Oposição critica inércia do Executivo no caso Maesa

Política

11 de julho de 2018 às 12:25 hr
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O presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal, vereador Paulo Périco (PMDB), foi à tribuna da Câmara, na sessão desta terça-feira (10), para relatar a visita técnica realizada na manhã de segunda-feira (9), ao complexo de prédios da Maesa. Ele apresentou fotos aéreas da estrutura física da antiga metalúrgica, onde delimitou a parte que já foi entregue ao Município pela empresa Voges, que ainda mantém uma parte alugada.

Périco justificou a visita pela denúncia de vizinhos de deterioração do patrimônio público. Ele exemplificou o caso de um dos pavilhões já devolvidos ao Município estar ocupado por resíduos de produção da fábrica. Conforme o vereador, um fato ilegal. Ele também comentou sobre o atraso do pagamento do aluguel pela Voges, no valor de R$ 12 mil por mês, desde dezembro do ano passado. Na opinião de Périco, dinheiro que daria para fazer pequenos reparos no local.

O vereador disse que o acordo entre a Voges e o Município prevê a entrega do restante da área até o dia 31 de julho. “Infelizmente, não vai acontecer. Porque a empresa Voges, pelo que percebemos lá, não tem nenhuma ação que demonstre que até o dia 31 de julho ela consiga sair, o que nos deixa muito preocupados”, avaliou.

 

NÃO FEZ NADA

 

Conforme Paulo Périco, o Executivo não fez nenhuma intervenção na estrutura. Apenas instalou o Departamento de Patrimônio Histórico do Município em área em que tinha sido feita uma intervenção por parte da Voges, onde a empresa instalou uma loja. “Portanto, o Município nada fez ali, a não ser entrar e ocupar esta área já com uma intervenção. Não feita pelo Município, mas pela empresa”, salientou.

Périco mostrou fotos do entulho de restos de produção, depositados pela Voges, em um dos prédios já entregues ao poder público. “Portanto, já começa aqui um ponto de interrogação. Quem agora é o responsável por esse entulho? Porque isso foi recebido pelo Município, está ali”, perguntou. O parlamentar ainda questionou o livre trânsito dos funcionários da Voges pelo local, já sob a responsabilidade do Município.

 

ALUGUEL ATRASADO

 

Paulo Périco também citou os problemas estruturais do complexo de prédios e disse que a empresa não está pagando aluguel de R$ 12 mil mensais, que já foi de R$ 16 mil. Conforme o vereador, um valor de cerca de R$ 100 mil, que deve ser cobrado pela Procuradoria-Geral do Município (PGM). “No mínimo, a Prefeitura poderia fazer pequenas intervenções, não no campo arquitetônico, mas de preservação do que ainda temos, isto é, evitar maior deterioração. É uma questão de segurança com o Município”, ponderou.

 

O QUE DISSERAM

 

EDSON DA ROSA/MDB

“É uma tristeza entrar nesse prédio. Fica um sentimento de vazio. Eu imaginei que nos seria apresentado um planejamento estratégico para as ações que serão tomadas. Precisa ter um plano de impacto, foi o que eu pedi lá para o secretário, que as secretarias conversem entre si e elaborem um planejamento e conversem entre elas”.

 

PAULA IORIS/PSDB

“O que me chamou muito a atenção foi a tentativa de nos justificarem que tudo está demorado porque é tombado e, além disso, de que não está parado. O que contrasta totalmente com que vimos. Ali nós não temos a menor ideia de alguma coisa que esteja sendo feita. Entendo que ali tem que haver uma comissão externa independente da que atua na prefeitura, com pessoas que entendam de revitalização”.

 

ADILÓ DIDOMENICO/PTB

“Eu sei que a administração não é muito afeita ao diálogo, mas temos que esgotar todas as possibilidades, quem sabe marcar uma reunião com a secretária Patrícia, do Meio Ambiente. Porque eu já ouvi declaração: ‘Vamos denunciar ao Ministério Público, Fepam’. Se cair na mão de um daqueles técnicos tranqueiras da Fepam, nunca mais. A minha geração não vai ver a ocupação disso daí”.

 

Bueno alerta para possível retomada

 

Em pronunciamento na tribuna da Câmara de Vereadores, na sessão de ontem, Rafael Bueno/PDT voltou a criticar a deterioração do prédio da Maesa. Ele se reportou à vistoria realizada na manhã anterior, onde foi constatada a precariedade das instalações.

O pedetista fez um relato histórico do processo de ocupação e da união entre vários setores da comunidade. “E a união desse movimento então garantiu, por parte do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a doação para a Prefeitura”, destacou.

Lembrou do dia 26 de março de 2013, quando foi aprovada a comissão para acompanhar o tombamento da antiga fábrica Maesa, transformada na Frente Parlamentar A Maesa é Nossa, hoje, presidida pelo parlamentar. “A população luta para que a Maesa seja do povo e para o povo. Basta citar as três atividades realizadas em um mês e meio com o mote Abrace a Maesa!”, exemplificou.

Em aparte, Gustavo Toigo/PDT, concordou com Paulo Périco no sentido de reincluir a Câmara de Vereadores e a União das Associações de Bairros na Comissão de Ocupação da Maesa a fim de realizar uma construção coletiva em prol da ocupação do complexo. “A cobrança precisa existir, a fiscalização tem que ser eficaz, mas precisamos, neste momento, juntar forças, principalmente com o setor empreendedor. A CIC quer saber a quantas anda o movimento comunitário, a própria academia. Então, precisamos juntar a universidade, tendo em vista que a ela tem os cursos de Arquitetura, Design e Engenharia”, ressaltou.

 

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