GRAMADO – Na tarde de 30 de dezembro de 2024, um trágico acidente na RS-020, próximo ao Rincão dos Kroeff, tirou a vida de Luana Drum, uma jovem de 26 anos, moradora do bairro Jardim, em Gramado. Ela estava acompanhada do marido, Edilberto Drum, e do filho do casal, Bernardo, de apenas quatro anos, quando o veículo em que viajavam, um GM Corsa Classic, colidiu frontalmente com um Toyota Corolla. A colisão deixou um vazio profundo na vida de quem a conhecia e amava. Sete dias após o acidente, Edilberto Drum, esposo, e Estefani Rech, irmã de Luana, concederam uma entrevista ao Jornal Integração, compartilhando detalhes sobre a vida de Luana, a dor da perda e as lembranças que ficam para sempre.
A relação de Luana com Edilberto e Bernardo
Edilberto, esposo de Luana, descreveu a esposa como uma mulher cuidadosa, detalhista e dedicada à sua família. “Uma mulher sem palavras. Uma mulher muito caprichosa, dentro de casa. Nunca faltava nada”, contou, emocionado. Para ele, cada pequeno gesto de Luana tinha um significado especial. Ela sempre cuidou da casa e do ambiente familiar com muita atenção aos detalhes, deixando tudo arrumado e pronto para a família. Isso, segundo Edilberto, era um reflexo de como ela tratava a vida e os relacionamentos: com muito amor e dedicação.
Luana também era uma mãe dedicada, e seu relacionamento com o filho Bernardo era algo extraordinário. Edilberto relembrou como Bernardo tinha uma ligação inquebrantável com a mãe. “Ele não gostava de dormir comigo. Ele podia estar caindo de sono, mas não dormia. Ela deitava, e ele, nem que fosse para sentir o cheiro dela,somente quando ela deitava ele dormia”, contou. O carinho entre mãe e filho era tão profundo que até os momentos de descanso eram compartilhados como uma forma de sentir a presença de Luana.
Edilberto conta que mudança no comportamento de Bernardo mudou smete há poucos meses. “Ele começou a dormir comigo. Antes, era só com a mãe dele, ele precisava dela, nem que fosse para segurar a mão”, explicou. A saudade da mãe ainda está presente, e mesmo com o consolo da fé e o apoio de Edilberto, Bernardo, com sua inocência, ainda chama por ela em momentos de tristeza.
O trágico acidente
O acidente que ceifou a vida de Luana foi descrito por Edilberto com detalhes que revelam o impacto emocional e físico daquele momento. “Eu estava dormindo, meu filho estava dormindo atrás, até porque a gente tinha acabado de almoçar. Ela dirigia melhor que eu. Não ultrapassava, não deixava ninguém andar sem cinto, não usava muita velocidade”, contou. Luana, sempre cuidadosa no trânsito, estava dirigindo o veículo naquele momento.
O susto veio de repente. “Eu só lembro da pancada. Quando acordei, estava com a visão turva, não entendi nada. Quando vi o que tinha acontecido, fui chamar a Luana, mas quando a vi, já não havia mais o que fazer. Não tinha mais esperança”, relatou Edilberto, com a voz embargada. Ele descreveu o choque de ver a esposa em óbito, sem poder fazer nada para mudar a situação. “Eu tentei chamar ela, pedir ajuda, mas quando vi a cena, não havia mais nada a ser feito. Foi a pior cena da minha vida”, disse.
Apesar de tudo, Edilberto se agarra à força de seu filho, que o sustenta neste momento de dor insuportável. Ele se lembra de como foi acolhido por médicos e pessoas ao redor, que o ajudaram a sair do veículo e cuidar de Bernardo até que chegassem à emergência. “Eu fiquei com o meu filho até a emergência chegar. Foquei nele pra passar por aquilo”
O legado de fé de Luana
Além da dor pela perda, Edilberto e Estefani destacam a forte fé religiosa de Luana, que sempre foi uma mulher dedicada à sua crença. Estefani, irmã de Luana, falou com muito carinho sobre como Luana sempre buscou manter viva a fé das pessoas ao seu redor, inclusive os amigos que estavam afastados da igreja. “Ela ganhou muitas pessoas com Jesus. Amigos que estavam afastados conseguiram voltar à igreja, reacenderam a chama da fé por causa dela. Eles estão extremamente gratos”, contou Estefani.
