Quarenta anos dos Pavilhões da Festa da Uva

31 de dezembro de 2015 às 10:29 hr
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Se o projeto original da construção do Parque da Festa Nacional da Uva fosse seguido à risca, a área onde hoje estão representadas as réplicas de Caxias do Sul teria um edifício-hotel em formato redondo e um auditório com capacidade para quase três mil pessoas estaria instalado próximo ao terreno da cancha de rodeios. As ideias não saíram do papel, mas a construção de um espaço próprio para o evento, que completou 40 anos em 2015, foi fundamental para o desenvolvimento da Festa da Uva. 
 
A ideia de construir os pavilhões surgiu para marcar o centenário da Imigração Italiana em 1975. A intenção era que, devido à data histórica, o evento superasse em tamanho e em repercussão as edições anteriores. Além disso, a sede da Festa da Uva das edições de 1954 a 1972 – onde hoje está instalada a prefeitura de Caxias do Sul, no bairro Exposição – já estava pequena e não conseguia mais suportar o crescimento no número de visitantes e de expositores interessados em participar. 
 
Para viabilizar a construção de um novo espaço, o prefeito da época, Mário Ramos, foi em busca de verbas estaduais e federais para iniciar o projeto, uma vez que o terreno já havia sido adquirido. Com recursos próprios, o Município comprou o atual terreno dos pavilhões que, na época, pertencia à Mitra Diocesana, em 1972, e uma segunda área da família Picoli, em 1975. Para atrair parceiros, a Festa da Uva precisou se instituir como uma empresa. 
 
Sendo assim, após longa negociação, o ministro da Indústria e Comércio, secretários estaduais e a direção da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) vieram a Caxias em fevereiro de 1974 para oficializar a criação da Festa Nacional da Uva, Turismo e Empreendimentos S/A. A Embratur acabou ficando com a maior parte das ações da empresa, seguida pelo Governo gaúcho e pela Prefeitura. Na assinatura do documento, a comitiva conheceu o terreno de 420 mil m² onde seria erguido os pavilhões da Festa da Uva. 
 
“Uma das vantagens, notada por Pratini de Moraes [ministro], era a ótima vista do Centro da cidade, repleto de prédios e em pleno desenvolvimento”, relata o livro Festa da Uva: A Alma de um Povo, do jornalista Luiz Carlos Erbes. 
 
Construção – O projeto do parque, inicialmente chamado de Centenário e que mais tarde passou a ser chamado de Mario Bernardino Ramos, foi assinado pelos arquitetos recém-formados Paulo Bertussi, João Alberto Marchioro, Antonio Fernande Filippini e Rubens Arthur Baldisserotto. Os estudos iniciaram em dezembro de 1973 e os pavilhões foram concluídos em janeiro de 1975 – cerca de um mês antes do início da festa daquele ano, em 14 de fevereiro. 
 
Segundo Bertussi, a ideia era que o parque abrigasse grandes eventos, além da Festa da Uva, e, ao mesmo tempo, oferecesse infraestrutura para que os visitantes pudessem instalar – que justifica a intenção da construção de um edifício-hotel em formato redondo e de um auditório. 
 
Enquanto os operários e as máquinas trabalhavam no local, as estruturas metálicas dos pavilhões eram montadas em Curitiba (PR) e chegavam prontas a Caxias. Segundo relatos, o transporte das estruturas foi feito por 25 caminhões, vindos em comboio, com ferro pendurado e com faixas ao lado escrito Festa da Uva. 
 
Parque permanente – Ao longo dos últimos 40 anos, o local recebeu melhorias, como a construção das réplicas, o Monumento Jesus Terceiro Milênio, o Centro de Eventos e, mais recentemente, a Cancha de Rodeios. Para a Festa da Uva de 2016, um pacote de obras investirá R$ 1,5 milhão em infraestrutura no parque. 
Segundo o presidente da Festa da Uva, Edson Nespolo, cerca de R$ 20 mil são investidos por mês na manutenção do parque, que se tornou um dos pontos mais visitados pelos caxienses nos finais de semana. Nos últimos dois anos, o local passou a contar com água quente para chimarrão, academia, parque infantil e bicicletas. A ideia é tornar o espaço como o primeiro parque temático da cidade, que possa ser melhor utilizado não só com a realização da Festa da Uva. 
 
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