Coluna publicada no dia 29/08.
A política é uma faca de dois gumes. Às vezes transforma vidas, grupos, instituições inteiras. Outras vezes corrói relações, sonhos e projetos. O exemplo recente do Grêmio mostra isso de forma clara. Marcelo Marques, empresário dono da Marquespan, parecia ter energia, visão e condições de disputar a presidência do clube. Durante dois meses, se apresentou como pré-candidato. Na quarta-feira, anunciou que não seria mais candidato. A decisão era irreversível, disse ele. E ficou claro em suas entrevistas: a política dentro do clube se tornou um peso insuportável.
Interesses acima do coletivo
As notícias que circularam depois mostravam o motivo: troca de favores, pessoas buscando cargos, interesses pessoais acima do coletivo. Isso não é novidade. A política partidária não é diferente. Muitos se engajam não para servir, mas para se beneficiar. A diferença é que a política de clube é mais direta e visível, porque envolve paixão, torcida. Marcelo Marques, alguém que nunca tinha feito política, se viu em meio a um jogo de interesses, alianças e estratégias que não estava nos seus planos.
O choque com a realidade
O episódio assustou muita gente. Torcedores, jornalistas, pessoas próximas. Fabiano Baldasso, jornalista identificado com o Inter, afirmou que a política de clube é pior que a política partidária. Faz sentido. No clube, cada decisão é observada, cada gesto interpretado, cada movimento público. O empresário, acostumado ao sucesso fora da política, viu como é corrosiva a pressão dentro de um ambiente político intenso. A pergunta que fica: como alguém tão preparado se deixa abater pela política?
Política é do dia a dia
Todos nós fazemos política, todos os dias. No trabalho, na família, na empresa, no condomínio, até no clube que torcemos. Política é negociar, convencer, conciliar interesses. Mas quando se transforma em troca de favores e busca de interesse próprio, deixa de ser ferramenta e vira maldição. Marcelo percebeu isso. Ele entendeu que muitos ao redor não queriam construir algo junto, mas se aproveitar dele ou do cargo que poderia ocupar.
A política como oportunidade
A política também pode ser uma bênção. Permite transformar instituições, organizar processos, melhorar vidas. Um presidente com visão empresarial e capacidade de gestão poderia fazer isso no Grêmio. A linha entre bênção e maldição é tênue e depende das pessoas e do ambiente. Marcelo voltou atrás. Na sexta-feira, disse que a situação não era irreversível, que o torcedor decidiria se ele seria presidente. O que parecia fechado se abriu de novo.
Escolhas e riscos
A política não se controla totalmente. É feita de pressões, escolhas e riscos. A volta de Marcelo mostra que ela também oferece segunda chance. Mas entrar de novo significa enfrentar ambiente hostil, expectativas e adversários silenciosos. Não existe política pura. Sempre há interesses. Sempre há o risco de se tornar escravo do cargo ou da visibilidade. O caso dele mostra que até os mais preparados podem ser desanimados, mas também que há espaço para impacto real, transformação e mudança.
Intensidade da política
A política é intensa, direta, próxima das pessoas. Cada torcedor é um fiscal, cada eleitor um crítico, cada rival um adversário. Mesmo assim, é a ferramenta que permite mudanças, organização e relevância. É um jogo de riscos e recompensas. É a escolha entre se deixar corromper ou manter-se fiel a um projeto maior. Marcelo sentiu os dois lados: desistiu, voltou atrás, percebeu a pressão do torcedor, da imprensa e do contexto.
Reflexão
Não há transformação sem política, nem política sem risco. Cada decisão, cada apoio, cada oposição pode se tornar determinante. A política reflete o melhor ou o pior da vida. Pode abrir caminhos ou fechar portas. Pode servir e transformar ou corroer projetos e sonhos. O caso do Marcelo Marques é um exemplo visível de algo que acontece em todos os níveis. Quando bem conduzida, a política é uma bênção. Quando mal-conduzida, uma maldição.