CANELA – O curta-metragem “Fuá – o Sonho”, fruto da colaboração entre o coletivo de mulheres da comunidade Kaingang Kógunh Mág e produtores não-indígenas, surge como uma oportunidade para dar voz à ancestralidade e à resistência cultural.
O enredo, concebido em parceria com a antropóloga Elisa de Castro e Kujà Gah, líder espiritual da etnia Kaingang, segue uma menina Kaingang em sua jornada para encontrar uma planta sagrada, revelada em seus sonhos. Este conto não apenas encanta, mas também resgata a profunda conexão das mulheres Kaingang com as plantas alimentícias e medicinais, refletindo a visão intrínseca de que estas plantas nutrem não apenas o corpo, mas também a alma.
Para Viviane Farias, diretora do curta e integrante da etnia Kaingang, este projeto é mais do que um filme; é uma oportunidade de dar voz às suas crenças e honrar a força da ancestralidade. O processo de criação, permeado pelo aprendizado mútuo e pela celebração da diversidade, promete ser uma expressão autêntica da identidade e cultura Kaingang, onde a realidade e a ficção se entrelaçam em uma narrativa poderosa.
No entanto, a realização deste projeto também é um ato de resistência contra os fatores que têm enfraquecido a conexão ancestral, como a cosmofobia, manifestada no medo do sagrado e na demonização dos Kujàs (pajés). Ao documentar, reconhecer e celebrar os conhecimentos ancestrais Kaingang, o curta-metragem busca preservar e fortalecer uma tradição valiosa, resistindo às influências que ameaçam a riqueza espiritual e medicinal deste povo.
Além disso, as gravações não se limitaram apenas a Canela; também aconteceram na Retomada Gãh Ré, no Morro Santana, em Porto Alegre, evidenciando a colaboração e a abrangência deste projeto cinematográfico.
Com a aprovação na lei Paulo Gustavo, o curta-metragem “Fuá – o Sonho” não apenas ganha vida, mas também ecoa como um testemunho da coragem feminina em preservar uma cultura e dar voz a narrativas há tanto tempo silenciadas.











