CANELA/GRAMADO – Uma tempestade de grandes proporçõesatingiu cidades gaúchas entre a noite de terça-feira (16) e a madrugada de quarta-feira (17), incluindo Canela e Gramado, resultando em uma tragédia para várias famílias locais. A tempestade, que começou por volta das 23h, provocou a destruição de casas, destelhamentos, derrubou árvores e postes, comprometeu o abastecimento de água potável e afetou estabelecimentos comerciais.
Além das destruições de grande impacto, a tempestade também causou obstrução de vias e danos às ornamentações natalinas nas cidades. A população foi surpreendida pela força dos ventos e pela intensidade das chuvas, que deixaram um rastro de destruição.
“A morte é que não teria solução”, relata moradora
A tempestade foi sinônimo de perda para algumas famílias canelenses. Uma destas foi a de Paloma Pimentel, moradora do bairro São Rafael, em Canela. Paloma, 24 anos, o marido Diego Souza, de 26, e a filha Anastácia, de 4 anos, estavam dormindo quando a casa começou a ruir após a queda de uma árvore sobre a residência.

“Acordamos com barulhos muito altos de trovões e rajadas de vento, seguido de um estouro muito forte. Esse estouro foram as três árvores que caíram sobre a nossa casa. O telhado foi derrubado, a cozinha foi para baixo do assoalho, o quarto da minha filha foi destruído”, conta ela.
A reportagem visitou o local na tarde de quarta (17), onde parentes de Paloma estavam presentes, ajudando na retirada dos escombros e na limpeza das áreas acessíveis. O terreno possui mais duas casas, que não foram comprometidas.
A residência foi atingida onde estava localizada a cozinha, partindo e deslocando a casa para a frente. O único cômodo que não foi afetado diretamente era o quarto onde a família estava dormindo.
“Estávamos todos dormindo e, graças à Deus, o quarto foi o local menos atingido, não aconteceu nada no cômodo. O restante da casa foi abaixo, infelizmente.O que segurou para que o quarto onde estávamos não fosse atingido foi um móvel da sala”, descreveu.
Eles moravam na residência há mais de dez anos e solicitam ajuda da comunidade para se reerguer. Enquanto trabalham na reconstrução, eles ficarão na avó de Diego. Apesar da grande perda, Paloma comemorou que a família não se feriu.
“Vamos ficar na avó do meu esposo até reconstruirmos. Vai ter que ser do zero. Realmente precisaríamos da ajuda de doações de materiais, alimentos ou algum valor. Só conseguimos salvar algumas roupas. Qualquer ajuda será bem vinda, estávamos acostumados a ter nosso cantinho, mas Deus sabe o que faz e nossa vida foi preservada”, sublinhou.
Outra residência afetada foi a de Laurita Santos, 54 anos, localizada no bairro Santa Marta. Assim como no caso de Paloma, a casa de Laurita foi atingida pela queda de uma árvore, um eucalipto que estava no pátio ao lado da residência. O Corpo de Bombeiros fez o corte e a retirada da árvore.

“Eu estava na porta, tenho medo de ventos fortes. Eu tava cuidando o poste, com medo que caísse, mas só escutei o barulho do eucalipto e caiu tudo”, relata.
No momento do incidente, Laurita e seu filho Joelson, de 13 anos, estavam acordados. Por pouco, o rapaz não foi atingido em cheio pela árvore que caiu sobre a casa.“Não pegou em mim, mas pegou no Joelson, caiu perto da cama, mas graças a Deus foi de raspão. Desde o que aconteceu estamos acordados, estamos catando nossos documentos e tentando resolver”, comentou.
A casa de Laurita terá que ser demolida, mas ela conta com o apoio dos vizinhos para reconstruir o lar. Mesmo diante da perda de bens materiais, Laurita valoriza a oportunidade de estar viva e agradece por isso.Ela e o filho ficarão na casa da nora durante o processo de reconstrução. A Prefeitura foi até o local para tiras medições para fornecer materiais e ajudar a família.
“Eu fico feliz de estarmos vivos. Perdemos o anel, mas não a mão. Já pensou se eu perco meu filho? Eu morro junto. A gente da um jeito nos bens materiais, a morte é que não teria solução”, desabafou.
