Economia

Novas tecnologias terão grande impacto na indústria automotiva

Presidente do Grupo Valeo América do Sul analisou desafios do futuro para a mobilidade em encontro com empresários de Caxias do Sul
21 de maio de 2019 às 12:35
Foto: Gilmar Gomes, Divulgação

“Será pelo amor ou pela dor, mas vamos ter de nos adaptar à nova realidade; ela chegou para ficar.” Assim o presidente do Grupo Valeo na América do Sul, Reginaldo Hermogenes, se referiu à velocidade das mudanças tecnológicas mundiais, em sua palestra na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), nesta segunda-feira (20). No tema, os desafios do futuro da mobilidade.

A Valeo Sistemas Automotivos, com sede na França, fornece produtos automotivos para fabricantes de automóveis em todo o mundo. Por ser uma empresa voltada à tecnologia, cria soluções inovadoras para a mobilidade inteligente, com foco em veículos autônomos e redução das emissões de CO².

Hermogenes e o diretor de Marketing e Desenvolvimento de Novos Produtos, Rafael Galperin, explicaram que o mercado automotivo passa por revoluções sem precedentes, e a Valeo está na vanguarda de muitas das inovações que priorizam novas experiências a bordo de veículos autônomos e conectados. “O mundo automotivo evoluirá mais nos próximos cinco anos do que nos últimos 50”, afirmou o presidente da Valeo América do Sul. “O carro deixará de ser apenas um meio de transporte para se tornar um provedor de serviços”, observou Galperin.

Ao investir 11% do seu faturamento em inovação, “algo fora dos padrões normais da indústria”, conforme Hermogenes, a Valeo busca entender as motivações dos clientes do veículo do futuro. No cerne da inovação em mobilidade autônoma está resolver problemas da sociedade, especialmente nos grandes centros urbanos que sofrem com engarrafamentos, poluição e mortes no trânsito. “O Brasil é quarto país do mundo em mortes no trânsito. Por ano no, morrem 50 mil pessoas e outras 400 mil ficam com sequelas”, ilustrou o executivo.

Atualmente, a Valeo conta com aproximadamente 114 mil funcionários em 186 fábricas, 59 centros de pesquisas e desenvolvimento e 15 centros de distribuição, em 33 países. Em 2018, a empresa comprou todas as unidades mundiais da Spheros, incluindo a operação de Caxias do Sul. Líder francesa na criação de patentes, a empresa conta com 20 mil engenheiros, sendo cinco mil de software, ao redor do mundo trabalhando no desenvolvimento da inovação. “Trabalhamos tecnologias que não existem ou que foram colocadas no mercado nos últimos três meses”, acrescentou Hermogenes.

No Brasil, são atualmente 11 fábricas, e as unidades produzem componentes em quatro ramos de negócio: powertrain (alternadores, motores de partida, embreagens), sistemas térmicos (radiadores, ventiladores, defletores, climatizadores, intercoolers), sistemas de visibilidade e de conforto (limpadores, faróis, lanternas) e assistentes de direção. A estimativa de faturamento no Brasil para este ano é de R$ 2 bilhões.

A reunião-almoço desta segunda-feira foi alusiva ao Dia da Indústria, comemorado em 25 de março. Para homenagear o setor, o evento foi conduzido pelo vice-presidente de Indústria da CIC, Mauro Bellini.