Desde a edição online do Jornal Integração de quinta-feira (11), iniciamos a publicação de um editorial, opinião do jornal sobre os mais diversos assuntos da aldeia, leia-se, Gramado e Canela. Temas pertinentes e que mereçam uma reflexão apurada, ao estilo do de hoje, que acabaste de ler
Copa do Mundo
Começou mais uma Copa do Mundo, a maior de todas e que mais tempo vai durar até acabar lá no dia 19 de julho, mas não tem mais a mesma emoção, o mesmo apoio popular que já teve no passado, quando os grandes craques atuavam nela. Hoje temos que nos contentar com o Neymar, que é só um nome praticamente, e jogadores que a gente nunca viu por que vão embora do Brasil muito cedo, quando ainda são praticamente crianças. Mas é o que temos para o momento. E para nós de Gramado e Canela, tem pelo menos o adicional de termos um dos craques envolvidos, que é natural e enfim, conhecido ali em Canela, que é o Ibañes. Então, estamos juntos, boa Copa para você. Enfim, é o que temos, pelo menos vamos, para quem gosta de futebol, ter alguma coisa na TV para olhar.
Mundo a Vapor foto mundo a vapor
O Parque Mundo a Vapor, de Canela, anuncia mudanças em sua estrutura de gestão com foco no fortalecimento das áreas estratégicas do empreendimento. A executiva Manoela Scott assume a gerência comercial do parque, passando a atuar ao lado da gerente de marketing e eventos, Amanda Ribeiro. A movimentação reforça a integração entre as áreas comercial e de marketing. Com isso, Bruna Boch retorna ao cargo de gerente financeira do Mundo a Vapor. Na foto: da esquerda para direita – Amanda Ribeiro, Manoela Scott e Bruna Boch).
Quem fiscaliza a Corsan?
Concordo com os argumentos apresentados pelo presidente da Câmara de Gramado, Neri do Nascimento, ao decidir não levar adiante a CPI da Corsan. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito tem custos, exige tempo, estrutura técnica e uma equipe preparada para analisar contratos complexos, planilhas, legislação e dados operacionais. E, convenhamos, uma Câmara de Vereadores de município turístico como Gramado não dispõe dessa estrutura especializada.
Pizza – ria
Também é verdade que muitas vezes uma CPI acaba chegando às mesmas conclusões que outros órgãos de fiscalização já poderiam alcançar com mais rapidez e competência técnica, e na maioria das vezes, termina em pizza. Ria de uma situação destas!
Fiscalização
O problema é justamente este: até aqui, a população não percebe uma atuação efetiva nem da Prefeitura, como poder concedente e fiscalizador local, nem do Ministério Público, cuja função constitucional inclui a defesa dos interesses coletivos.
Quem paga? Você!
Enquanto isso, os relatos continuam chegando. Contas de água e esgoto que triplicaram de valor. Consumidores recebendo três ou quatro faturas muito acima da média histórica. Água barrenta saindo das torneiras por dias seguidos. Famílias obrigadas a pagar por um serviço que reconhecidamente não foi prestado dentro do padrão mínimo de qualidade.
Aja paciência
A maioria da população compreende que há circunstâncias extraordinárias, obras, intervenções na rede e dificuldades operacionais. O que não compreende é a ausência de medidas compensatórias. Se a Corsan sabe quais regiões serão afetadas, por que não disponibilizar caminhões-pipa em pontos estratégicos para abastecimento das necessidades básicas? Por que não permitir o descarte prévio da água imprópria antes dos hidrômetros, evitando que o consumidor pague por uma água que sequer pode utilizar para beber, cozinhar ou lavar roupas e ainda por cima estraga equipamentos como máquinas de lavar, entope filtros e deixa resíduos nas caixas que custa caro limpar.
Obrigação
Se os vereadores entendem, corretamente, que não possuem estrutura para aprofundar uma investigação dessa magnitude, alguém precisa assumir esse papel. E esse alguém é o Ministério Público e a própria Prefeitura, que têm instrumentos legais mais robustos para exigir esclarecimentos, responsabilizações e soluções concretas.
Pavão
A comunidade não quer espetáculo político. Quer respeito. Quer água limpa. Quer contas justas. E quer a certeza de que existe alguém fiscalizando de verdade quem presta um serviço essencial à vida.
Entre anúncios e a realidade
Sobre os recursos destinados à reforma do centro cirúrgico e à implantação do serviço de hemodiálise no Hospital São Miguel, cada parte tem a sua versão. A Prefeitura apresenta suas explicações, o Ministério Público tem as suas ponderações e, provavelmente, ambos tenham razões jurídicas e técnicas que justifiquem os caminhos adotados.
Mas existe uma verdade que não pode ser ignorada: faz tempo. Muito tempo.
Há anos a comunidade ouve anúncios sobre a chegada da hemodiálise a Gramado. Prefeito, secretários e autoridades repetidamente informam que o serviço está próximo de se tornar realidade. E a reforma do centro cirúrgico segue o mesmo roteiro: recursos anunciados, projetos apresentados, adequações exigidas, novas etapas burocráticas e, ao final, mais espera.
Pode ser que todas essas demoras sejam plenamente justificáveis. Afinal, existem licitações, exigências da Vigilância Sanitária, aprovações técnicas, pareceres jurídicos e a necessidade de cumprir rigorosamente a legislação. Tudo isso é importante. O problema é que a burocracia tem um relógio diferente daquele de quem está doente.
Para quem depende de hemodiálise, o tempo não passa em gabinetes. Passa dentro de ambulâncias e vans, em deslocamentos cansativos para outras cidades, em horas perdidas na estrada e no desgaste físico e emocional imposto pela doença. Para essas pessoas e suas famílias, cada mês de atraso tem peso muito maior do que qualquer justificativa administrativa.
Talvez fosse mais prudente que determinadas notícias fossem divulgadas somente quando a concretização estivesse realmente próxima. Não para esconder informações da população, mas para evitar a criação de expectativas que acabam sendo adiadas sucessivamente. Entre anunciar e entregar existe uma distância enorme. E quem mais sofre com essa diferença é justamente quem aguarda pelo serviço.
Só falta o enterro
A comunidade da Várzea Grande recebeu com choque a notícia do fechamento da unidade dos Correios. Mas talvez mais chocante do que isso seja admitir que os Correios, como instituição nacional, vivem uma falência que parece irreversível.
Só falta o enterro. Morto, para muitos brasileiros, o serviço já está.
São muitos anos de má gestão, de incapacidade de modernização e de perda constante de relevância. Enquanto o mundo mudou, a empresa parece ter parado no tempo. Não criou novos serviços capazes de gerar receitas compatíveis com sua estrutura, não inovou na velocidade exigida pelo mercado e perdeu espaço para empresas privadas que compreenderam a importância da eficiência, da tecnologia e do atendimento.
E a conta dessa decadência, mais uma vez, acaba sendo paga pelo cidadão comum, especialmente aquele que mora mais longe dos grandes centros e depende dos serviços públicos para resolver questões simples do cotidiano. E conta é dupla, uma vez pela falta do atendimento e a segunda com o bolso. Até o fim, isso vai custar dezenas, ou até centenas, de bilhões aos cidadãos. O governo passado tinha tudo encaminhado para repassar à iniciativa privada, mas a petezada olhou e viu que a companhia estava com a as contas em dia e achou que fosse mágica. Agora, a cada trimestre são alguns bilhões que se acumulam em dívidas.









