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Cuidados devem ser mantidos mesmo após vacinação

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REGIÃO – O médico infectologista Mateus BenattiGondolfo, integrante da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital de Caridade de Canela (HCC), reforça a obrigação das pessoas em utilizarem máscaras, seja em vias públicas ou em ambientes fechados. Além disso, orienta os modelos adequados, manuseio e higienização.

Um dos principais destaques é a necessidade de manutenção dos cuidados básicos mesmo após receber as duas doses da imunização. Ele ainda faz referência para quem for praticar exercícios físicos e faz um alerta às pessoas que já foram imunizadas para continuarem os protocolos de distanciamento e as proteções necessárias.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está com uma nova recomendação sobre a maneira de usar as máscaras, justamente pelo aparecimento das variantes do coronavírus, que têm um poder maior de transmissão.

Jornal Integração: Comodeve ser o manejo da máscara e qual o tempo máximo de utilização de cada uma?

Mateus BenattiGondolfo–Conformea Organização Mundial de Saúde (OMS)o primeiro passo sempre deve ser higienizar as mãos.Ao colocar a máscara deve-se ter o cuidado de cobrir totalmente a boca e o nariz, apertando firme sobre o nariz para minimizar quaisquer espaços entre as bordas da máscara e o rosto. Após devidamente colocada, é necessário evitar ao máximo tocar na máscara. Se acaso tocar, é recomendado hogienizar novamente as mãos imediatamente. Para retirar a máscara, retire pela lateral, tocando apenas nos elásticos que seguram sobre as orelhas. Não toque nas demais partes da máscara e sempre faça a limpeza das mãos.

Com relação ao tempo de uso, não há uma definição padronizada a seguir, mas muitos serviços seguem orientações semelhantes: no caso de máscaras cirúrgicas, tempo máximo de 4 horas é recomendado. No caso de máscaras N95/PFF2 ou PFF3, ou mesmo máscaras de tecido, o tempo pode ser estendido para uma semana. Nesse caso, a máscara deve ser guardada em saco de papel e em local específico, com identificação para evitar o uso por outra pessoa. Em todos os casos, se houver sujeira ou secreção visível ou a máscara estiver umedecida, deve ser descartada imediatamente. Com exceção das máscaras de tecido, sob nenhum circunstância as máscaras devem ser lavadas.

O uso da máscara por um longo período durante o dia pode prejudicar a respiração?

O uso prolongado pode ser bastante desconfortável e trazer alguns incômodos, como dificuldade de se comunicar, coceira ou dor de cabeça. Entretanto, não há nenhuma evidência que aponte à saúde respiratória, muito pelo contrário. Um estudo com adultos saudáveis e idosos com doença pulmonar obstrutiva crônica observou que o uso de máscara não trouxe nenhuma diferença na saturação de oxigênio ou na retenção de gás carbônico (CO2) nesses grupos quando estavam com ou sem máscara por determinado período de tempo. Isso significa que, não importa se você tem ou não doença pulmonar, usar máscara por um tempo prolongado não parece trazer prejuízos para a respiração.

Quando a pessoa não está em casa e necessita retirar a máscara, como por exemplo ir até um restaurante ou ao dentista, como deve ser o manejo e o local apropriado para guardá-la?

A retirada da máscara deve ser realizada somente quando for muito necessário, pois sempre há um risco de tocar em uma parte contaminada da máscara. Nos casos em que for necessário, deve-se seguir as orientações citadas acima, tocando apenas nos elásticos que as seguram ao rosto, fazendo movimentos de trás para frente e sempre evitando ao máximo tocar na própria máscara. Após, sempre limpe as mãos com álcool ou água com sabão.

Qual a diferença e a eficácia entre máscaras de tecidos, cirúrgicas e a N95? Tem algum prazo de validade a ser seguido?

A Covid-19 é uma doença transmitida pelo ar por gotículas de saliva. Isso significa que o vírus encontra-se no centro de pequenas gotas de saliva que ficam suspensas no ar. As máscaras funcionam como uma barreira mecânica contra essas gotículas, impedindo-a de passar pelos pequenos orifícios por onde passa o ar. O espaço por onde o ar passar é muito menor do que o tamanho do vírus, passando apenas ar, enquanto as gotículas que contêm o vírus ficam retidas no tecido da máscara. Quanto ao tipo de máscara, elas igualmente eficazes na filtração dessas gotículas. As máscaras de tecido são comprovadamente eficazes na proteção contra a transmissão do coronavírus, mas não há uma padronização de sua confecção. Deve-se optar por máscaras com camadas duplas e tramas fechadas, tornando-as assim igualmente eficazes às máscaras cirúrgicas.

Quanto menor a distância entre as pessoas, maior o risco de contaminação

É importante reforçar que o risco de transmissão aumenta quanto menor a distância entre duas ou mais pessoas e quanto maior a velocidade do ar expelido, como nos casos de tosse, espirro ou respirações ofegantes, como durante exercícios físicos. O prazo de validade deve ser respeitado conforme as orientações do fabricante, porém,a partir do primeiro uso da máscara, essa deve ser descartada se houver sujeira visível ou estiver molhada ou excessivamente úmida.

Qual a melhor forma de higienizar estas máscaras?

