CANELA – A Tribuna do Povo da sessão de segunda-feira (19) da Câmara de Vereadores de Canela foi marcada pelo apelo de Sirlei Souza, de 57 anos. Em um relato emocionado, ela pediu ajuda para garantir a continuidade dos tratamentos da filha, de 22 anos, que, segundo afirmou, ficou “acamada” após uma cirurgia realizada há quatro anos.
Sirlei relatou que a filha entrou caminhando no hospital para realizar uma cirurgia de apendicite, mas voltou para casa acamada. Ela atribui o quadro a uma suposta negligência hospitalar e a um excesso de anestésico durante o procedimento. Segundo seu relato, o caso está na Justiça.
Desde então, a rotina da família passou a ser dedicada aos cuidados da jovem, que depende de outras pessoas para atividades básicas, como tomar banho e beber água. Sirlei afirma que não consegue trabalhar porque precisa acompanhar a filha e que o marido também enfrenta problemas de saúde.
De acordo com ela, o marido, que aguardava na fila para um transplante de fígado, conseguiu um doador cerca de um mês depois do ocorrido com a filha. No entanto, ele também tem problemas cardíacos e não pode trabalhar, o que agrava a situação financeira da família.
O tratamento preocupa a mãe
Um dos principais motivos que levaram Sirlei à tribuna foi a possibilidade de redução das sessões de fisioterapia da filha. Segundo ela, a jovem recebia atendimento duas vezes por semana, mas foi informada de que, em razão de cortes de despesas na área da saúde, passaria a contar com apenas uma sessão semanal.
A mãe também afirmou que aguarda há oito meses consultas com neurologista e fonoaudiólogo, atendimentos que considera necessários para a continuidade do tratamento.
“Minha filha não pode ficar sem fisioterapia. Estou há oito meses esperando o neurologista e a fonoaudióloga. Eu preciso que alguém olhe para a situação dela e me garanta que o tratamento vai continuar”, pediu Sirlei aos vereadores.
Falta de alimentos e promessas de ajuda
Além das dificuldades relacionadas à saúde da filha, Sirlei expôs a situação de vulnerabilidade financeira em que vive. Segundo contou, está com impostos atrasados e enfrenta dificuldades até mesmo para colocar alimentos na mesa.
Ela relatou que, na semana anterior, uma assistente social esteve em sua residência e levou alguns alimentos, entre eles arroz, feijão e café. Durante a visita, conforme Sirlei, a profissional pediu para olhar o armário da casa, e ela mostrou o que tinha disponível.
O episódio foi relatado na tribuna como demonstração da gravidade da situação enfrentada pela família. Sirlei afirmou que não tem condições de trabalhar e que os recursos disponíveis são insuficientes para atender às necessidades domésticas e aos cuidados permanentes da filha.
A moradora também manifestou indignação com as promessas de auxílio que, segundo ela, recebeu ao longo dos últimos quatro anos e que não teriam se concretizado. Durante sua manifestação, afirmou possuir gravações de áudio de pessoas que estavam na sessão e que lhe teriam prometido ajuda.
“Tenho os áudios gravados no meu celular de pessoas que me prometeram mundos e fundos. Eu cansei de ouvir promessas. Estou aqui porque preciso de ajuda de verdade”, declarou.
Apelo por atendimento e apoio
Ao encerrar sua manifestação, Sirlei pediu que os vereadores e as autoridades responsáveis ajudem a garantir a continuidade da fisioterapia duas vezes por semana, além do atendimento com neurologista e fonoaudiólogo.
Ela afirmou estar no limite do cansaço físico e emocional, após anos dedicados aos cuidados da filha e diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela família.
O relato feito na Tribuna do Povo coloca em evidência a situação de uma família que, além de conviver com as consequências de um grave problema de saúde, enfrenta dificuldades para obter os atendimentos necessários e garantir condições básicas de sobrevivência.









