REGIÃO –As ações do 2º Pelotão do Comando Ambiental da Brigada Militar (Patram), resultaram na abordagem de 1.475 pessoas durante o ano passado, 76 pessoas foram detidas e a polícia ambiental foi requisitada para verificar 414 denúncias. Estes dados integram as estatísticas do trabalho da Patram, que foram expostos nesta quarta-feira (10), pelo comandante do órgão, 1º tenente Marco Antônio Ritter, e pelo 2º sargento Daniel Pereira da Luz, durante entrevista ao programa Manhã com Informação da Rádio Integração Digital.
O 2º Pelotão tem sede em Canela, mas sua área de abrangência envolve 14 cidades da região: Canela, Gramado, Nova Petrópolis, Picada Café, Santa Maria do Herval, São Francisco de Paula, Cambará do Sul, Jaquirana, Três Coroas, Igrejinha, Taquara, Parobé, Rolante e Riozinho.

Além das operações de rotina para impedir a caça e a pesca irregular, a Patram realiza trabalhos especializados de fiscalização preventiva com foco na fauna, flora, mineração e poluição. “Durante o ano passado, fizemos 40 trabalhos especializados. Tivemos que nos adequar por causa da pandemia, mas continuamos trabalhando. Apesar da pandemia, o crime não recua”, comentou Ritter.
Em 2020, o Pelotão atendeu 414 denúncias/chamados, confeccionou 171 boletins de ocorrência, abordou 1.475 pessoas, fiscalizou 270 veículos e efetuou 76 prisões por crime ambiental.Os números tiveram um aumento em relação ao ano anterior, quando 363 chamados foram atendidos, 114 boletins confeccionados, 1.053 pessoas abordadas, 155 veículos fiscalizados e 62 prisões.
Nas ocorrências contra a fauna, 37 casos estavam relacionados à caça ilegal e 15 ligados a pesca, 34 envolviam maus tratos a animais, 23 a animais em cativeiro e66 abigeatos(furto e roubo de gado para abate). Foi possível salvar 22 animais.
Contra a flora foram registradas 164 ocorrências, sendo seis entre exploração ilegal de madeira e lenha, três queimadas, 51 cortes de árvore, 44 atividades sem licença ambiental, duas construções, dois poços artesianos e cinco loteamentos, todos irregulares, além de uma área de 105 hectares de terras degradadas.A mineração ilegal e a poluição tiveram oito e 43 ocorrências, respectivamente.
Todas as ações da Patram em 2020 resultaram em 494 apreensões, sendo 398 de munições de armas de fogo, 17 armas, 19 motoserras, seis tarrafas, cinco gaiolas, três armadilhas, duas embarcações, uma bóia louca, 40 metros de espinhel, 1.014 metros de rede, 60 gramas de maconha, 30 quilos de carne bovina, 26 quilos de carne de animais silvestres, 16 quilos de peixes mortos, 42 peixes vivos e 41 animais (entre domésticos e silvestres) vivos e um morto.
O comandante explicou também que as pessoas envolvidas em atos ilícitos respondem processos judiciais na esfera penal, civil e administrativa.
EFETIVO DEFASADO – De acordo com o tenente Ritter, o 2º Pelotão Ambiental está atuando com cerca de 50% do efetivo necessário para atender toda a demanda regional. “A Brigada está com baixa no efetivo em todo estado. Ficamos dois, três anos sem formação. Isto não é de agora, vem de longa data e acaba causando essa defasagem”, disse. “São diversos fatores de Estado que acabaram criando esta situação no efetivo. A Brigada como um todo trabalha com 50% do efetivo ideal”, complementou o sargento Pereira.
A sede do 2º Pelotão Ambiental da Brigada Militar fica situada na rua José Corrêa de Oliveira Pinto, na estrada do Laje de Pedra. Denúncias de crimes ambientais podem ser realizadas por meio doscontatos(54) 3282-8547 e (54) 3282-8560.
Cinco pessoas detidas durante a Piracema
Durante o período da Piracema (reprodução dos peixes) de 1º de novembro a 31 de janeiro, o 2º Pelotão Ambiental prendeu cinco pessoas que utilizavam material proibido para pescar como redes e linhas de espera. A proibição vale para toda bacia do Rio Uruguai (RS e SC).

Das cinco prisões, quatro pescavam na barragem do Salto e um no Divisa. Durante o período da piracema, os peixes nadam rio acima, contra a correnteza, para aumentar a produção de hormônios para procriação da espécie. Depois os peixes novamente descem o rio. Este processo é extremamente importante para a reprodução e por isso a pesca é proibida nesta época.
Das três barragens (Divisa, Blang e Salto), onde mais acontecem atos ilícitos é na barragem do Blang. “Estatisticamente é a que mais ocorre. O Blang, em extensão territorial, é a maior delas. As pessoas acham que naquela localidade elas estão ‘mais a vontade’ e acabam cometendo crimes como a caça e pesca ilegal”, disse Pereira.
A Patram explica que, de acordo com a instrução normativa nº 197, é permitidopescar durante estes 90 diasde piracema utilizando apenas um aparelho por pessoa (molinete, linha de mão, carretilha). Ritter enfatizou que as pessoas que praticam a pesca devem procurar a Patram em busca de orientações, pois existem normas e restrições para cada região.
ENTREVISTA
A entrevista com o comandante da Patram, Marco Antônio Rittere o sargento Daniel Pereira da Luz, podem ser ouvidas na íntegra no site do Integração (www.leiafacil.com.br/podcast), ou na página do jornal no Facebook.
Texto: Leonardo Santos