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“Estou vivendo de verdade”, diz empresário que ficou internado por 80 dias com Covid-19

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Por Leonardo Santos – [email protected],br

CANELA/GRAMADO – Marcelo Trentin Haubert, 45 anos, venceu a Covid-19 e encontrou uma nova forma de viver. Seja no trabalho, compromissos ou viagens, o sorriso está estampado no rosto do homem que passou 80 dias internado no Hospital de Caridade de Canela (HCC), no início de 2021, e travou uma das maiores batalhas contra a doença que vitimou pessoas em Canela e Gramado.

Neste domingo (8), completará um ano que Trentin recebeu alta hospitalar. Com 40 quilos a menos, uma úlcera, sem sustentação nas pernas e impossibilitado de caminhar, além de outras sequelas impostas pela doença. Aquele sábado ensolarado vai ser lembrado pelo carinho, alívio e comemoração da mãe Jeni Haubert, da esposa Fabiane Pistorello, dos filhos Matias, Lorenzo e Heitor, e equipe do HCC, que acompanharam Marcelo até o fim daquela jornada. 

Durante o período, ele sofreu com duas paradas cardíacas, insuficiência renal aguda, infecção generalizada, três intubações e uma traqueostomia. Marcelo foi internado após sentir um mal-estar e ser submetido a uma tomografia, revelando que 50% do pulmão já estava comprometido. Antes de ser contaminado, elemantinha uma alimentação regrada, não possuía vícios ou comorbidades e fazia exercícios físicos diariamente.

 “Eu vi gente morrendo, no ápice não tinha lugar. Eu só ouvia os médicos dizerem: Traz mais um saco de óbito. Pedi muito a Deus que eu não morresse daquela forma, sem ver ninguém, sem me despedir dos meus filhos. Eu ainda não tenho a noção certa do que passei”, relembrou. 

Como está o Marcelão?

A reportagem do Jornal Integração visitou a residência da família no bairro Carazal, em Gramado, na manhã de quarta-feira (4). 360 dias após sair do quarto 311 do HCC, Marcelão, como é carinhosamente chamado pelos mais próximos, celebra a família, amigos e a lição que tirou da situação que quase ceifou sua vida. Ao lado da esposa Fabiane, com quem está há 18 anos, ele destaca que todos os amigos e conhecidos que acompanharam a evolução também vêem a vida de forma diferente.

“A vida é bem diferente agora, estou vivendo de verdade, fazendo o que o médico mandou fazer. Não se liga mais para dinheiro, até precisamos trabalhar, não por ele, mas pela correria, pelo prazer dos negócios, ver os amigos. Agora [quarta-feira, dia 4], por exemplo, estou saindo para Farroupilha encontrar uns amigos. Ontem [terça-feira, dia 3]  eu estava lá em Sapucaia, passeando. A minha vida é um passeio, sem nenhum inimigo”, destacou. 

Atualmente, quase 100%, Marcelo divide a rotina do serviço ao tratamento para recuperação da voz e da perna direita, que acabou sofrendo uma grande perda de massa muscular, ficando desproporcional em relação à perna esquerda.

“Consegui porque tenho do meu lado uma mulher que não existe. Ela teve toda a paciência e carinho, foi minha mulher, amiga e enfermeira. Fez meus curativos, não teve nojo nenhum, cuidou de mim da melhor forma possível. Foi uma coisa que nos uniu mais do que nunca. Ela foi incrível, se existe amor, de alma mesmo, é o dessa mulher. Superamos juntos, sozinho não conseguiria”, pontuou.

A volta para casa

De volta ao lar, o gramadense se viu repleto de força e boas energias para retomar a vida, mas a batalha ainda não havia acabado. Marcelo demorou cerca de três meses para conseguir se locomover sem a cadeira de rodas ou com a ajuda da família, dando os primeiros passos para voltar a caminhar. Mas, somente após seis meses, que andar se tornou rotina novamente. A úlcera desenvolvida no hospital, devido a ter ficado muitas horas na mesma posição, também demorou cerca de meio ano para ser curada.

