“Era uma manhã nublada e fria. As lágrimas e as gotículas de sangue no vestido nunca sairão da memória. A ingenuidade de uma criança é absurda. E o pensamento sórdido daquele homem ia além do desconhecido que uma menina de 8 anos poderia imaginar. Só entendi o porquê quando senti algo me rasgando por dentro, o que ele enfiou em mim que dói tanto? Por que eu? Quando pensei ter acabado, senti meu corpo como se estivesse embalando de trás para frente e ouvia os gemidos daquele homem. Senti muita dor, tive medo e vergonha. E quando cheguei em casa apanhei do meu pai por ter demorado a chegar. Virei refém do medo e da incerteza”.
Estas palavras foram escritas por Terezinha Theodoro, 43 anos, e estarão registradas em um livro onde ela conta em detalhes os frequentes abusos sexuais que sofreu durante sua infância e adolescência e dos assédios na vida adulta.
O relato é uma lembrança amarga do dia 6 de agosto de 1987, quando Terezinha tinha apenas 8 anos de idade e foi estuprada pela primeira vez. Estava frio, a temperatura beirava zero grau e o ataque aconteceu no mato perto de casa. O autor? O próprio tio. “Eu fui entregar leite na cidade e quando eu voltava ele estava me esperando. Eu desci por um carreiro que era usado para cortar caminho. Eu trazia o tarrinho vazio e quando passei por este carreiro me deparei com ele na minha frente. Eu lembro até hoje do barulho do tarro caindo no chão”, descreveu.
Aquela invasão íntima em uma criança inocente foi apenas o primeiro ato. As ameaças do abusador e o medo tornaram Terezinha refém durante anos. “Eu queria contar para alguém, mas ele me ameaçava. Quando me pegou a primeira vez, me disse que ia cortar a garganta do meu pai e que eu seria a culpada. Eu tinha 8 anos, e quando o pai saía eu ficava numa agonia, pensando no que seria da mãe. E durante anos, toda vez que eu via meu pai acreditava que estava vivo por minha causa, por ficar calada”, pondera.
“A questão emocional eu fui guardando pra mim e as feridas no corpo eu tentava curar com banha de porco e com uma planta cicatrizante. As vezes nem tinha curado as feridas de um estupro e ele me pegava de novo e me machucava ainda mais”, relembra.
Terezinha nasceu na cidade de Ametista do Sul, no norte do Estado. A família morava no interior e tinha na produção leiteira boa parte do seu sustento. O tempo foi passando e aquela menina foi crescendo, mas os estupros continuaram. Quando estava com 11 anos, a atitude de um menino na escola pareceu ser uma oportunidade de contar para os pais todo o sofrimento que carregava. Ledo engano. “Ele (o menino) tentou passar a mão em mim e eu contei para a mãe. Em casa ela contou para o pai e eu fiquei esperando para ver o que ele ia dizer, pois conforme a atitude dele eu já ia contar dos estupros do meu tio. Mas então eu ouvi meu pai dizer que ia me levar no fundo do potreiro e me enforcar. Na cabeça dele o menino não teria passado a mão em mim sem que eu tivesse dado confiança e que ele não ia aceitar ter filha vagabunda em casa”, lamenta.
“Eu apanhei bastante por jogar minhas calcinhas fora por estarem sujas de sangue. Tinha vezes que eu sangrava dois ou três dias e não podia contar o motivo porque acreditava que ele ia mesmo cortar a garganta do meu pai”, ressalta.
ACREDITAVA QUE ERA CULPADA – A culpa é um sentimento comum entre as pessoas vítimas de abusos sexuais. “Eu cresci acreditando que eu é que era uma sem vergonha. Eu achava que estava salvando a vida do meu pai, mas depois eu apanhava dele e quando eu queria contar ele achou melhor me enforcar do que me ajudar, então um dia eu disse para o meu tio que ele podia matar meu pai para parar de me pegar. Mas então ele disse que ia pegar minha mãe e fazer a mesma coisa que fazia comigo. Meu Deus, eu não podia imaginar uma coisa dessas”, cita.
Vida nova na capital e a chegada da pequena Luna
Cansada das agressões, das ameaças, de não ter nenhum suporte emocional e nenhum amparo dos pais, um dia, já com 14 anos, Terezinha decidiu dar um basta nos estupros, nem que isso lhe custasse a vida.

“Eu tinha medo que ele matasse meu pai ou estuprasse minha mãe, mas não suportava mais aquilo, então levei uma faca comigo. Quando ele chegou eu disse que nunca mais faria aquilo comigo: ‘chega, ou tu me mata ou eu te mato’. Ele saiu dali e nunca mais tocou em mim”, detalhou.
