Símbolo da diferença

Esportes

08 de junho de 2016 às 10:11 hr
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BRUNO TOMÉ
esportes@folhadecaxias.com.br
 
A história do maior símbolo olímpico chegará a Caxias do Sul em 58 dias. A Tocha deverá chegar ao Monumento do Imigrante depois das 18h. O símbolo será carregado por 13 km, até chegar aos Pavilhões da Festa da Uva. Durante o trajeto, histórias pessoais se misturarão com a universalidade dos Jogos Olímpicos.
 
 
Levando alegria
 
Mostrando o lado universal das Olimpíadas, o trajeto da Tocha Olímpica também contará com condutores que não são ligados diretamente ao esporte. O estudante Pedro Zatti, 17 anos, foi selecionado por uma segunda patrocinadora dos Jogos por um gesto realizado junto com o grupo de teatro do qual faz parte.
 
“Eu e mais cinco amigos do grupo de teatro, que eu faço na escola, a gente se vestia de clowns, a gente se pinta a cara de branco, bota a cara de palhaço e não podemos falar nada. Nós fomos até o Hospital Geral para interagir com os doentes que estavam lá, para eles terem uma companhia”, conta o estudante. 
 
Por enquanto, Zatti e seus amigos deram uma pausa na ação, mas futuramente pretendem voltar a fazer as visitas. Desde os 12 anos no teatro, e apaixonado pela comédia, o estudante acredita que ter sido selecionado deixa uma mensagem: “Não importa se tu é de uma religião, de uma sexualidade, se tu faz esporte, se não faz esporte, se tu é magro ou gordo, une todo mundo”. 
 
A passagem do símbolo olímpico pode também significar um exemplo para o futuro. Ainda de acordo com Zatti, “eu acho que a história que cada um contou para ir para o revezamento pode inspirar alguém a fazer igual”.
 
 
Mudando perspectivas
 
Entre os condutores está o professor de Educação Física, Vinícius Flores, que mantém o projeto social “Tennis na Comunidade”. O professor acredita que foi escolhido por um dos patrocinadores dos ‘Jogos’ pelo reconhecimento que o seu trabalho voluntário recebe. 
 
O projeto social realizado pelo professor teve início ainda em 2013 e é voltado para crianças e jovens da Zona Norte. “Dou aula de tênis gratuita para crianças de vulnerabilidade social”, conta Flores. As aulas são realizadas no Complexo Esportivo da Zona Norte, em quadra de futsal, improvisada e delimitada com fita crepe. 
 
O professor ainda comenta que quis trazer uma nova realidade para as crianças que estão inseridas nele. “A ideia principal do projeto foi trazer o esporte tênis para a periferia e trazer para essas crianças uma perspectiva de um futuro melhor através desse esporte, porque é um esporte que ensina para vida. Tu aprende muito mais com a derrota do que com a vitória, e essas crianças estão acostumadas com tanta vulnerabilidade, estão acostumados com a derrota, e para eles perder ou ganhar não tem muita diferença. Mas eles ter um motivo para seguir no caminho do bem, isso é o que impulsiona eles a seguir, e para mim, isso representa uma forma de reconhecimento.”
 
Natural de Santiago, a trajetória de Flores se cruza com Caxias do Sul em 2007, quando se inscreveu no curso de Educação Física na cidade. Foi aqui que Flores começou a praticar tênis, em 2010, quando tinha 20 anos. E agora, é em Caxias que o professor carregará a Tocha Olímpica, mesmo sem nunca ter imaginado que isso pudesse acontecer. “Jamais, porque é uma coisa que a gente para e pensa, e demorou para cair a ficha, a gente para para pensar, desde criança tu vê as Olimpíadas, tu vê atletas, pessoas de destaque conduzindo a Tocha e pensar que um dia eu pudesse ter essa oportunidade, nunca passou pela minha cabeça”, diz Flores.
 
 
Superando desafios
 
A empresária caxiense Vilma Ceconello, 62 anos, é um caso a parte. Também selecionada por uma das patrocinadoras, Vilma foi comunicada que carregará a Tocha no dia 5 de julho, em Lajeado. Porém, isso não muda o sentimento de fazer parte dessa história. “Independente de onde eu fosse, eu tô me sentindo gratificada, iluminada, eu estou me sentindo muito bem”. 
 
Vilma foi pega de surpresa com a seleção para ser uma das condutoras da chama olímpica. A atleta foi indicada por sua prima, que enviou a uma das patrocinadoras a jornada batalhadora da empresária.
 
A história de Vilma com o esporte começa aos 32 anos de idade, quando ela começou a fazer natação, convidada por uma cunhada. Vilma diz que a receita para continuar no esporte é a persistência, a atleta acorda atualmente às 5h30 para treinar, “eu sempre fui muito do cedo, eu levantava cedo, ia treinar, às vezes ia a pé porque não podia ir de carro, mas independente da situação que eu estava passando na minha vida, eu nunca desisti do esporte”. 
 
Porém, em 2005, quando Vilma descobriu que tinha um nódulo de mama, a atleta teve que deixar um pouco de lado o esporte para realizar o tratamento para combater o câncer. No entanto, ela conta que o esporte a ajudou na recuperação: “O médico me disse assim, ‘o teu estado está tão bom, que tem 99% de chance de se curar’, então o que ele quis dizer, que por eu não ser sedentária e praticar esportes, eu tinha muita chance me curar, e foi isso que aconteceu”. 
 
Após a 1ª batalha vencida, Vilma voltou para a natação, onde contabiliza mais de 300 medalhas. Mas, em 2012, se deparou com mais um desafio. A atleta havia descoberto que estava com 40% dos tendões de um dos braços rompidos, e dessa maneira, deveria parar de nadar. “Eu fiquei em desespero, eu disse: ‘o que eu vou fazer?’, para mim o esporte é vida”. 
 
Com a dica de uma acupunturista, Vilma trocou de esporte e começou a correr. A atleta conta que iniciou aos poucos, até que aumentou o ritmo e esse ano, pela 1ª vez, disputará uma prova de 21 km, na Maratona Internacional de Porto Alegre.
 
Para a atleta, a escolha foi feita a partir da história pessoal de cada um. “O comitê olímpico fez uma seleção muito bonita, porque ele se baseou na história pessoal das pessoas. A persistência, as superações, o exemplo que as pessoas podem passar”, afirma Vilma. 
 
Emocionada, a empresária conta que poder carregar a Tocha Olímpica tem um grande significado. “É um presente de Deus, eu acho que é até uma recompensa dessa minha dedicação. Ser condutora da Tocha Olímpica é o maior prêmio da minha vida. Então, eu me sinto muito honrada em conduzir a Tocha, que é o símbolo máximo do esporte, da união entre os povos, da amizade, de tudo isso. É isso que eu me orgulho, não é o fato de conduzir, mas é o fato do que ela transmite”.
 
 
Crédito da foto 1: Bruno Tomé
 
Crédito da foto 2: Fernando Gusen
 
Crédito da foto 3: Divulgação, Facebook
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