Política

Unidas, três categorias protestam no Legislativo

Manifesto desencadeou uma série de críticas aos governos de Jair Bolsonaro e Daniel Guerra
15 de maio de 2019 às 09:39
Foto: Gabriela Bento Alves, Divulgação

As galerias da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul ficaram lotadas, na sessão de ontem (14) pelas mais de 200 pessoas, entre artistas, desportistas e estudantes, que foram assistir ao manifesto das lideranças das três categorias. Elas foram demonstrar repúdio contra medidas adotadas pelos governos do presidente Jair Bolsonaro/PSL e do prefeito Daniel Guerra/PRB. As manifestações geraram uma série de críticas da oposição aos dois governos.

O presidente do Clube de Corredores de Rua de Caxias do Sul, Marialdo Rodrigues, abordou a suposta extinção da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer (Smel) e incorporação da estrutura, por meio de departamento, à pasta da Educação. “Cada paciente que entra no Postão gasta com consulta, raios-x ou exame de laboratório muito mais do que se gastaria para trocar uma lâmpada do Parque dos Macaquinhos, onde as pessoas poderiam estar se exercitando”, comparou.

ARTISTAS E ESTUDANTES

Contra a suposta extinção também da Secretaria Municipal de Cultura a declaração de repúdio veio da presidente do Conselho Municipal de Política Cultural, Magali Quadros. Ela se manifestou contra o corte de orçamento da área cultural. Referindo-se à Constituição Federal, disse que o poder público tem o dever de promover as manifestações artísticas. “A Lei Orgânica do Município assegura o pleno exercício da criação e expressão artísticas, o pleno acesso a apoio, incentivo, proteção, produção e consumo de bens culturais”, enfatizou.

Em nome dos estudantes e servidores do campus Caxias do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, falou diretor Juliano Toniolo. Ele protestou contra o bloqueio de verbas às universidades e aos institutos federais anunciado pelo governo. “Já vínhamos fazendo cortes internos e recebemos este bloqueio de cerca de R$ 1 milhão. Nossa intenção é de atender 5% da população, ou seja, 5 mil estudantes. Pedimos que a comunidade nos apoie em repúdio a essa medida do governo federal”, ressaltou.

Na sessão foi aprovada moção de contrariedade, proposta pelo vereador Rafael Bueno/PDT, ao corte de 30% no orçamento da educação. O posicionamento será enviado para autoridades estaduais e nacionais, pedindo apoio para reversão da situação que incide diretamente sobre o IFRS.

O QUE DISSE A OPOSIÇÃO...

ADILÓ DIDOMENICO/PTB

“Por dois anos consecutivos, o prefeito manda rubrica de R$ 12 milhões para a verba de gabinete, para cafezinho, gabinete itinerante, e nós baixamos para R$ 6 milhões. Aí não tem R$ 1 milhão para a Cultura ou para o Lazer. Então cobrem isso do prefeito para saber o que ele faz? Que ele manda seus batedores na frente para ver o que o pessoal precisa, depois chega e faz um discurso com tudo o que o povo quer ouvir”.

ALBERTO MENEGUZZI/PSB

“Quando teve uma exposição aqui, onde a gente deu a possibilidade democrática de a arte estar exposta até numa Casa do Povo, imediatamente, alguns vereadores, dentre eles, o vereador Renato Nunes, postou vídeos na internet: “Um absurdo! A família sendo atacada”. Faça um vídeo, vereador Renato, apoie agora. Faça um vídeo agora ali embaixo, apoie os estudantes do Instituto Federal”.

DENISE PESSÔA/PT

“Um governo municipal que segue a mesma linha ideológica do federal. A gente pode achar que é descontentamento do prefeito: ah, não gosta da área da cultura. Não, é para além de retaliação de algumas pessoas que ele não goste. É uma questão programática em que ele acredita, realmente, de que as pessoas precisam acessar cultura de forma privada, não em espaço público”.

FELIPE GREMELMAIER/MDB

Quero que comecem desmentindo o ex-secretário, porque ele não só falou, como escreveu uma carta aberta à cidade de Caxias que não ia concordar. Colocando-me no lugar dele, se fosse formado professor de Educação Física, eu também não aceitaria que, pelas minhas mãos, a Smel deixasse de existir. A atitude do professor Paulo Gedoz não é de covardia, é de coragem por não aceitar uma situação dessas”.

RAFAEL BUENO/PDT

“Diga que é mentira, vereador Renato, que o prefeito gastou R$ 3 milhões em publicidade. Não constrói nem uma escola vertical. Tem 5 mil crianças fora da escola infantil, mas querem mexer na Praça Dante. Tirar os bancos por causa dos moradores de rua, mas fecham dois albergues de Caxias do Sul, não dão nem moradia para os pobres da cidade. Um milhão de reais somente poderia garantir o Instituto Federal e o andamento das aulas”.

Situação reage: “É mentira”.

A sessão passava de duas horas de duração apenas com críticas aos Executivos federal e municipal, quando o vereador de situação, Renato Nunes, pediu uma declaração de liderança pelo PR. Segundo ele, o boato do fechamento da Smel obteve reforço depois da nota de esclarecimento lançada pelo ex-secretário Paulo Gedoz de Carvalho, a qual foi desmentida pelo vereador.

Nunes questionou os manifestantes se houve confirmação do governo sobre o fato. Conforme o parlamentar, se trata de uma fake news da oposição. “Estamos nos aproximando do período eleitoral. Então, a gente precisa ter muito cuidado para não acabar servindo de massa de manobra para pessoas que estão preocupadas, não com o povo, não com a educação, não com a cultura, não com o esporte, mas com a eleição ali na frente”, reagiu.

O vereador foi enfático ao afirmar que a oposição se utiliza da mentira para tirar proveito da situação. “Temos 20 e tantos partidos que estiveram 12 anos no poder e reclamam de muitas coisas hoje. Eles estão muito preocupados, porque estão divididos. Então, vou dizer aos senhores e senhoras que isso é uma baita de uma mentira. Isso é campanha eleitoreira”, gritou.





Publicidade