Alguns meses depois, Terezinha foi embora de Ametista do Sul para morar com a irmã mais velha em Porto Alegre. “Ela me deu o maior apoio. Em algum momento da minha vida cheguei a pensar que a única coisa que eu poderia fazer era me prostituir, que eu não era digna de ter uma família. Minha irmã me estendeu a mão, conseguiu um emprego para mim em Porto Alegre e me ajudou a entender que havia outro caminho. Vejam o que causa um estupro na vida de uma pessoa, e as pessoas julgam sem saber a dor que as vítimas carregam”, salientou.
“Eu queria a ajuda da família, mas para eles o melhor era eu me calar para não envergonha-los. Por eles eu deveria esquecer o que aconteceu, mas ninguém pensa em tudo que sofri durante todo esse tempo. Se me perguntarem, eu não vou saber responder quantas vezes meu tio me pegou”, confessa.
Em Porto Alegre, Terezinha retomou os estudos e fez cursos em diversas áreas. Quando estava com 27 anos conseguiu falar sobre os estupros pela primeira vez com um profissional em psiquiatria. “Fiz o acompanhamento durante um tempo e achei que estava lidando bem com essa situação, consegui assumir um relacionamento e tive minha filha Luna (hoje com 5 anos), com ela eu venci uns 80% desse trauma. Eu queria muito ser mãe. E quando ela nasceu a primeira coisa que pensei foi essa: ele (o tio) não tirou isso de mim”, relata.
Havia uma orientação médica para Terezinha: pelos ferimentos sofridos, ela não poderia ser mãe. “Eu não podia, por conta do útero ter sido todo machucado. Quando engravidei fui encaminhada para uma psicóloga, porque eu iria perder o bebê. Fiz um ultrassom e ela estava bem encaixadinha, tudo certo, e o médico me disse que a medicina não ia explicar como isso era possível e que era para curtir a gravidez”, relembra.
Em 2018, decidiu vir morar em Canela. Hoje, ela continua estudando e buscando qualificação, está na faculdade cursando Serviço Social e enfatiza que a escolha por este curso tem relação com a ajuda profissional que recebeu do serviço social em um momento de profundo desespero.
Assédio do chefe virou processo judicial
Terezinha trabalhava em um mercado e recebeu uma proposta de emprego que lhe permitiria melhor remuneração e mais tempo para ficar com a Luna. No novo emprego, demorou cerca de cinco meses para começar a ser alvo de investidas mal intencionadas do chefe imediato, o que reacendeu os traumas da infância. Ele convidava para sair e articulava meios de conseguir ficar sozinho com Terezinha para tentar um contato íntimo. Foram cerca de 40 dias de assédio.
Em uma das ocasiões, ele conseguiu ficar a sós com ela no escritório. “Eu fingi que estava tudo bem, procurei ficar calma e pedi para ir ao banheiro. Quando saí ele estava no sofá me esperando, a porta estava chaveada, eu consegui abrir e escapar de lá. Me perguntam porque eu não reagi. Qualquer mulher, independentemente da idade, se ela já foi estuprada, ela não vai reagir. Isso é algo que trava a gente. Tu paralisa”, conta.
“Eu achei que conseguiria contornar e que ele ia parar ao ouvir um não, mas quando ele percebeu que ele não ia conseguir nada comigo, aí que eu comecei a sofrer”, disse. “Eu pedi para parar, mas ele continuou”, relembra.
Pensando em cessar com os assédios do chefe imediato, Terezinha relatou os incidentes ao superior dele. “Eu falando o que estava acontecendo e ele nem bola. Eles queriam que eu ficasse em silêncio. Tive que ouvir que eu era uma pessoa muito doce e que o meu não, não convencia”, lamenta. “Não, é não. Não importa a forma, não é preciso agredir o homem para ele perceber que é um não”, opina a advogada, Cintia Lacerda Barbosa Chaves, que defende Terezinha em processos contra o assediador e a empresa.
Na Justiça, foram movidas ações por assédio sexual, assédio moral, causa trabalhista, ameaça e intimidação. “Quando eu liguei para ele, me disse: ‘quem sabe a gente dá um cargo melhor para ela e fica tudo bem, deixa assim’. Ofereceram um cargo melhor, carro e valores a mais para ela ficar em silêncio, tu acredita?”, argumentou Cintia.
DECISÕES FAVORÁVEIS – Foram duas, na primeira e segunda instância. Terezinha conseguiu se afastar da empresa por meio de uma Rescisão Indireta orientada por Cintia. Houve também uma ação por dano moral. “Eu pedi para me demitirem e me deixarem livre, e eles não concederam”. No campo judicial, a rescisão aconteceu, mas ainda falta uma resolução do processo.
“A empresa tem responsabilidade pelo funcionário e eles foram alertados, foram avisados e pensaram: ‘deixa assim’. Eles não acreditaram que pudessem perder a ação, não acreditaram que tínhamos provas robustas para incluir no processo”, observa a advogada. A segunda decisão foi em abril deste ano. A empresa recorreu novamente e o caso agora tramita na justiça federal.
