O fim de uma era

Variedades

28 de abril de 2016 às 09:51 hr
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Durante muitos anos, rock and roll em Caxias do Sul era sinônimo de Vagão Bar. Diversos fãs migravam semanalmente ao local na Júlio de Castilhos, que contava com atrações locais e nacionais. Bandas do calibre de Velhas Virgens, Matanza e Ratos de Porão foram algumas das atrações que se apresentaram no bar.
 
Uma das bandas mais presentes na história do Vagão foi a Vendettas. Formada em Caxias, o grupo de rock gaúcho era presença confirmada no local, seja tocando ou prestigiando as festas. “O bar era muito legal. Pudemos lançar nosso primeiro CD lá”, afirma o vocalista Bruno Meneguzzi. “O charme do Vagão consistia nas festas sem estereótipos. Todo mundo lá dentro era a único, sem precisar disfarçar caráter ou ter problemas de adaptação”, completa.
 
O antigo dono, Marcelo Pedroso, conta com nostalgia sobre o local. “Acho que nosso maior legado não foi nem os shows, mas sim a perpetuação desse pensamento de que é possível todo mundo conviver igualmente e romper barreiras. Para mim era essa a função do Vagão. Não sei se todo mundo entendeu que era essa a proposta, mas a ideia era essa”, relembra. “Acho que foi uma história bem bonita”, finaliza. 
 
Naturalmente, com a consolidação do local, a presença de haters se tornou constante. Era comum escutar que havia “panelinhas” com as bandas. “Eu já fui músico e também já fui hater (risos). Eu brincava com a Rúbia (Salvador, ex-sócia do bar) que, cada vez que nos xingavam, era o karma me cobrando (risos)” brinca Marcelo. “Um bar que dura bastante tempo, como o Vagão que durou oito anos, é natural que algumas pessoas não gostassem”, admite.
 
Nesses oitos de atividades, Marcelo conta quais momentos marcaram ele. “Nós tínhamos festas durante o ano com o intuito de ajudar a sociedade”, explica. “O aniversário do Vagão, o Dia Mundial do Rock e o Natal do Metal, por exemplo, eram eventos que nós arrecadávamos alimentos para doação. Eu lembro muito desses momentos, gostaria de ter feito até mais”, analisa. 
 
O fechamento do bar, em outubro do ano passado, se deu por diversos problemas estruturais. Uma parte do telhado da construção estava cedendo, colocando não só a festa, mas as pessoas em risco. No show da banda Ratos de Porão, por exemplo, uma parte do telhado quebrou e a água escorreu no palco, causando o cancelamento do evento. “Naquele dia, tudo que poderia dar errado, aconteceu”, lamenta Marcelo. 
 
O prédio, antes de abrigar o Vagão, já foi palco de outros bares. O Revival Rock Bar e o Roxx também serviram para movimentar a cena underground caxiense há alguns anos. Independente do fechamento, o Vagão deixa um legado na cidade. Se hoje a cena alternativa é forte em Caxias do Sul, uma parcela da ‘culpa’ disso é do bar que abriu as portas para todos os públicos interagirem de maneira pacífica e que vai deixar de existir na Júlio de Castilhos n° 1343.
 
 
Crédito da foto: Luiz Schmitz
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