Luana tinha um dom especial de tocar as pessoas com sua espiritualidade e foi justamente essa fé que ajudou a família a lidar com a perda. Estefani também compartilhou como, desde o início do acidente, ela entendeu que a partida de Luana estava relacionada a um propósito divino. “Eu creio que era a hora dela. Deus queria ela com Ele. Embora a saudade seja grande e a dor de perder alguém seja difícil de aceitar, sei que ela está em um lugar onde sempre ansiou estar: com Jesus”, afirmou Estefani, com um misto de dor e consolo.
A perda de Luana trouxe um questionamento constante para Estefani e Edilberto: por que ela? Por que agora? No entanto, tanto Estefani quanto Edilberto acreditam que, apesar da tristeza e da dor, há um propósito divino por trás de tudo. “A Luana sempre dizia que tudo tem um propósito. Mesmo que a gente não entenda agora, a gente precisa confiar em Deus e descansar Nele, confiando que Ele tem o controle de tudo”, refletiu Estefani.
A relação de irmandade e perdão
Estefani também compartilhou com os leitores um aspecto pessoal e emocional da sua relação com a irmã. As duas, como qualquer irmãs, tiveram desentendimentos, mas esses conflitos ficaram para trás. “Eu e a Luana brigávamos muito quando crianças. Mas teve um a situação que aconteceu na nossa adolescência onde ficamos mais de um ano sem conversar. Nos acertamos faz alguns anos, mas depois de um evento em Canela, há pouco tempo, que eu consegui olhar nos olhos dela e pedir perdão. Ela me perdoou e isso me trouxe paz”, contou Estefani, emocionada. Esse momento de reconciliação, que aconteceu há alguns anos, é um dos maiores consolos para Estefani, que agora guarda a lembrança do perdão e da paz entre as irmãs.
Além disso, Estefani também compartilhou como Luana foi fundamental para ela em momentos difíceis da sua vida. Após um casamento conturbado, Estefani encontrou em Luana apoio e acolhimento. “Foi ela quem me acolheu quando eu mais precisei. Foi ela quem me levou à igreja, me fez reencontrar meu caminho com Deus. Mesmo quando eu não queria, ela me trouxe de volta ao plano de Deus”, contou. Agora, com a partida de Luana, Estefani se vê grata pela oportunidade de ter tido essa relação próxima, mas ainda sente a ausência da irmã.
O desafio de seguir em frente
A dor pela perda de Luana é indescritível para todos que a conheciam. Edilberto expressa sua dificuldade de imaginar um futuro sem ela. “Eu não me vejo na mesma casa sem ela. A casa foi feita do jeito dela, sempre pensada para nós, para nossa família. Pensávamos em ter mais filhos, em viajar mais, em fazer tantas coisas. Agora, isso tudo não vai mais acontecer. Não vai mais existir. E me pergunto por que não fui eu, por que não fui eu quem partiu?”, disse, com um tom de desesperança e busca por respostas.
Mas, apesar da dor, Edilberto sabe que tem uma missão a cumprir: criar seu filho Bernardo da maneira que Luana desejava. “Peço força para cuidar do Bernardo como ela faria. Para fazer as coisas do jeito que ela me ensinou”, concluiu.
A investigação
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do acidente que causou a morte de Luana Drum. O caso foi registrado como homicídio culposo. A apuração aguarda o laudo pericial, incluindo os resultados dos exames dos veículos envolvidos, para esclarecer as causas da tragédia.









