RGE e RGE Sul serão agrupadas

Comunidades

06 de dezembro de 2018 às 13:07 hr
Texto
-a
+a

A probabilidade de novos aumentos nas contas de energia elétrica para remunerar investimentos em atualização e recuperação da infraestrutura defasada na área da antiga concessão da AES Sul é uma das principais preocupações do Conselho de Consumidores da RGE, a partir do agrupamento de concessionárias autorizado nesta terça-feira (4), em Brasília, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Pela decisão, a partir de 1º de janeiro de 2019, o território e os clientes da RGE Sul serão definitivamente absorvidos pela reconfiguração da RGE, cujo centro de operações, em São Leopoldo, passará a gerenciar o abastecimento de mais de 3 milhões de clientes em 373 municípios do Rio Grande do Sul.

O primeiro impacto deve ser sentido pelos atuais clientes da RGE. Hoje, o valor do kW/h da tarifa residencial da RGE Sul, responsável pelo abastecimento de energia em 118 cidades gaúchas é de R$ 0,54732/KWH, enquanto a da RGE corresponde a R$ 0,52759/KWH, em um universo de 1,4 milhão de clientes espalhados por 255 municípios. A diferença entre as cifras tende a ser corrigida diretamente na conta de luz.

O choque deve ser ainda maior para os clientes da classe industrial. Na modalidade Verde A4, adotada por muitas empresas, a tarifa da RGE Sul, considerando-se uma carga típica, fica 7% mais cara no total. Também no modelo de operação preferido pela maioria das indústrias, a operação fora da ponta, utilizada para fugir do alto preço do horário de pico, é 10% mais elevada na área da RGE Sul.

Um cenário de contornos ainda mais preocupantes aparece no quesito contratação de demanda, em que a tarifa na área da RGE Sul tem custo 61% maior. “O possível aumento de tarifas nestas classes específicas é uma de nossas grandes preocupações. Estes ajustes ocorrerão aos poucos, a cada reajuste tarifário, e até a próxima revisão tarifária, prevista para 2023. A Aneel definirá estes reajustes graduais e os aplicará de acordo com estudos que já fez ou fará. Ela vai considerar uma nova área, somando as atuais de RGE e RGE Sul, e vai recalcular a tarifa como se fosse uma revisão tarifária”, alerta o presidente do Conselho de Consumidores da RGE, Claiton Gaieski Pires.

 

Investimentos também serão cobrados na conta

 

O Conselho de Consumidores da RGE já alerta para o impacto da remuneração dos investimentos que se fazem necessários para atualizar a infraestrutura no território da RGE Sul, anteriormente sob responsabilidade da AES Sul. “É outra grande preocupação. A área da antiga AES Sul necessitava e necessita ainda de investimentos pesados para melhorar a qualidade do serviço e do atendimento, se compararmos com a da RGE, que já estava em patamar bem superior. O problema é que estes investimentos são pagos via tarifa, por todos os consumidores da nova área. Ou seja, estes investimentos pesados necessários para colocar a área da RGE Sul em outro patamar de qualidade, semelhante ao da RGE, serão sustentados por todos os consumidores. Isto pode significar aumento de tarifas ou a permanência de tarifas em patamar mais alto por muito mais tempo”, acrescenta Claiton Pires.

Segundo o dirigente, é provável que a economia de escala que será obtida pela fusão das concessionárias, projetada pelos cálculos da Aneel, não compense o custo dos investimentos. “Infelizmente, a Aneel não disponibilizou ou apresentou uma análise do impacto regulatório. Todos estes dados, de antemão, não ficaram transparentes para a população. Se a agência tivesse feito isso, teríamos uma visão antecipada mais completa de todo o processo”, avalia.

 

Medida deve gerar melhoria do serviço

 

No entanto, o presidente do Conselho de Consumidores da RGE, Claiton Gaieski Pires, enxerga também aspectos positivos na mudança, especialmente em quesitos como atendimento e prestação de serviços. “Para o consumidor, de imediato, pouco ou nada deve mudar. A médio e longo prazo, descontando-se esta possibilidade de aumento de tarifa, o que deve ocorrer é um ganho de qualidade. A tendência é que tenhamos a continuidade da melhora de qualidade no atendimento e no serviço prestados pela RGE, agora com as duas áreas agrupadas”, observa.

 

Caxias perderá receita

 

Conforme estimativa da Secretaria de Gestão e Finanças de Caxias do Sul, a perda em arrecadação de ICMS pela geração de energia - valor que fica no município onde a concessionária está instalada - pode chegar a R$ 4 milhões com a transferência do Centro de Operações da RGE para São Leopoldo. “Certamente, haverá impactos na economia local, pela importância que a RGE tinha e a movimentação de pessoas. A prestação de serviços e a qualidade na atual área da RGE não devem sofrer perdas. As equipes permanecem as mesmas. E, de certa forma, já vivemos a época da fusão porque, operacionalmente, o gerenciamento da RGE e da RGE Sul já vinha sendo feito de forma conjunta e praticamente não se percebeu perda de qualidade no atendimento na região”, opina Claiton Pires.

 

« Voltar