ARQUIVADO – Se os processos contra a empresa seguem para instâncias superiores do Poder Judiciário, o processo movido contra o abusador foi arquivado pela Justiça. Em um vídeo postado nas redes sociais, Terezinha desabafou: “Quando pedi ajuda aos superiores na empresa, pediram para eu ficar quieta e não levar isso adiante. Eu fiz a denúncia e passei a ser ameaçada, disseram que iam me matar conforme o que eu dissesse na audiência, houve tentativa de um atropelamento, com testemunhas. Estavam uniformizados, e mesmo com tudo isso o que você faria se descobrisse que o processo foi arquivado? Então quer dizer que eu fosse estuprada lá dentro da empresa, o problema é meu? Azar o meu? Ele continua trabalhando e recebendo, eu estou desempregada e tenho que ouvir isso? Arquivado? Eu não sei nem quem eu parabenizo por isso. De que ainda lutar, que nojo dessa lei. É revoltante”.
MEDIDA PROTETIVA – Além dos assédios, Terezinha passou a ser perseguida, ameaçada e intimidada, o que levou a pedir uma medida protetiva. “Ele me ameaçou de morte caso eu falasse demais em juízo, então pedimos uma medida protetiva e a justiça concedeu rapidamente. Isso foi em outubro (2021), e uma semana depois de ter a medida protetiva tive que mudar de endereço porque estavam indo na minha casa e ficavam rondando lá. Uma vez tentaram me atropelar na calçada perto de casa”, relatou.
O ex-chefe continua atuando na empresa. De acordo com Terezinha, ao longo deste ano ele chegou a ser transferido para uma unidade em outro estado, mas recentemente retornou a Canela e já foi visto novamente nas redondezas da casa de Terezinha. A medida protetiva vigora por tempo indeterminado.
Amparo do serviço social em Canela
Desgastada com a situação, Terezinha cogitou tirar a própria vida. Isso ocorreu em fevereiro deste ano. “Uma vez fomos visitar uma obra da empresa, lá no Chacrão, eu olhava para o penhasco e pensava em me jogar, mas pensei: o que adianta fazer isso?”, indaga.
“Eu saí de lá sem rumo. Desnorteada. Aí a Janice (Wolff) me encontrou na rua e viu que eu não estava bem. Ela não me conhecia e me ajudou. Eu falei que não aguentava mais o meu chefe pegando no meu pé. Aí ela me levou direto para o CREAS (Centro de Referência Especializado em Assistência Social de Canela) e lá a Micheli Magro (Assistente Social) e a Daniela Manique (Psicóloga) me atenderam. Eu estava muito abalada, fiquei quase duas horas lá e quando saí a Janice ainda estava ali me esperando. Ela deixou tudo para trás por uma pessoa que não conhecia. Foi por causa dela que eu consegui ajuda, se dependesse só de mim eu acho que não teria coragem para ir lá e pedir ajuda, nem para ir na Delegacia fazer a denúncia”, relatou emocionada.
Janice atua como técnica de enfermagem há mais de 20 anos. Ela contou sobre a motivação em ajudar Terezinha. “Naquele dia eu tinha ido lá no Chacrão falar com meu esposo e quando voltava, vi ela indo a pé em direção ao Centro e ofereci carona. Quando entrou vi que estava muito nervosa. Havia algo errado. Então perguntei, ela começou a chorar e contou toda a história. Além dos assédios sexuais também houve assédio moral”, contou.
“O que motivou é que a gente vive em um mundo onde as pessoas deixaram de dar importância umas às outras. E uma das coisas que temos em casa é ajudar sem julgamentos. Ela contou dos abusos na infância, eu também sofri com isso e fui agredida durante 5 anos no primeiro casamento. Nós mulheres temos que nos proteger umas às outras”, salienta Janice.
CASA VITÓRIA – Terezinha também passou a frequentar a Casa Vitória, que acolhe toda mulher vítima de violência. “Eu reparei que algumas mulheres que chegavam lá com manchas no rosto, elas entravam em silêncio e saíam em silêncio. Então um dia falei com a coordenadora e comecei a me manifestar, falar sobre o tema para elas, também passei a usar a rede social com esse intuito de orientação, dando dicas de como fazer a denúncia, onde buscar ajuda”.
“Me perguntam se eu não tenho medo. Claro que eu tenho, mas não posso ficar quietinha, eu já fiz isso por muito tempo, foram oito anos da minha vida sofrendo para curar a dor física e emocional. E agora, depois de adulta, sofrer novamente? Não. Essa realidade precisa mudar. Minha intenção é encorajar outras mulheres a denunciarem. É muito importante quando a gente não se sente sozinha”, frisa.
