Economia

Viabilidade de porto marítimo no Litoral Norte é debatida em audiência

Maioria das lideranças presentes ao encontro apoia a ideia de terminal em Torres
08 de maio de 2019 às 10:29
Foto: Mateus Raugst, ALRS/ Divulgação

Mais de 250 pessoas lotaram o auditório da Ulbra, em Torres, na noite de segunda-feira (6), durante a audiência pública sobre o projeto de construção de um porto marítimo no Litoral Norte. Idealizador do projeto, o engenheiro e ex-deputado federal Fernando Carrion destacou que é preciso elevar os investimentos em infraestrutura no Brasil.

De acordo com o ex-parlamentar, é necessário construir mais 10 embarcadouros no país. "O Terminal de Uso Privativo (TUP) de Torres será moderno, sustentável e eficiente, a exemplo do Porto de Itapoá", definiu. Para ele, um litoral de 620 km, como o do Rio Grande do Sul, não pode ter apenas um porto. Carrion explicou ainda que, de acordo com o projeto, o porto terá capacidade de escoar a produção do polo metalmecânico de Caxias do Sul, do moveleiro de Bento Gonçalves e da produção gaúcha de soja.

Ruben Bisi, representante do Movimento Mobilização por Caxias (MobiCaxias), explicou que o Porto de Torres terá um investimento privado de cerca de R$1,2 bilhão para sua construção, sendo que deste valor o poder público poderá pedir contrapartidas em infraestrutura e meio ambiente. A proposta prevê 10 anos para execução e implementação do embarcadouro. Para ele, é necessário pensar o futuro. "Não estamos falando da demanda de carga atual, mas precisamos pensar em quando o porto estiver pronto. Por isso, estamos buscando um terminal de águas profundas que seja capaz de atender aos grandes navios que estão chegando à costa brasileira e que não atracam nem em Rio Grande, nem em Santa Catarina", defendeu.

Desenvolvimento da região

Proponente do debate na Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo da Assembleia Legislativa, o deputado Gabriel Souza (MDB) entende que o projeto poderá servir para o desenvolvimento econômico social e ambiental da região. "Sonho em um dia ver cruzeiros marítimos com turistas desembarcando na nossa orla, cargas saindo daqui para qualquer lugar do mundo. Sonho em ver o Litoral se desenvolver muito mais do que se desenvolve hoje em virtude da falta, muitas vezes, de investimento privado que tanto buscamos", pontuou.

O presidente da comissão, Tiago Simon, reforçou que todos têm consciência da questão da preservação ambiental, porém são perceptíveis as dificuldades dos empreendedores do Rio Grande do Sul. "Santa Catarina tem 400 km de litoral e possui cinco terminais. Ou seja, não tem sentido não termos um novo porto aqui, com investimento privado, respeitando todas as regras", ressaltou.

O prefeito de Torres, Carlos Souza, afirmou que, além de emprego e renda para a população, é necessário preservar o maior patrimônio de Torres: o ambiental. "Os órgãos ambientais serão fundamentais no projeto. No entanto, enquanto gestor municipal, preciso buscar soluções para a crise", disse.

O senador Luis Carlos Heinze lembrou que empresários gaúchos estão deixando o estado por falta de infraestrutura e que é preciso construir soluções e saídas para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. O senador destacou que a Marinha brasileira já fez um estudo da costa e que deverá apresentar o resultado no andamento do projeto. "Desde 1955, a Marinha não aportava nenhuma equipe no Sul. Com este trabalho teremos dados técnicos sobre a viabilidade do terminal. Este projeto só será viável com a concordância do Ibama, Fepam e Ministério Público", frisou.

Voz contrária

Em contrapartida, o superintendente dos Portos do Rio Grande do Sul, Fernando Estima, afirmou que não há carência de estrutura portuária no estado, que atualmente tem 12 terminais. "Tecnicamente, o Rio Grande do Sul não precisaria fazer um investimento na costa porque, na prática, não temos demanda para tanto", apontou. Para ele, as críticas existentes são por conta de fatores externos ao porto, como as rodovias, hidrovias e pedágios.





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