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Dia Educativo de Combate ao Câncer relembra como doença pode ser silenciosa e como atuar em meio a pandemia de Covid-19

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GRAMADO – 4 de agosto é considerado o Dia Educativo de Combate ao Câncer. O tema não deve ser esquecido, mesmo em meio a pandemia de coronavírus (Covid-19) que a sociedade vive. Por ser em muitos momentos uma “doença silenciosa”, a importância dos exames preventivos é reforçado.

Em 2019, segundo dados do Grupo de Oncologia da Secretaria Municipal da Saúde de Gramado, estiveram em acompanhamento pela Rede Pública, 88 pacientes, sendo 29 homens e 59 mulheres.

Entre a prevalência de casos no sexo masculino, 31% foram diagnosticados com câncer de próstata e 17,2% com câncer de estômago/intestino

Já entre o sexo feminino, 45,7% das mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama e 23,7% com câncer de colo de útero.

Segundo dados da Vigilância Epidemiológica do município, 47 pessoas perderam suas vidas em 2018 para o câncer. Em 2019, esse número aumentou para 55. Uma das neoplasias responsáveis por esse somatório é a que acomete órgãos digestivos: enquanto 15 pessoas faleceram por este tipo de câncer em 2018, no ano seguinte este dado subiu para 23.

Neste ano de 2020, até o mês de julho, 27 pessoas vieram a óbito em decorrência desta doença, sendo 11 devido a câncer em órgãos digestivos.

A preocupação com o grande aumento dos casos de Câncer, torna necessário que as ações de promoção, prevenção e detecção precoce devam ser iniciadas já na Atenção Primária. “A prevenção se dá também através da detecção precoce das doenças, do seu tratamento adequado e nas ações destinadas a minimizar as suas consequências. Dessa forma, todas as unidades de Saúde estão habilitadas a trabalharem com ações educativas, que vão desde a mudança de estilo de vida, incentivo à prática de atividades físicas, até coletas e realização de exames”, afirma Ellen Regina Pedroso, enfermeira da Vigilância Epidemiológica do município.

Serviços e ações disponibilizados nas Unidades de Saúde de Gramado

– Prática de atividade física através da Academia do SUS (segue com atendimento remoto, com atividades diárias on-line);

– Interrupção do consumo de cigarro, através do Grupo Antitabagismo (atendimento segue remoto, já as ações estão suspensas temporariamente);

– Ações de mudança de estilo de vida, através do Grupo de Reeducação Alimentar;

– Incentivo à prática do Aleitamento Materno através do Programa Bebê Mais Saúde e do Agosto Dourado;

– Acompanhamento e suporte multidisciplinar (médico, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e educadores físicos) para pacientes diagnosticados através do Grupo de Oncologia (atendimento segue remoto e grupo está suspenso temporariamente);

– Suporte conforme as necessidades de cada paciente, realizado pela Liga Feminina de Combate ao Câncer e Assistência Social;

– Sistema de Imunização para Prevenção do papilomavírus humano (HPV), disponível nas salas de vacinação;

– Ações voltadas a saúde da mulher com foco na Prevenção ao Câncer de Mama e Colo de Útero, realizados durante o Outubro Rosa, como palestras, coleta de exames preventivos do câncer de Colo Uterino (Papanicolau) e realização de ecografias mamárias e mamografias;

– Ações voltadas a Saúde do Homem com foco na prevenção do Câncer de Próstata, realizados durante o Novembro Azul.

Câncer e Covid-19

Uma pessoa com câncer é mais propensa a desenvolver sintomas graves caso seja contaminada pelo Covid-19. Por isso, os órgãos de saúde precisam tomar medidas importantes para a prevenção do contágio.

