REGIÃO – O aquecimento econômico pós-pandemia da Covid-19 refletiu diretamente no setor da construção civil em todo o país e não foi diferente nos municípios aqui da Região das Hortênsias, especialmente em Gramado e Canela. As duas cidades juntas contabilizam um total de 1.824 trabalhadores com carteira assinada neste setor, sendo 1.097 em Gramado e 727 em Canela. 367 estão registrados em Nova Petrópolis e 109 em São Francisco de Paula. Os dados foram divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério da Economia e referem-se aos vínculos formais de trabalho em janeiro deste ano.
O setor, mesmo com o aumento exagerado no custo dos insumos, liderou a geração de emprego em 12 estados brasileiros. Em Gramado e Canela, por conta do turismo, o setor de Serviços, seguido pelo Comércio, foram os que mais movimentaram as estatísticas de emprego, mas a Construção Civil teve fundamental importância na criação de vagas inclusive durante a pandemia de Covid.
Conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), ao observar o desempenho por segmento, o ritmo mais acelerado se concentrou na construção de edifícios. O dinamismo das atividades do setor tem reflexo imediato no mercado de trabalho e os números do Caged confirmam isso. A demanda consistente por imóvel, as baixas taxas de juros, o incremento do crédito imobiliário, o novo significado da casa própria para as famílias e a melhora nas expectativas para a economia são alguns dos fatores que ajudam a explicar o resultado.
E assim como em outros setores da economia, a Construção Civil sofre com a falta de mão de obra e, especialmente, mão de obra qualificada. É comum que empresas busquem compor seus quadros de colaboradores com trabalhadores oriundos de outras cidades, inclusive de outros estados. “Temos muita dificuldade na contratação de pedreiros e serventes, além de outras funções. Não se encontra mão de obra disponível e mão de obra qualificada é ainda mais difícil. Recentemente eu soube de um grupo que teria vindo do Piauí. Não é fácil”, relatou o gerente de um empreendimento em Gramado.
GRAMADO – A cidade é a única na região que registrou uma retração de empregabilidade no setor. Eram 1.119 carteiras assinadas no final de 2020, e fechou 2021 com 1.058. Destes 1.058, 677 estão empregados em construtoras (construção de edifícios), 334 trabalhadores fazem parte da lista de serviços especializados, como trabalhos de demolição, terraplanagem, instalações elétricas e hidráulicas e acabamento, entre outros. E 47 integram o ramo de obras de infraestrutura (obras urbanas).
Ao longo do ano passado, o setor registrou 789 contratações e 850 demissões, fechando o ano com um saldo negativo de -61. Em janeiro deste os números são melhores, foram 89 carteiras assinadas ante 50 encerradas (saldo de +39), elevando o número total de empregados formais no setor para 1.097.
CANELA – No balanço anual, as empresas empregaram mais no ano passado do que no anterior. Em 2020, a cidade fechou o ano com 567 trabalhadores formais, enquanto que em 2021 eram 717. O saldo no ano ficou positivo em +150, resultado de 589 contratações e 439 demissões. Se somar a movimentação de janeiro deste ano, são 727 carteiras assinadas no setor.
Nos subsetores da Construção Civil, 434 atuam diretamente na construção de edifícios, enquanto que 227 prestam serviços especializados e 56 estão no ramo de obras de infraestrutura.
NOVA PETRÓPOLIS – Também houve leve aumento nos vínculos formais. Havia 356 carteiras assinadas em 2020 e subiu para 369 no final do ano passado. Destes 369, 243 estão vinculados em construtoras de edifícios, 118 prestam serviços especializados e 8 em obras de infraestrutura.
SÃO FRANCISCO DE PAULA – Estabilidade define São Chico. A cidade fechou o ano passado com 105 empregados com carteira assinada, enquanto que no ano anterior findou o ano com 107 vínculos. Destes 105, maioria atua na construção de prédios, são 55 profissionais nesta área, enquanto que 25 atuam em serviços especializados e outros 25 em obras de infraestrutura.
DADOS GERAIS – No Brasil, o saldo entre contratações e demissões ficou positivo em 246 mil, elevando o número de trabalhadores formais para um total de 2.308.188. No Rio Grande do Sul as estatísticas também ficaram positivas, com mais admissões que desligamentos. No total do ano, foram 88.044 carteiras assinadas e 82.724 fechamento, deixando o total de vínculos formais no setor em 117.854 trabalhadores.
Texto: Fernando Gusen | [email protected]