O tradicionalismo

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Coluna publicada no dia 11/09.

Cresci no interior de São Chico, rodeado por cavalos, gado, cercas de arame e o cheiro de galpão. Rodeios, cavalgadas, laçadas… era o meu mundo, e meu pai era meu guia. Ele me ensinou a respeitar o chão, a conviver com as pessoas e com os animais, e a sentir orgulho de pertencer a essa cultura. Tradição não era apenas costume ou festa: era disciplina, humanidade e amor por um modo de vida.

Lembro como se fosse ontem da minha primeira vez laçando Vaca Parada. A ansiedade antes de cada cavalgada, o frio na barriga, a expectativa de acertar cada movimento para laçar. Era uma mistura de nervosismo e empolgação que só quem cresceu nesse meio conhece. Preparar o cavalo em São Chico, carregá-lo, trazer para Canela e desfilar… eram momentos que me enchiam de orgulho. Também desfilávamos em São Chico, e cada cidade tinha sua própria energia, seu próprio público, mas a sensação era sempre a mesma: o coração acelerado, o suor da preparação, a alegria de estar vivo no meio da tradição.

Quando meu pai se foi, muita coisa se apagou. A paixão pelos rodeios, pelo meio rural e pelo calor das cavalgadas ficou mais distante. A tradição ainda existia no coração, mas não com a mesma intensidade.

A centelha que reacendeu memórias

Foi no CTG Manotaço, com o patrão Fernando Gusen, durante a entrevista de hoje, que eu lembrei do porquê eu gostava tanto. Estar no galpão, sentir o cheiro da terra e ouvir ele falar com tanta paixão me fez lembrar do que eu amava na infância: cavalos, gado, laçadas, rodeios.

O Fernando é exemplo vivo disso. Mais do que organizar eventos ou coordenar o CTG, ele transmite paixão, acolhimento e dedicação. Observando-o, percebi que é esse compromisso e amor pelo tradicionalismo que mantém a cultura viva e que inspira os mais jovens.

A tradição

Mesmo depois de anos, eu ainda amo essa tradição. O que mudou foi a intensidade com que eu vivia. Mas, ao acompanhar o Fernando, percebi que tradição não é só montar em um cavalo, dançar ou laçar: é convivência, amizade, aprendizado, risadas e dedicação. É a união da comunidade, a transmissão de valores, a emoção de uma criança se destacando pela primeira vez, o entusiasmo de um grupo vibrando junto sem rivalidade.

Um privilégio reencontrado

Hoje tive o privilégio de estar acompanhado por colegas que marcaram minha trajetória no jornalismo. O Tiago Manique foi o motorista da vez, dirigindo enquanto compartilhávamos histórias pelo caminho. E o Fernando, meu ex-colega e editor-chefe, que hoje é patrão do CTG Manotaço, foi o entrevistado.

Essa convivência reforçou o quanto o aprendizado e o respeito que recebi deles desde 2019 moldaram quem sou hoje. Comecei a cursar jornalismo em 2018, entrei para o jornal em 2019 e, desde então, aprendi não apenas jornalismo, mas a olhar o mundo, ouvir histórias e valorizar cada detalhe. Eu não estaria ali se o Tiaguinho não dirigisse o carro e me levasse até ali, ou se não fosse entrevistar o Fernando. Mas também não estaria ali se eles, junto com o Cláudio Scherer, não tivessem me ensinado lá atrás e puxado minhas orelhas algumas vezes. Ainda tenho muito que aprender, mas tudo que sei hoje é por causa desses caras. Gratidão.

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