Conforme a Secretaria Municipal da Saúde, a principal medida é a redução da circulação dessas pessoas consideradas grupo de risco nas unidades de saúde, visto que, estas podem ser um local de alto risco de contágio. Os encontros do grupo para pacientes oncológicos oferecido pela Saúde do município, antes realizados mensalmente, tiveram que ser interrompidos por tempo indeterminado. Porém, ainda é mantida a comunicação remota ou visitas domiciliares quando houver necessidade. Os serviços realizados pela Liga Feminina de Combate ao Câncer seguem acontecendo normalmente, de forma presencial, seguindo todos os protocolos de segurança, todas as terças–feiras à tarde, no auditório do Centro Municipal de Saúde. É solicitado, inclusive, que, sempre que possível, um familiar procure o atendimento ao invés do paciente.

Para aqueles que seguem em tratamento, a SMS segue as recomendações dos órgãos de saúde, como:

– Ter somente um acompanhante, com menos de 60 anos, se possível. Ele não poderá ter sintomas de resfriado ou gripe;

– Manter distância de outras pessoas, mesmo da equipe de saúde;

– Não ficar próximo de outros pacientes;

– Evitar circular pelo hospital;

– Não ficar no local de tratamento por mais tempo do que o necessário;

– Manter as recomendações de prevenção, como lavar as mãos com água e sabão. Na sua ausência, usar álcool em gel. Cobrir nariz e boca com lenço ao tossir ou espirrar – se não for possível, deve usar o antebraço como barreira e não compartilhar objetos pessoais.

“Sabemos que essa situação não está sendo fácil para a maioria de nós, inclusive da dificuldade nas mudanças rotineiras da população, que acabam por afetar também a parte psicológica do paciente de câncer. Mas precisamos ter força e cuidado para seguirmos em frente. Consultas psicológicas e aconselhamento por profissionais de saúde seguem funcionando com prioridade para grupos como estes, sempre tomando os devidos cuidados de higiene e prevenção”, comentaSandra Biova, nutricionista da Vigilância Epidemiológica do município.

Sobre o câncer

O nome “câncer” é atribuído à doenças que envolvem um crescimento e/ou desenvolvimento desordenado de células, que podem invadir órgãos e tecidos importantes do corpo. A tendência deste processo é de se tornar algo agressivo, e quando isso acontece, determina a formação de tumores – diferenciados pelo ponto de partida desta desordem celular.

“De forma mais ampla, podemos dizer que um câncer se inicia quando há uma mutação genética em uma célula específica e que esta recebe ordens errôneas para desenvolver a sua função. Esta célula se multiplica seguindo a mesma função errada – formando os tumores”, diz Allana Frizzo, nutricionista da Vigilância Epidemiológica de Gramado.

Esse processo de formação do câncer é denominado de carcinogênese ou de oncogênese. Geralmente ele acontece de forma lenta e pode ou não apresentar sintomas. Vários efeitos de diferentes agentes cancerígenos são responsáveis por iniciar e progredir o crescimento desse tumor.

“Ainda sobre esses agentes, não existe uma causa específica, mas sabemos que além do fator genético, outros como: tabagismo, obesidade, sedentarismo, uso de drogas, etilismo, exposição solar (radiação) de forma inadequada, dentre outros, aumentam as chances de desenvolvimento de câncer ao longo da vida de um indivíduo”, relata Allana.

As diferenças entre os tipos de câncer são correspondentes ao tipo de célula afetada. Por exemplo: quando esse processo se inicia na pele ou mucosas, são chamados de carcinomas; Quando iniciam nos ossos, músculos ou cartilagens, são chamados de sarcomas; Quando possuem a capacidade de invadir tecidos/órgãos (sejam eles vizinhos ou distantes) chamamos de metástase.

Cada tipo de tumor também se diferencia pela velocidade que as células cancerígenas se multiplicam e crescem.

“A palavra câncer normalmente vem carregada de medo, insegurança e preocupação. Isso porque sabemos que cada indivíduo responde uma maneira, então muitas vezes não temos certeza do futuro, do tratamento, da eficácia, do tempo, das reações. Ouvimos tantas histórias sobre a doença (algumas boas, outras nem tanto), sabemos que os tratamentos geralmente são invasivos e trazem consigo efeitos colaterais desgastantes. Isso torna essa doença diferente. Porque ela mexe com a emoção, com o coração, e ninguém parece estar preparado para lidar com isso tudo junto. Mas bem, talvez a maneira mais fácil e certeira de conseguir lidar com toda essa bagagem que torna o câncer algo difícil, seja a positividade e o amor. Seja a oportunidade de reflexão e a imensa e singular experiência que ela traz consigo”, finaliza Sandra Biava.