Dona Laurita lembrou que, em diversas oportunidades, procurou a liberação com a Prefeitura para que o eucalipto fosse removido, mas o caso era “empurrado com a barriga”. “As coisas têm que acontecer para que as autoridades façam alguma coisa”, cobrou.
Silvester Fagundes, morador da Linha Araripe, também teve a casa destruída. O único cômodo que sobrou foi quarto onde estava quando um eucalipto caiu sobre a moradia. Fagundes mora com as filhas, que não estavam em casa durante a tempestade. Eles estão alojados em casas de familiares.
Em 19 de outubro de 2014, a irmã de Silvester, Priscila Grade, faleceu quando uma araucária caiu sobre a casa onde morava com a família, no bairro Jardim.
COMO AJUDAR? – Paloma e a família precisam da doação de alimentos, móveis e eletrodomésticos. Ainda, uma campanha arrecada valores para a compra de materiais para a reconstrução da casa. A doação pode ser feita por meio do link (www.vakinha.com.br/4389785?utm_campaign=whatsapp&utm_medium=website&utm_content=4389785&utm_source=social-shares) ou no pix041.264.270-07.
Para ajudar dona Laurita, os interessados podem fazer doações de roupas (M e G) e calçados (35 e 38), materiais de construção, eletrodomésticos, móveis e alimentos. O contato pode ser feito por meio do telefone (54) 9.9998-5936, com Denise.
Prefeituras trabalham para ajudar famílias atingidas
Em Canela,a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros mobilizaram-se para ajudar os afetados pela tempestade. Mais de 70 residências foram danificadas, exigindo uma resposta rápida e coordenada das autoridades. Equipes de resgate trabalharam para garantir a segurança da população e prestar assistência emergencial às famílias.
Conforme informou João Silveira, chefe da Defesa Civil, as localidades mais atingidas foram o Santa Marte e a Vila Dante, onde 11 pessoas foram retiradas de casa e estão abrigadas no Centro Social Padre Franco. A Prefeitura adquiriu três mil telhas para ajudar na reconstrução e das casas.
Para solicitar o repasse de telhas os cidadãos devem procurar a sede da Secretaria de Assistência Social (Rua Augusto Pestana/N° 455) ou os CRAS – Centros de Referência em Assistência Social dos bairros Santa Marta (Rua da República/Nº134) e Canelinha (Av. Cônego João Marchesi/Nº 420). “É necessário fazer um cadastro para os nossos técnicos elaborarem um laudo referente ao que foi danificado na casa. E se os moradores puderem apresentar fotos dos estragos, isso vai ajudar no processo”, informa João Silveira.
Ainda, 3 mil metros de lonas foram distribuídas para mais de 100 famílias.
A Prefeitura informou que está prestando auxílio para três famílias que tiveram as casas destruídas. São duas no bairro Santa Marta, incluindo a de Laurita, e no bairro Leodoro de Azevedo. “Quem puder ajudar com doações de móveis e utensílios domésticos pode fazer contato diretamente com a Secretaria”, ressalta Pacheco. Mais informações pelos telefones (54) 3282-5140 – Assistência Social ou (54) 9.9135-1949 – Defesa Civil.
Por conta das fortes chuvas que atingiram o município, a Prefeitura declarou situação de emergência. O decreto autoriza todos os órgãos municipais para atuarem sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, nas ações de resposta ao desastre, reabilitação do cenário e reconstrução.
Autoriza-se também a convocação de voluntários para reforçar as ações de resposta ao desastre e realização de campanhas de arrecadação de recursos junto à comunidade, com o objetivo de facilitar as ações de assistência à população afetada pelo desastre, sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil.
Em Gramado, o Hospital Arcanjo São Miguel sofreu danos no bloco cirúrgico, destelhado parcialmente, de acordo com a Prefeitura. Os pacientes internados foram realocados para outras alas. Ainda, a Casa de Saúde teve o abastecimento de água comprometido.
Gramado ainda contabilizou 40 destelhamentos, falta de energia, aproximadamente 60 chamados de corte de árvores em via pública e área particular, quedas de postes e alguns itens de decoração de Natal. Uma residência no bairro Moura foi evacuada por conta de danos estruturais.
A única via que estava bloqueada até ontem (18) era na Linha 28, liberada pela Prefeitura às 13h30.










