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Dia do Professor: a árdua missão de preparar e formar cidadãos

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Abençoados com o dom de ensinar e determinados a conduzir, preparar e formar cidadãos, os professores são as principais engrenagens da sociedade. Eles são os responsáveis por apresentar norte, sul, leste e oeste para todas as mentes que procuram a sabedoria por meio das creches, escolas e universidades. No dia 15 de outubro é comemorado o Dia do Professor e, para homenagear a classe, o Jornal Integração recolheu vivências e histórias de duas docentes que fizeram a carreira em Canela e promovem projetos diferenciados com os alunos.

“Ser professora era um sonho de infância”

Quem conta essa história é a professora MerciKurschner, graduada em Licenciatura em História e educadora na Escola Estadual de Educação Básica Neusa Mari Pacheco e na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dante Bertoluci. Ela carregava este encanto por lecionar desde a infância e, mesmo depois de se afastar deste objetivo, a vida acabou jogando a jovem sonhadora para perto do que queria.

Ser professora era um sonho de infância. Um dia, manifestei essa vontade a uma mestra e ela me respondeu: ‘você é muito inteligente para ser professora, escolhe outra profissão’. Concluí o Ensino Fundamental, cursei o Ensino Médio e entrei para a Universidade e aquele sonho de criança foi ficando meio encoberto pelos novos desafios, mas nunca esquecido. Em 1999 prestei concurso para a Prefeitura, o cargo era para secretária de escola. Em março daquele ano assumi a vaga e a vida praticamente me empurrou bem para perto daquele sonho acalentado desde a infância. Fiz novo vestibular e em agosto do mesmo ano já estava cursando Licenciatura em História, em 2003 concluí essa graduação, em 2005 fiz concurso para o magistério público estadual e em 2006 para o municipal. Comecei a trabalhar como professora ainda em 2006 no município Canela e em 2007 no estado”, relatou.

Nos dois educandários, Merci já promoveu diversos programas de grande porte que fazem com que os alunos ‘saiam da caixa’. Ela destacou dois. O primeiro, denominado de Encontro das Águas, averiguava os arroios que desaguam no Caracol. Segundo ela, grande parte das nascentes ficam na zona urbana de Canela. A atividade foi promovida com alunos da Escola Neusa Mari Pacheco, onde a docente presta serviços desde 2007.

“Realizamos um mapeamento e estudo da micro-bacia do arroio Canelinha. Foi um trabalho muito gratificante, interagimos com a comunidade. Alguns nem sabiam que aquele valão canalizado sob a avenida Cônego João Marchesi era o arroio Canelinha, muito menos que desaguava no Caracol, já outros moradores relataram que no passado lavavam roupas, tomavam banho e até consumiam as suas águas. A conclusão particular a que cheguei, é que conhecer é o primeiro passo para respeitar, amar, modificar e melhorar”, ressaltou. 

O segundo, chamado de Empreendedorismo e Sustentabilidade na Escola, foi iniciado em 2019 com os alunos de 6º a 9º ano da Escola Dante Bertoluci. A atividade ocorre no terreno do educandário e são trabalhados conceitos como emprego, renda, produção, empreendedorismo, distribuição, cidadania e consumo.

“Nesse projeto, recuperamos uma área degradada que está sendo transformada em um horto agrícola multicultural, onde cultivamos vegetais originários da contribuição indígena, africana, européia e asiática. Essa estrutura é utilizada para aprendermos sobre a sedentarização humana iniciada por volta de dez mil anos antes de Cristo, sobre a dispersão humana pelo Planeta e também sobre a Globalização, que é um processo muito presente na atualidade. Sem a atividade agrícola decorrente de eventos que aconteceram ainda na Pré-História não seria possível alimentar sete bilhões de indivíduos, que em sua maioria vivem em centros urbanos”, explanou.

Com este projeto, os alunos conseguem gerar renda por meio do ajardinamento de mudas ornamentais que, posteriormente, podem ser comercializadas. De acordo com Merci, o dinheiro é utilizado para as festividades das turmas com a intenção de evitar que os pais gastem dinheiro, além de gerar valores para a escola. “O coroamento desse segmento será o ajardinamento de toda a rua da Escola, quem passar por lá poderá verificar que o plantio de mudas ornamentais do lado de fora do pátio já começou.O projeto como um todo tem uma receptividade enorme junto aos alunos. Alguns gostam porque já vivenciam o trabalho com a terra, pois aprenderam com o avô, o pai ou tio e há famílias que têm sítios. Já para outros é uma experiência totalmente nova tocar a terra com as mãos, colher os frutos que logo adiante servirão de alimento, observar os pequenos animais que vivem junto aos plantios e perceber que a natureza tem seu ritmo próprio, o qual pode ser alterado pela maravilhosa engenhosidade do ser humano, mas que isso pode acarretar problemas e exigir novas soluções”, destacou ela.