Quando iniciar os exames de rotina

Os exames de rotina são fundamentais para o acompanhamento, diagnóstico e tratamento precoce. Abaixo vamos falar dos testes e suas indicações:

Mamografia: recomendada para mulheres sem sintomas na faixa etária dos 50 aos 69 anos (a cada 2 anos). Além disso, manter a atenção sobre o conhecimento do seu corpo e o reconhecimento de alterações suspeitas é importante para buscar o serviço de saúde o mais cedo possível e determinante para um diagnóstico precoce.

Toque retal e PSA: indicado para os homens acima dos 50 anos. Alguns médicos recomendam a realização do toque retal e da dosagem do PSA. Para aqueles com histórico familiar de câncer de próstata (pai ou irmão) antes dos 60 anos, recomenda-se realizar estes exames a partir dos 45 anos. Entretanto, somente o médico pode orientar quanto aos riscos e benefícios da realização destes exames.

Câncer de pele: atualmente não existe um consenso para exames de rastreamento para o câncer de pele. Mas os médicos devem estar alertas para lesões de pele com características malignas durante exames físicos para outros fins e encaminhá-los para biópsia.

Papanicolau (exame citopatológico do colo do útero): deve ser oferecido às mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual. Deve ser feito anualmente. Após 2 exames consecutivos normais, a próxima repetição deve ser feita em 3 anos.

Para esse exame, é importante destacar que a priorização de uma faixa etária não significa a impossibilidade da oferta do exame para as mulheres mais jovens ou mais velhas. Na prática assistencial, a anamnese bem realizada e a escuta atenta para reconhecimento dos fatores de risco envolvidos e do histórico assistencial da mulher são fundamentais para a indicação do exame de rastreamento.

Câncer como uma doença silenciosa

Conforme as nutricionistas Allana e Sandra da Vigilância Epidemiológica, quando a doença é silenciosa, o diagnóstico sempre parece assustador em um primeiro momento. “Quando a notícia vem, grande parte das pessoas precisam de um tempo para assimilar e entender a situação em que se encontram. Mesmo quando se é mais grave ou não. É necessário reservar um tempo para refletir sobre o que realmente importa neste momento e fazer a aceitação do apoio de familiares, amigos, entre outros. Entende-se que este é um momento difícil se tratando de emoções e que pode trazer à tona sentimentos de insegurança, medo, descrença e tristeza. Normalmente o paciente e familiares/acompanhantes precisam de espaço e tempo para absorver as informações, compreender o diagnóstico e as opções de tratamento que são disponíveis para o seu caso. Cada indivíduo tem sua maneira de lidar com essa situação e tentam, de alguma forma, seguir com seus afazeres, hobbies, trabalho, rotina, etc. Ou ainda, encontram novas maneiras de viver, considerando aquilo que mais lhes importam naquele momento.”, afirmam.

As profissionais deram dicas para pacientes e familiares:

– Expresse seus sentimentos;

– Cuide de si mesmo, pense em si mesmo;

– Pratique exercícios, quando possível;

– Aceite auxílio de outras pessoas;

– Foque nas coisas que pode controlar e não naquelas que não dependem de você para mudar;

– Atente-se aos sinais de depressão.

É importante ressaltar que hábitos de vida saudáveis são boas formas de prevenção. Algumas ações são de extrema importância para manter a saúde. Dentre elas, manter uma alimentação saudável e uma rotina de exercícios físicos, além de cuidar da saúde mental (sempre sob supervisão de profissionais de saúde), evitar álcool e cigarro, manter a vacinação em dia, amamentar sempre que possível, manter em dia vacinas de HPV (para as mulheres), realizar os exames de rotina, se atentar a sinais e sintomas do corpo e evitar exposição ao sol sem proteção.

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