REGIÃO – Estudo técnico aponta a Estrada do Juá como a alternativa mais econômica, rápida e com menor impacto ambiental. Traçado prevê ligação entre a Rota do Sol e a ERS-235, em Canela, com acesso ao futuro aeroporto.
A escolha do caminho pela Estrada do Juá, com conexão à ERS-235, em Canela, foi fundamentada em critérios técnicos, econômicos e ambientais. O estudo de viabilidade foi apresentado na terça-feira (20), em Caxias do Sul, pelo Governo do Estado que comparou três alternativas para ligar a Rota do Sol à Região das Hortênsias e ao futuro Aeroporto Regional da Serra Gaúcha, em Vila Oliva, e concluiu que o trajeto pelo Juá oferece as melhores condições de custo, tempo de deslocamento e preservação ambiental.
O investimento estimado para a alternativa escolhida é de R$ 288 milhões, valor significativamente inferior ao das outras duas opções avaliadas. O percurso por Tunas Baixa foi orçado em R$ 499 milhões, enquanto o traçado por Tunas Altas alcançou R$ 517 milhões. Assim, a opção pelo Juá representa uma economia de R$ 211 milhões em relação à primeira alternativa e de R$ 229 milhões em comparação com a segunda.
Menos tempo na estrada
A diferença também aparece no tempo de viagem. Conforme a tabela comparativa do estudo, o deslocamento a partir da Rota do Sol até o mesmo ponto de chegada, em Canela, foi estimado em 72 minutos pelo Juá. Pelas alternativas de Tunas Baixa e Tunas Altas, o tempo seria de 104 e 98 minutos, respectivamente.
A partir do aeroporto, a estimativa é de 71 minutos pela alternativa do Juá, contra 88 minutos por Tunas Baixa e 83 minutos por Tunas Altas.
O anteprojeto trouxe melhorias adicionais ao traçado escolhido. Com levantamentos topográficos detalhados e sondagens, foi possível ampliar curvas e elevar a velocidade de projeto. A previsão passou a ser de 47 minutos entre a Rota do Sol e a Estrada do Caracol, em Canela, e de 48 minutos no percurso entre o aeroporto e esse mesmo ponto. A velocidade de projeto chega a 80 km/h, com redução nos trechos de serra.
Menos pontes e menor impacto ambiental
Outro fator determinante foi a complexidade das obras. As alternativas por Tunas Baixa e Tunas Altas exigiriam grandes estruturas para atravessar o vale do Rio Caí. O estudo prevê, respectivamente, 1.260 metros e 1.180 metros de pontes, incluindo estruturas de até 1.080 metros de extensão e 182 metros de altura.
Pelo Juá, a extensão total prevista de pontes é de 360 metros, distribuídos em três estruturas menores, sendo a maior com 160 metros. A solução reduz a necessidade de obras de grande porte e evita a travessia das encostas florestadas do vale do Rio Caí.
No aspecto ambiental, a alternativa escolhida prevê a supressão de nove hectares de mata nativa. Para comparação, a estimativa é de 24 hectares em Tunas Baixa e 27 hectares em Tunas Altas. O anteprojeto também prevê 49 passagens de fauna, medidas destinadas a reduzir os impactos da rodovia sobre os animais silvestres.
Rodovia mais segura
O estudo destaca ainda as condições precárias de parte do caminho existente na região do Juá. Atualmente, são aproximadamente 51 quilômetros de estrada, mais da metade sem pavimentação, com pista de apenas 3,3 a 4,3 metros de largura e sem acostamento. Cerca de 22 quilômetros foram pavimentados pelos municípios, mas não contam com estrutura completa de rodovia.
O projeto prevê uma pista pavimentada de 12,2 metros de largura, com duas faixas de tráfego e acostamentos dos dois lados. A proposta busca oferecer melhores condições de segurança e velocidade para o transporte de passageiros, turistas e cargas.
Estudo aponta retorno econômico
Além do menor custo de implantação, a análise econômica concluiu que a alternativa do Juá é a única das três que apresenta benefícios superiores ao investimento. O estudo estima retorno anual de 16,9%, acima da taxa de referência de 9,14%, e calcula R$ 1,63 em benefícios para cada R$ 1 investido.
Segundo o documento, a conta considera não apenas a economia de tempo e de custos de viagem, mas também efeitos indiretos, como produção, valorização imobiliária e geração de empregos.
O estudo de viabilidade foi aceito pelo DAER em setembro de 2026, e a fase preliminar do anteprojeto também recebeu aprovação. A entrega do anteprojeto está prevista para novembro. Depois, serão necessários o licenciamento ambiental, o projeto executivo e os procedimentos de contratação. O prazo estimado para execução da obra é de 36 meses.
A ligação é considerada estratégica para Canela, Gramado, São Francisco de Paula e os demais municípios da Região das Hortênsias, ao estabelecer um acesso rodoviário ao futuro aeroporto e ampliar as possibilidades de deslocamento de visitantes e transporte de cargas.