Para ela, a profissão, além de um trabalho, é uma missão. “Só tem coisas boas, as coisas ruins vêm na imensa maioria das vezes, ou da vontade política, ou da má vontade de pessoas envolvidas. É o meu trabalho, de onde retiro meu sustento, mas é também uma missão: o Homem só continuará existindo como ‘Ser Humano’ se continuar a aprender e a aperfeiçoar o conhecimento”, ponderou.

Da prática na Colônia para as aulas

Docente Laci é responsável por desenvolver oficinas socioambientais, visando à sustentabilidade

Natural do Morro Calçado, zona rural, a professora Laci Gross demonstrava interesse pela profissão desde a infância. Ela conta que, desde muito nova cultivava encantamento por ensinar e aprender, agindo com responsabilidade e cuidado com a localidade que estava inserida. “Sou neta de agricultores e sempre tive curiosidade em aprender, interagir e compreender como a natureza funciona. Eu chorava profundamente quando via um animal ser abatido (cultura + sustentabilidade) no sítio. A propriedade do meu avô era totalmente sustentável. Hoje compreendo bem esse conceito. Tínhamos tudo e com qualidade. Tudo vinha da terra e éramos felizes”, explicou.

Com seis anos de idade, a pequena Laci se mudou para a cidade, onde iniciou a primeira série e descobriu o aprendizado científico. De acordo com ela, nunca abandonou o empírico e continuou passando os finais de semana e as férias na colônia, de onde carrega muitas lembranças. O desafio do Magistério foi iniciado aos 14 anos na Escola Estadual Danton Corrêa e, concomitantemente ao término do curso, com 16 anos, a educadora ingressou na Prefeitura de Canela e começou a lecionar na extinta Escola Catulo da Paixão Cearense, na Linha Chapadão, até pedir transferência para a cidade. Atualmente a professora tem 52 anos e é formada em Ciências Biológicas, cursa Pós-graduação em Gestão Ambiental e Neurociência Aplicada à Educação.

“Tive ótimos modelos de profissionais de educação. Professores apaixonados, éticos e responsáveis. Das disciplinas do currículo do curso, a que mais me desafiava era Didática de Ciências. Nessa disciplina tínhamos que criar metodologias e estratégias que dessem significado ao conteúdo de Ciências. Ali nasceu minha inquietação em estar presa em uma sala de aula quando o conteúdo pede Vida”, expressou ela.

Com os alunos, de 1º a 5º ano, das Escolas Municipais de Educação Infantil e Ensino Fundamental Barão do Rio Branco e Cônego João Marchesi, ela é responsável por desenvolver oficinas socioambientais, visando à sustentabilidade, gerindo os resíduos, promovendo hortas e trabalhos no jardim, além das atividades teóricas referentes às atitudes de um bom cidadão em relação ao meio ambiente. Laci destaca que o projeto que mais rendeu frutos e aprendizados, ministrado por ela, foi realizado na Escola Municipal Balduino Boelter, por meio do programa Agenda Ambiental. As atividades, segundo a docente, inspiraram diversas escolas do Estado. “O que mais me acrescentou como profissional e aprendiz foi o Agenda Ambiental implantado pela Fundação Moã Estudos, Pesquisas para a Proteção e o Desenvolvimento Ambiental nas escolas municipais. Nesse período lecionava na Balduino Boelter (zona rural). Naquela escola desenvolvemos um sub-programa, denominado Eco Rural, que atingiu grandes proporções nos gestores de escolas rurais de vários municípios do estado, nos quais a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul – FETAG-RS foi multiplicadora levando uma nova diretriz de educação para o meio rural. O objetivo desse sub-programa era buscar a capacitação do estudante para a gestão sustentável da propriedade rural. Neste meio tempo sempre carregava na memória a propriedade do meu avô). Foram anos de muito aprendizado convivendo com pessoas da zona rural consistentemente dotadas de sabedoria advinda da observação da natureza”, ressaltou.

Questionada sobre as responsabilidades, atribuições e lado prazeroso de exercer a profissão, ela salientou a paixão pelas aulas, a convivência com os alunos e a importância de ser praticante de suas teorias e demonstrar proatividade. “Segundo o dicionário, professor é aquele que professa uma crença. Analisando tudo nos mínimos detalhes, é exatamente esse o significado. Impossível ser um professor sem, literalmente “perseguir” uma determinada crença. Elegemos uma área e nela nos debruçamos com responsabilidade e, no meu caso, com muita paixão. Sou apaixonada pela área das ciências naturais.  Precisamos fazer com que nossos alunos entendam nosso lugar de humanidade para determinarmos nossa sobrevivência no mundo natural respeitando tudo ao nosso redor.Todas as aulas que planejo e executo são com esse objetivo, sensibilizar para a consciência ecológica, para a consciência de mundo e de existência proativa e responsável. O papel vai além do ensinar, passa pela responsabilidade de ser exemplo, de ser praticante das suas teorias e, principalmente, demonstrar proatividade. A melhor parte da profissão é ter a oportunidade de conviver diariamente com a magia do aprender, com as descobertas e do empoderamento dos seres humanos através do conhecimento científico aliado ao empírico”, finalizou.

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