“Estou recebendo muitas mensagens pela rede social, de mulheres que estão sofrendo. A sociedade precisa entender o estrago que isso faz na vida de uma pessoa”, alerta.
Outro destaque elencado por Terezinha é o trabalho da Brigada Militar por meio da Patrulha Maria da Penha. “Isso é muito importante, nossa! Quando eu vi eles na porta de casa me senti muito bem. Temos um contato de whats com os policiais que fazem a Patrulha, em qualquer lugar e horário que eu precise é só acionar. E além do mais eles vão lá em casa para saber se está tudo bem, se estou sendo perseguida. Para a gente faz muita diferença, é um reforço que nos dá a sensação de segurança”, elogia.
Revelação no Dia das Mães

Depois de tantos anos, Terezinha então contou para os pais que havia sido estuprada, foi no Dia das Mães do ano passado. “Quando eu fui lá (Ametista do Sul) eu contei para meus pais. Minha mãe chorou muito e se culpou por nunca ter percebido. E o pai não me olhou nos olhos, ficou sentado de cabeça baixa e disse que eu deveria ter contado. Eu lembrei do que ele falou sobre me enforcar no fundo do potreiro”, destaca.
Apesar de ter contado sobre os abusos, Terezinha não revelou que o autor era o próprio tio. “Há uns 15 anos, quando eu estive lá, eu falei com meu tio e disse que ainda não revelaria por causa das filhas dele. Ele chorou e disse que não imaginava que eu me tornaria uma mulher tão forte”, revelou. As filhas do abusador têm idades semelhantes à da vítima.
VAI VIRAR LIVRO – Escrever com o objetivo de desabafar e aliviar a carga psicológica. Foi assim que Terezinha começou a escrever suas angústias e esse drama está virando um livro. O trabalho ainda não está concluído. “A Dani ali do Creas me orientou a colocar no papel o que eu sentia, que isso ia me ajudar”, registra. “Eu tenho muita vontade de falar com ele hoje (o tio). De levar o livro e entregar na mão dele”, almeja.
79% das vítimas são crianças e adolescentes
Nos cinco primeiros meses deste ano, o Disque 100 recebeu 7.447 denúncias de estupro em todo país. Destas vítimas, 5.881 são crianças ou adolescentes, o que representa 79% das denúncias que chegam a este canal. Os dados foram divulgados pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Conforme levantamento do Anuário Brasileiro da Segurança Pública, em 2020 aconteceram 14.744 estupros e 43.427 estupros de vulneráveis (crianças e adolescentes), o que representa um total de 58.171 ocorrências. Em 2021, as estatísticas pioraram, sendo registrados 14.921 estupros e 45.994 estupros de vulneráveis (total de 60.915).
No Rio Grande do Sul, também de acordo com o Anuário, houve uma leve queda na soma dos índices. Foram 1.117 estupros em 2020 e 1.095 no ano seguinte, enquanto que as ocorrências onde as vítimas foram vulneráveis registraram 3.156 ataques em 2020 e 3.186 em 2021.
Aqui na região duas ocorrências chamaram a atenção nos últimos dias, ambas em Gramado. Na noite de domingo (3), a Brigada Militar foi acionada para atender ocorrência de estupro no bairro Jardim. No local, os policiais encontraram um homem de 54 anos que teria estuprado uma menina de 11 anos. Ele estava ferido e teria trancado ela num quarto e cometido o ato sexual. Populares revoltados tentaram linchar o homem, que foi preso e levado para o Presídio Estadual de Canela.
Na sexta-feira (1º), no Lago Negro, um homem de 49 anos caracterizado de pirata foi detido sob acusação de ter molestado pelo menos seis crianças de 11 e 12 anos de uma excursão de Porto Alegre. Ele estava passando a mão nas crianças enquanto posava para fotos. As professoras que acompanhavam o grupo acionaram a Brigada Militar, que prendeu o acusado em flagrante.
—> ONDE BUSCAR AJUDA <—
-Brigada Militar: 190
-Corpo de Bombeiros: 193
-Delegacia de Canela: 3282.1212
-Delegacia de Gramado: 3286.2300
-Conselho Tutelar Gramado: 99977.1973
-Conselho Tutelar Canela: 98133.0820
-CREAS Canela: 99157.1681 -CREAS Gramado: 3286-0838
TEXTO: Fernando Gusen | [email protected]












Fernando,
Muito obrigada pelo apoio…
Sem muitas palavras . Só reverências.
Li a historia da Terezinha e fiquei comovida . Convencí ela o poucos días e posso dizer que ela e uma pessoa muito especial, e peso a Deus que a abencoe e ilumine todos os día a de sua vida.
Muito obrigada pelo carinho.
É maravilhosa a sensação de não estar só.😍