Máscaras de tecido podem ser higienizadas normalmente, com água e sabão ou produtos convencionais de limpeza de roupa, não havendo a necessidade de nenhum tipo de produto especial. Máscaras cirúrgicas e N95/PFF2 ou PFF3 não devem ser lavadas sob hipótese alguma.

O que dizer das máscaras feitas em acrílico?

Existem modelos de protetores faciais de acrílico que são indicados para situações muito específicas, como nos procedimentos geradores de aerossóis, que ocorrem no ambiente de saúde (hospitais, clínicas odontológicas, entre outros locais). Mesmo nessas situações, o uso de protetores faciais deve ser obrigatoriamente acompanhado de uma máscara cirúrgica ou N95/PFF2 ou PFF3. O uso isolado de protetor facial, sem uma máscara adicional, é comprovadamente ineficaz para proteção. A explicação é bem clara: o espaço entre o rosto e o acrílico é grande e o fluxo de ar gerado com uma tosse ou um espirro é elevado, fazendo com que gotículas consigam escapar por esses espaços e dispersar pelo ambiente.

Para atividades físicas, existe algum modelo específico de máscara?

Como não há uma padronização e fiscalização sobre a confecção dessas máscaras, não há uma máscara específica para a prática de esportes que garanta segurança. Recomendo que essas práticas sejam realizadas em espaço amplo e aberto. O uso de máscaras de tecidos com nanopartículas de prata biogênicas mostraram-se eficaz na inativação de diversos vírus, podendo ser uma opção.

Fonte: ufla.br

Usar duas máscaras ao mesmo tempo ajuda?

Em fevereiro de 2021, preocupados com a disseminação de novas variantes do SARS-CoV-2 com um potencial de transmissão maior, a agência de saúde americana CDC (semelhante a Anvisano Brasil) trouxe novas orientações sobre o uso de duas máscaras com objetivo de reduzir o risco de transmissão. Essas orientações foram baseadas em experimentos conduzidos pela agência de saúde que demonstrou que o uso de máscara de tecido sobre a máscara cirúrgica reduziu 84% das partículas de saliva emitidas pela tosse. O experimento também mostrou que o uso de máscara cirúrgica com a técnica de fazer um nó na parte proximal do elástico e dobrar internamente as laterais, mantendo a máscara mais junta ao rosto, bloqueia em torno de 77% das partículas de saliva. Nesse mesmo estudo, o uso de máscara cirúrgica e de máscara de tecidos isoladas bloqueou 56% e 51% das partículas de saliva respectivamente.

A máscara pode prevenir outras doenças?

O uso de máscara para a proteção contra doenças infecciosas transmitidas pelo ar é uma prática muito antiga, sendo mais reconhecido seu uso desde o início do século 20 com máscaras de tecido. Entretanto desde o século 14 existem evidências de protetores faciais para a proteção de inúmeras doenças nas quais acreditavam ser transmitidas pelo ar. Na sociedade contemporânea, essa prática antecede há muitos anos a atual pandemia, já sendo utilizada de forma mais comum por sociedades orientais. A Anvisa recomenda o uso de máscaras cirúrgicas como forma de prevenção para meningites bacterianas, coqueluche, difteria, caxumba, influenza e rubéola, além de Covid-19.

Se uma pessoa sem máscara estiver contaminada e espirrar, qual a probabilidade de transmitir o vírus para quem estiver com a proteção?

Não é possível mensurar a probabilidade de transmissão nesse cenário. Alguns estudos, entretanto, corroboram ao concluir que o uso de máscaras pela população em geral ou em situações domésticas reduz o risco de transmissão. Um estudo publicado pelo Jama, um renomado jornal americano de publicação de artigos científicos na área médica, reúne alguns dos principais estudos sobre o tema e demonstra que em regiões onde já havia políticas públicas restritivas e de mitigação da Covid-19, após o início de políticas públicas orientando o uso coletivo de máscara, a taxa de novos casos reduziu em mais de 70%.

Com o andamento da vacinação, muitas pessoas já receberam a segunda dose. Os cuidados com a proteção devem continuar da mesma forma que anterior à imunização?

Mesmo após receber a segunda dose da vacina, é necessário seguir mantendo as mesmas medidas de prevenção contra a Covid-19: usar máscaras, manter distanciamento e higienizar as mãos. A vacina tem como objetivo principal, e eficácia comprovada, reduzir as formas graves da Covid-19, mas ainda existe o risco de contaminação e, consequentemente, de transmissão. Isso significa que mesmo após tomada a vacina, ainda existe o risco de pegar Covid-19, mas em uma forma muito mais leve, sem necessidade de internar em hospitais. Mas, uma vez com Covid-19, mesmo leve, existe o risco de transmissão.

Existe algum público específico que não é necessário utilizar máscara?

Todas as pessoas podem e devem utilizar. É um bem individual e uma responsabilidade social. O uso de máscaras, assim como a vacinação, não é apenas uma forma de proteção individual. É uma obrigação moral e social, pois somente assim chegaremos ao fim da pandemia. Somente assim o mundo poderá voltar a respirar.

Texto: Tiago Manique – [email protected]

Foto: Arquivo Pessoal

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