Prefeitura flagrou 15 canis ilegais em 2017

Cidades

12 de janeiro de 2018 às 12:10 hr
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Por meio de denúncia anônima, a equipe do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), em ação conjunta com a Patram, localizou um canil no bairro Universitário, que atuava de forma clandestina. Foram encontrados 34 animais das raças Yokshire Terrier, ShihTzu e Poodle, que serviam como matrizes para a geração de filhotes.

De acordo com a diretora do departamento, Marcelly de Souza Paes Felippi, os animais estavam em condições precárias, presos em gaiolas pequenas, num quarto escuro, em meio à sujeira, sem água e alimento, com indícios de doenças de pele. Além disso, os proprietários não tinham a documentação necessária. “Foi firmado um Termo Circunstanciado de Ocorrência e marcada uma audiência com os responsáveis pelo local, que responderão por maus-tratos”, salientou. Enquanto isso, a Semma orientou que a proprietária procurasse um médico veterinário, fizesse a higiene do local e tosa dos animais, e garantisse alimentação e água.

Marcelly não soube informar a quanto tempo este canil está atuando. No entanto, ela frisou que, dentre os animais, alguns datam de 2003. Para enfrentar esse problema, a diretora informou que a Prefeitura trabalha na montagem de lei que atenda essa demanda. “Entre outros itens, exigiremos que estes estabelecimentos tenham veterinário como responsável técnico; registro na Secretaria do Meio Ambiente para a liberação do alvará dos criatórios; e que as lojas responsáveis pela venda chipem os animais e tenham o registro do canil de origem”, ressaltou.

 

Dificuldades de fiscalização

 

Quem quiser atuar de forma legal nesse segmento precisa ter alvará de funcionamento liberado pela Secretaria da Saúde. Além disso, conforme Rogério Poletto, médico veterinário e gerente da Vigilância Ambiental em Saúde, é necessário que a pessoa abra uma empresa, que pode ser como microempreendedor individual. E que o criadouro seja inscrito no Conselho de Medicina Veterinária. “Infelizmente, muitas pessoas ainda se utilizam deste tipo de negócio clandestinamente, em fundo de quintal. Como se fosse apenas uma geração extra de renda, esquecendo que, mesmo assim, é necessário ser legalizado”, afirmou.

De acordo com Poletto, em 2017 foram encontrados 15 canis em Caxias do Sul, mas possivelmente este número seja bem maior. No entanto, daqueles identificados somente três estão legalizados, cinco encerraram as atividades devido as exigências feitas e os demais ainda estão buscando se adequar. “Pelas nossas outras atribuições ainda não tivemos tempo de retornar a estes locais”, lamentou. 

Para Poletto, enquanto uma legislação que atenda esse segmento não é criada, a população e as lojas que comercializam animais podem contribuir para que os criatórios entrem na legalidade. “Em qualquer atividade legalizada, sabemos, ou pelo menos deveríamos saber, a procedência do que consumimos. Com os animais de estimação não é diferente. Antes de comprarmos algum animal, devemos nos certificar de sua origem”, ressaltou.

Para denunciar maus-tratos a animais, basta acessar www.caxias.rs.gov.br e clicar na imagem “Denuncie Maus-Tratos” ou ainda selecionar o canal “Denúncias”, disponível na seção do Departamento, na aba da Secretaria do Meio Ambiente. Basta preencher o formulário e enviar fotos e laudos da denúncia por e-mail.

 

Semma liberta animais

 

Neste ano, as equipes da Semma e da Patram também já registraram casos de maus-tratos com um cavalo que estava deitado há dois dias em um terreno baldio, magro e com ferimentos pelo corpo. Depois de ser retirado do local, o animal foi encaminhado para atendimento veterinário. Em outro caso, aves silvestres foram retiradas de uma residência no município, onde os proprietários não tinham a licença ambiental necessária. As aves foram encaminhadas para avaliação de biólogos da Patram e posterior soltura.

Também resgatadas e devolvidas ao dono 10 ovelhas que haviam sido roubadas e eram transportadas no interior de um caminhão-baú de forma ilegal, sem alimentação e água. Por terem passado por maus-tratos, as ovelhas foram reabilitadas até a localização do dono por meio de investigação da Polícia Civil.

 

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