas que normalmente o idioma que fala é o inglês.
Com contrato até 2030, Wellington, já ergueu caneco no clube do país asiático. Neste ano festejou o título da Khalid Cup, é semifinalista da Copa do Rei e sua equipe ocupa atualmente a terceira colocação na Liga Nacional, como se fosse o Brasileirão. Além dele, outros cinco brasileiros estão no clube, incluindo um preparador físico, auxiliar técnico e outros três atletas.
Sobre o futuro, Wellington adota cautela. Com o aeroporto local fechado, uma eventual saída do país só seria possível via Arábia Saudita, para onde ele já possui visto. Ainda assim, a decisão é permanecer por enquanto. “Como está tranquilo agora, vou ficar até o fim da temporada. Mas, se a situação piorar, volto para o Brasil com certeza”, conclui.











