InícioGeralGramado e CanelaA Inflação que não passa e os bens de consumo que sumiram

A Inflação que não passa e os bens de consumo que sumiram

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*Guilherme Dettmer Drago. Advogado. Sócio de Reimann e Drago Advogados Associados.

Se você é daqueles que acreditam em milagre, talvez a inflação seja o novo feitiço que faz desaparecer os bens de consumo do mercado. Mas, antes que você comece a pensar que estou falando de algum truque de ilusionismo, permita-me esclarecer: estou me referindo à incrível capacidade do governo federal em transformar a realidade econômica do país em uma verdadeira montanha-russa, onde a subida dos preços e a descida do poder de compra não param de surpreender.

Nos últimos meses, os preços de bens essenciais como alimentos, produtos de higiene e até mesmo itens básicos de vestuário dispararam. Isso porque a inflação resolveu fazer uma visita prolongada e se instalar como uma amiga inconveniente.

Enquanto isso, o valor do real continua sua dança de queda livre. Como consequência, o que antes era possível comprar com um valor razoável agora exige esforços titânicos.

Mas o que tem feito o governo diante disso? Simples. Com uma postura de quem se recusa a assumir qualquer responsabilidade, ele se apega com unhas e dentes a explicações que envolvem fatores externos. De acordo com a narrativa oficial, a culpa de toda essa bagunça não seria, em nenhum momento, do próprio governo, mas de “fatores alheios ao seu controle” (mesmo que o impacto na economia global não seja tão devastador quanto o “apocalipse” anunciado por aqui).

E claro, a arrogância não poderia ficar de fora. O governo, em sua excelência, prefere jogar a culpa nos russos, nos americanos, no Banco Central ou até no fato de que “a inflação é um fenômeno global” — um verdadeiro espetáculo de desresponsabilização.

O simples fato de a administração atual ter, por meses, negligenciado questões internas como políticas fiscais eficientes ou controle de preços é tratado como uma piada de mau gosto, mas nunca uma crítica legítima. Afinal, é muito mais conveniente responsabilizar os outros e mostrar a certeza de quem sabe como salvar o país, mesmo que as únicas medidas visíveis sejam mais discursos do que soluções concretas.

Mas o que acontece nas ruas?

Bem, enquanto o governo se perde em suas explicações, o brasileiro enfrenta um dilema diário: como sobreviver com um salário que mal paga as contas e com preços que parecem aumentar no momento em que a pessoa abre a carteira. Aquele arroz e feijão que antes preenchiam a mesa de um almoço simples agora são itens de luxo, e, para comprar os básicos, é preciso recorrer a uma engenharia financeira que envolve cortar gastos até com coisas que realmente importam. Lamento, mas não dá para negociar o preço do gás de cozinha com o vendedor, nem pedir para que a inflação dê uma trégua.

E onde está a medida de autocrítica? Onde estão as palavras de quem deveria assumir a culpa por essa situação? Bem, ao que parece, o único ato de mea culpa que se ouve do governo é uma desculpa no final de cada discurso, seguido de mais promessas vazias e da insistente tentativa de convencer a população de que a culpa é do “sistema”. O sistema, que, por mais curioso que pareça, nunca inclui as escolhas políticas e econômicas que levaram a esse caos.

Portanto, seguimos assistindo a essa farsa: bens de consumo inacessíveis, inflação fora de controle e uma administração que se recusa a fazer qualquer autocritica.

Enquanto isso, o brasileiro continua se virando como pode, torcendo para que o governo se dê conta de que, talvez, a solução não seja se esconder atrás de desculpas e sim enfrentar a realidade com a coragem que se espera de quem está no poder.

Afinal, não são os outros que falharam, é o governo, e ele precisa começar a aceitar isso.

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