Inquérito sobre pacto suicida é concluído pela Polícia Civil

Polícia

14 de abril de 2018 às 10:32 hr
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A Polícia Civil concluiu a investigação referente ao caso intitulado ‘pacto suicida’. Por meio de uma coletiva que reuniu a imprensa local na tarde de quarta-feira (11), o delegado Gustavo Barcellos, titular da Delegacia de Polícia de Gramado e responsável pelas investigações, informou que o caso está concluído e que ninguém foi indiciado.

Ele enfatizou que em 2014, ano dos acontecimentos dos episódios, quando ocorreram os suicídios de duas meninas de 14 e 18 anos, um em Gramado e outro em Canela, respectivamente, além de três tentativas, foi realizada uma grande união das forças policiais em busca de esclarecer os fatos. A força tarefa foi coordenada pela Delegacia Regional, na época ainda sob a tutela da delegada Elisângela Melo Reghelin em conjunto com o delegado Vladimir Medeiros, da Delegacia de Polícia de Canela.

Como a Delegacia de Gramado realizou a maior parte dos procedimentos, o inquérito foi concluído pelo respectivo órgão. “A investigação foi intensa e buscamos de todas as formas elucidar os fatos, onde colhemos dezenas de depoimentos, periciamos celulares e computadores, bem como utilizamos um software para buscar dados apagados. Porém com o passar do tempo a investigação não evoluiu e não conseguimos provas materiais de que grupos em redes sociais tiveram participação nos acontecimentos”, disse. Segundo Barcellos, o inquérito conta com mais de 420 páginas e agora será remetido ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Além disso, ao todo, foram colhidos depoimentos de 42 pessoas.

Perícia - Foram encaminhados mais de dez celulares, além de notebooks e ainda foi utilizado um software chamado como ‘celebrate’ do Ministério Público que tentou recuperar dados apagados, sem sucesso. “Encaminhamos pertences de vítimas, de testemunhas e de suspeitos. Contudo, sem provas materiais acabamos concluindo a investigação sem indiciamento”, declarou Barcellos.

Objetivo da instalação do inquérito

Neste período, a Polícia buscou apurar as causas dos dois suicídios, sendo um em Canela e um em Gramado, além de três tentativas. Buscou-se também apurar se havia um grupo na rede social Whatsapp com uma lista para a realização de suicídios. “Iniciamos a investigação, principalmente para saber se havia induzimento ou auxílio naqueles dois suicídios e também para evitar, se caso houvesse o pacto, mais acontecimentos daquela natureza”, disse.

No decorrer dos fatos, a Polícia, através de depoimentos, descobriu a existência de um grupo que foi criado após os suicídios, inclusive os criadores do mesmo, dois indivíduos maiores de idade moradores de Canela tiveram pertences apreendidos que foram periciados. “Nós não conseguimos demonstrar que esse grupo tivesse qualquer vinculação com qualquer grupo anterior e segundo eles, sabendo dos fatos, criaram esse grupo para fazer uma brincadeira, de mau gosto”, comentou. Segundo Barcellos, neste grupo havia mensagens ameaçadoras, mas sem vinculação com os suicídios anteriores. Os criadores do grupo foram identificados, ouvidos, mas ainda não foram responsabilizados por nenhum tipo de crime.

Grupo em redes sociais

Conforme o delegado, o principal grupo intitulado ‘Pacto Suicida’, que seria a maior motivação para as mortes, a Polícia declarou que não obteve nenhuma prova que de fato existiu. “Temos apenas alguns depoimentos de que o grupo existia e de pessoas que disseram ter participado, mas não tivemos nenhuma prova material, nem de perícia que ele existiu. Não se comprovou nada de que havia um passo a passo a seguir”.

Perguntado se as meninas que cometeram suicídio tinham algum tipo de relação, o delegado afirmou que os depoimentos foram um pouco contraditórios.  “Alguns depoimentos afirmaram que elas trabalharam juntas e se conheceram em um evento em Canela, enquanto que outros disseram que não”.

Na época dos acontecimentos, tomou repercussão que os casos pudessem ter ligação com cunho religioso, fato que segundo o delegado foi descartado durante as investigações.

Suicídio não é crime

Durante a coletiva, o delegado esclareceu como alguém pode ser responsabilizado por suicídio. “O suicídio não é crime. O que é crime é induzir, instigar ou auxiliar alguém a cometer suicídio. Além disso, induzir, instigar ou auxiliar a cometer tentativa de suicídio também não é crime. Falo isso porque até naquelas três tentativas de suicídio não podemos responsabilizar ninguém, pois o crime é o suicídio consumado”.

Sem conclusão definitiva

Para os dois casos consumados, o delegado atribuiu, após as investigações, os dois suicídios a questões familiares, depressão e problemas de relacionamento.

Barcellos ainda leu o trecho final da conclusão do inquérito: “Não podemos negar até porque depoimentos, sendo alguns contraditórios, confirmam que possa realmente ter havido um grupo em rede social e o bate-papo que de certa forma induziu e instigava jovens ao suicídio. Isso se levados em conta o perfil dos envolvidos. Não obstante a esta constatação a partir de depoimentos, temos de nos ater mais precisamente aos suicídios e às tentativas. Não encontramos nenhuma prova concreta de que tenha havido um induzimento”. Ele continuou dizendo: “Se nós tivéssemos o grupo, talvez conseguisse ter provado que alguém instigou ou induziu aquelas meninas a cometer suicídio e de que os fatos teriam relação. Porém, não podemos afirmar que eles não existiam, mas não temos provas que eles existiram”.

Prevenção

O delegado acredita ainda que as redes que atuam na proteção da criança e do adolescente tiveram um papel importante para prevenir novos casos. “Acredito que órgãos agora têm uma atenção melhor após aqueles episódios e hoje realizam um trabalho muito bom em relação à prevenção”.

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