“Quando eu vim para casa tive que aprender a fazer tudo de novo. Como seu eu fosse uma criança que nasceu. Tive que aprender a comer, andar, ficar de pé. Meu filho me carregava para ir comer, tomar um banho. Eu fazia tudo sentado”, descreveu.

Trentin compartilhou que pensou em desistir, por conta da dor que sentia e do trabalho que dava para a família nos primeiros meses. Aliada a estes sentimentos, a sensação de impotência tomou conta de Marcelo. Ele que sempre manteve uma vida ativa e independente, enxergou-se no fundo do poço. A retomada do ânimo ocorreu em um episódio que quase ‘matou’ a esposa Fabiane do coração. Marcelo pediu para ser levado até o veículo da família, uma Nissan Frontier, para sair de dentro de casa e tentar ligá-la. A missão deu certo, mas Fabiane não contava que o marido sairia dirigindo a camionete.

“Eu sempre fui um cara muito ativo, sempre trabalhando, viajando e de uma hora para a outra fiquei daquela forma. Cheguei nela e falei: não consigo mais. Não é por má vontade, mas eu estou me entregando, vou te pedir para me deixar morrer. Prontamente, ela disse: Não! Tu não vai morrer, chegamos até aqui. Nadamos o oceano e não vamos morrer na praia. Não sei de onde ela tirou força, mas, mais uma vez ela pegou na minha mão e me tirou de dentro casa, eu estava enlouquecendo. Pedi para ela me levar até a nossa camionete, para ver se eu conseguiria ligar. Me levou, eu liguei, fechei o vidro, engatei a marcha e fui até na estrada. Foi a mesma coisa que me dar uma injeção de adrenalina. Naquele momento eu disse: vou ficar bem, sim!”, relatou.

“Quando voltou, ele freou na frente de casae já abriu o vidro sorrindo. Eu só falei: Tu me mata!”, completou Fabiane.

Volta ao trabalho e pagamento de uma promessa

Arquivo Pessoal – Marcelo no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro

O casal é proprietário da D´Gramado Carnes, empresa voltada a distribuição de carnes. Apesar da ansiedade para o retorno ao trabalho, o empresário só voltou a ativa há cinco meses, colecionando sustos em Fabiane e na família pela teimosia.

“Trabalhava que nem um “cavalo” (antes de ter o Covid), a caixa de carnes tem mais de 20 quilos. Eu botava duas nas costas e ia. Paleteava traseira de boi com 120 quilos nas costas. Mas no retorno ao trabalho não tinha como. Mas eu dizia que conseguiria e a Fabiane não deixava. Quando ela saia da câmara fria e ia fazer nota no escritório, eu botava nas minhas costas e vinha. Se puxava, não tinha essa de não conseguir. Fui me recuperando assim”, contou ele, acrescentando que alguns tombos também fizeram parte da retomada.

No começo do último mês, a família visitou o Rio de Janeiro, para quitar uma promessa feita por Marcelo após receber alta do Hospital de Caridade de Canela (HCC): visitar o Cristo Redentor para fazer um agradecimento pela recuperação. De acordo com Fabiane, a promessa ocorreu quando o marido ficou sabendo que ela havia passado o seu aniversário na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acompanhando ele.

“Ele acordou e, com o passar do tempo, foi assimilando as coisas. Quando ficou sabendo que passei o meu aniversário na UTI com ele sedado e entubado, me prometeu que o próximo nós faríamos uma viagem para o Rio e iríamos até o Cristo para agradecer. Ele fez a promessa depois de sair do hospital”, comentou.

“Que lugar é o Rio de Janeiro. Quando cheguei lá, me lembrei de tudo. Fiquei uns 20 minutos só olhando para ele”, finalizou Marcelo.

Outra promessa que o casal promete cumprir é a caminhada até a Nossa Senhora do Caravaggio, bairro Saiqui, em Canela, em uma das Romarias de Caravaggio.

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