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Potencial econômico atolado na estrada

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REGIÃO – O asfaltamento da ERS-476 é um sonho que permanece latente entre os usuários dessa estrada que liga a ERS-235 no Saiqui em Canela, a ERS-110 em Alziro Ramos em Jaquirana. São 67 quilômetros de chão batido por onde passa importante fatia econômica da região. No sábado passado (10), o pavilhão da igreja Sagrado Coração de Jesus em Lajeado Grande reuniu mais de 250 pessoas que clamam por esta benfeitoria.

O encontro foi organizado pela Comissão Pró Desenvolvimento de Lajeado Grande e Região, presidida por Mário Borguetto, e serviu para ouvir moradores e produtores que escoam sua produção pela 476. O momento eleitoral, de campanha, também levou muitos candidatos ao evento.

No palco, a Comissão abriu espaço para manifestações de representantes dos principais segmentos produtores que dependem dessa estrada. Cada um apresentou detalhes do seu segmento, enfatizando a necessidade de melhores condições para escoamento da produção. Enquanto que os representantes se manifestavam, o telão no palco mostrava imagens de caminhões tombados na estrada ou atolados, recebendo auxílio de tratores, além de fotos de verdadeiros açudes que em determinados trechos alagam a estrada de margem a margem.

Borguetto falou do propósito em criar uma comissão e elencou os objetivos que seriam defendidos.

“Pessoas de bom juízo não podem se calar. O produtor trabalhando na careza de hoje dos insumos como óleo diesel e mão de obra e acaba perdendo mercadoria por causa das estradas. Aqui no Lajeado Grande estamos à deriva, precisamos de ajuda no caso da 476. Existe dinheiro, então eu disse pro secretário (Artur Lemos, chefe da casa civil do Estado), penso que não vou ouvir que o Estado não tenha dinheiro pra isso, estamos trancados sem poder escoar a produção pra botar na sua mesa, isso é incabível”, explanou Borguetto.

PRODUÇÃO DE MADEIRA

Ao longo dos 67 quilômetros da ERS-476, sem considerar as vias vicinais que se ligam a ela, são 60 produtores com aproximadamente 10 mil hectares plantados. A produção estimada por ciclo é de 800 toneladas por hectare, com um total de 8 milhões de toneladas. Por ano, são extraídas em média entre 800 e 1.000 cargas por mês.

“Nós produzimos e geramos emprego, renda e impostos. Estamos enfrentando inúmeras dificuldades para escoar a produção com a estrada nessas condições, foi um inverno muito chuvoso e os prejuízos foram incalculáveis. Precisamos com urgência de uma estrada que dê condições para o escoamento da produção. A madeira, depois de cerrada, estraga muito rapidamente e por isso não é possível aguardar passar o período chuvoso para transportar”, desabafou Rodrigo Linne Neto que falou em nome dos madeireiros.

GRÃOS E HORTIFRUTI

“Vimos essa região crescer bastante nesse setor. Temos aqui um clima único aqui, tem produtos aqui que o resto do Brasil não consegue produzir. E percebemos um espaço para crescer muito ainda na área de grão”, enfatizou André Dagostini.

De acordo com ele são mais de 30 produtores que usam a estrada e mantêm 2 mil hectares de lavoura onde é produzido milho, soja, cenoura, beterraba, alho, cebola, brócolis, alho e ovo. “Transportamos mais de quatro mil cargas de caminhão por safra. E todos os insumos para produção, mais o adubo e calcário, tudo vem em caminhões que também dependem da estrada. É preciso entender que o produto cultivado aqui vai longe, mas temos muitas perdas por causa das condições da estrada”, pediu.

“Se tivermos apoio para boas estradas, daqui alguns anos teremos evoluído e ampliado bastante a produção e, consequentemente, poder gerar mais emprego, renda e arrecadação, mas se não tivermos apoio o que vai acontecer? O produtor não vai aguentar. A estrada é o mínimo que estamos pedindo, a região produz muito bem, é só investir que dá certo”, observou Dagostini.

Estimativa de mais de 1,2 mil veículos por dia

O presidente do Conselho de Turismo de Bom Jesus, Jaziel de Aguiar Pereira, apresentou números que destacam a importância desta rota para o turismo regional. Ele defende a pavimentação para interligar cidades como São Joaquim e Urubici a Canela e Gramado. Segundo ele, esse caminho encurtaria em mais de 170 quilômetros a distância pavimentada entre as duas regiões.

“A 476 tem uma riqueza turística muito grande. Vejam comigo: estudos do Corede estimam que oito milhões de pessoas visitam Gramado e Canela por ano. Um estudo do Ministério do Turismo aponta que 8% dos visitantes da Região das Hortênsias é oriundo de Santa Catarina. Na região de São Joaquim e Urubici são em torno de 1,4 milhão de pessoas que visitam anualmente e, conforme o Ministério do Turismo, 19% dos visitantes de lá são do Rio Grande do Sul. Então estamos falando de 300 mil pessoas que vão daqui para lá e 680 mil que vem de lá para cá. O que eles fazem? Usam a BR-101 ou a BR-116. E se a gente distribuir essas 980 mil pessoas que já circulam entre as duas regiões utilizando as BRs, nós teremos aqui pela 476 mais de 1,2 mil carros por dia. Vale a pena batalhar por essa rodovia”, defendeu.

Daer diz que estudo de viabilidade será licitado neste ano

No ano passado, a Prefeitura firmou um convenio com o Daer para manutenção das rodovias estaduais não pavimentadas que ficam em território de São Francisco de Paula: a ERS-476 (Saiqui/Alziro Ramos), ERS-110 (São Francisco/Várzea do Cedro) e a ERS-484 (Serra do Umbú).

“Para nós isso é uma vergonha. Hoje estamos um pouco diferente, não é como gostaríamos que fosse, mas melhoramos um pouco. Peço desculpas por essa situação, pelas escolas, pelos produtores, pelo agro, por quem leva o alimento para a nossa mesa. Somos operadores dos recursos disponibilizados e fazemos o que é possível, mas como esta é uma rodovia não pavimentada os trabalhos de manutenção precisam ser frequentes”, expressou o diretor de operações Sandro Wagner. O Daer mantém uma equipe em São Chico para cuidar das três estradas.

A engenheira e assessora técnica do diretor geral do Daer, Bibiana Fogaça, também se manifestou. “Eu sou daqui da comunidade e também tenho interesse em ver a 476 pavimentada. Um passo que aconteceu foi a abertura do processo para fazer o Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE), que já tem comissão nomeada e já está definido o prazo para conclusão do termo de referência para o EVTE, que irá para licitação ainda nesse ano”, informou. Ela também disse que os recursos para o Estudo já estão garantidos.

Durante seu pronunciamento, Bibiana também revelou que logo serão asfaltados dois quilômetros da ERS-476 em Lajeado Grande, sendo um km para cada lado a partir da Rota do Sol.

TEXTO: Fernando Gusen | [email protected]

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