GRAMADO – Oito décadas de superação, caridade e ensino de qualidade. A Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEI) Padre Anchieta, fundada em 1942, por Hilário Libardi, comemorou 80 anos de fundação no dia 22 de março, reunindo alunos e ex-alunos, professores e ex-professores, funcionários e pais, no Ginásio da Sociedade Belvedere. Na ocasião, peças de teatro contando a história da escola foram performadas para mais de 300 pessoas.
Nascimento da escola
O educandário nasceu na casa de Libardi, bairro Belvedere, que percebeu a necessidade que a localidade tinha relacionada à educação e formação de pessoas. De acordo com a diretora da instituição, Daniela Reginatto da Costa, Libardi chegou a ir até a Secretaria de Educação, em Taquara, para tentar viabilizar a implantação de uma escola, o que acabou não vingando. Naquela época, Gramado ainda pertencia a Taquara.
“Não tinha nada, era só barro. Ele vendo que a filha estava crescendo sem instrução, ler e escrever, vendo que as crianças das redondezas também estavam indo no mesmo caminho, foi até Taquara para tentar achar uma solução. Pelo que sabemos, na época, não havia o interesse para que tivesse uma escolinha aqui, porque só haviam 20 ou 30 crianças. Então, ele abriu a porta da casa e a sala de jantar abrigava os primeiros alunos. Por mim o nome da escola poderia ser Hilário Libardi, nada contra o Padre Anchieta, mas por tudo que o Seu Hilário fez. Se essa instituição existe até hoje é graças a generosidade dele e de seus descendentes. Ele tinha muito orgulho daqui”, pontuou Daniela.
O primeiro professor da Padre Anchieta foi Francisco Mazzurana e dava aula para cerca de 15 alunos. O educador foi o responsável por dar o nome à escola. Conforme o histórico, o primeiro nome de batismo teria sido Santa Genoveva.
“Quando ele (Francisco) não conseguia vir, a esposa dele ministrava as aulas. Quem sabia um pouco mais vinha dar aulas para quem não sabia tanto. Assim foi se criando a escola, mais crianças foram chegando e a comunidade decidiu construir uma escolinha. Se precisava também de um mercado para o bairro e os dois passaram a funcionar neste mesmo prédio que foi construído”, descreveu.
Brizoleta
No mandato do ex-governador do Estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, (1959-1963), foram criadas as ‘Brizoletas’, como forma de incentivar a educação. As estruturas destas escolas eram padronizadas: uma edificação simples de madeira coloridas de azul, verde e amarelo, com uma ou mais salas de aula.
A Padre Anchieta, que clamava por uma expansão, foi agregada ao programa em 1960, se mantendo como uma brizoleta até o ano de 2003, quando recebeu outra dilatação.
Atualmente, a escola ainda mantém suas atividades no terreno de Libardi, no Belvedere. A Padre Anchieta atende 125 alunos, de Pré ao 5º ano. A estrutura física conta com quatro salas de aula, refeitório, secretaria e uma sala multifuncional, que abriga a diretoria, vice-diretoria, biblioteca, sala de informática, orientação educacional, Atendimento Educacional Especializado (AEE) e supervisão.
Solenidade reúne mais de 300 pessoas
Na festa alusiva aos 80 anos da Padre Anchieta, os alunos, por meio de peças de teatro, contaram a história do educandário para toda a comunidade escolar. Também participaram da solenidade, ex-professores e ex-alunos, a exemplo da vereadora RosiEcker Schmitt (PP).
“Falar da Escola Padre Anchieta traz uma grande emoção. São muitas gerações da minha família que se alfabetizaram nesta escola: meu pai, eu, minhas irmãs, primos e, atualmente, meu sobrinho e meu netinho Yuri. Tenho um carinho enorme pelas minhas primeiras professoras, Ilse e Rosa, as quais tive o prazer de reencontrar na comemoração dos 80 anos da Escola.Parabenizo todos os professores (as) e diretores (as) que passaram pela instituição e contribuíram para essa linda história na Educação da nossa comunidade”, disse.
“Fizemos uma festa com cerca de 300 pessoas. Achamos que não viriam muita gente, mas quando pedimos as confirmações, centenas confirmaram. As crianças ensaiaram, se prepararam. Elas chegavam em casa e diziam para os pais que tinham que ir na festa. Trabalhamos muito a história da escola, o amor”, sublinhou.
Uma surpresa também fez parte da celebração. A ex-professora Rosa Peteffi, que foi educadora por dez anos na instituição, recebeu uma dezena de ex-alunos da turma de 1985. “Ela não sabia, quando entrou na sala eles estavam sentados. Ela pegou o caderno e fez a chamada”, relatou a diretora.











