Governo fixa o quilo da uva em R$ 1,03

Cidades

05 de dezembro de 2018 às 12:43 hr
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Após não conceder aumento no ano passado, a Companhia Nacional de Abastecimento elevou o preço mínimo do quilo da uva industrial para a safra 2018/2019 em quase 12%, de R$ 0,92 para R$ 1,03. O valor, que será aplicado a partir de 1º de janeiro nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, é calculado com base na variedade Isabel 15 graus Babo.

Mesmo abaixo do custo médio de produção, estimado em R$ 1,05, o novo valor, na avaliação de Rudimar Menegotto, presidente do Sindicato dos Agricultores Familiares de Caxias do Sul, é razoavelmente bom. “O produtor precisava desse aumento, já que na safra passada não recebeu nem o reajuste da inflação. Mesmo não sendo o ideal, é uma melhora. Isto possibilita quase equiparar os gastos cada vez mais elevados com insumos, mão de obra e demais necessidades, além das perdas devido às intempéries”, salientou.

No entanto, Menegotto critica a falta de segurança jurídica que garanta ao produtor o recebimento do valor devido em um prazo relativamente curto. Ele ressalta que muitos produtores ainda não receberam créditos da safra passada. “É uma situação desestimulante. Há três anos, Caxias tinha cerca de 4 mil hectares de parreirais, hoje caiu para 3.800”, alertou.

Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Márcio Ferrari, o valor fixado deveria ser igual ao custo de produção. “A defasagem permanece, pois o valor não atende às necessidades do produtor. A agricultura familiar fica penalizada. Para se manter no ramo é necessário migrar para outras culturas, diminuir custos e aumentar a produtividade. Como a situação é complicada, o que mais vem se registrando é a diminuição da área cultivada”, lamentou.

 

Safra menor – Em razão de fatores climáticos, como a chuva de granizo de outubro, a produção da próxima safra de uva deve ter recuo de 30%, o que corresponde a cerca de 200 milhões de quilos a menos em toda a Serra Gaúcha. “Em uma safra normal, sem nenhum tipo de dano, a média de uva colhida varia entre 650 milhões e 700 milhões de quilos. Para este ano, estima-se não mais do que 500 milhões”, projetou Rudimar Menegotto. A colheita da uva industrial inicia-se no final de janeiro.

 

Vendas tem alta no ano

 

Dados do Ibravin apontam para o crescimento das vendas de produtos vinícolas brasileiros no mercado interno. De janeiro a outubro, foram comercializados 325 milhões de litros de vinhos, espumantes, sucos e demais bebidas derivadas da uva, expansão de quase 13% em relação ao mesmo período de 2017. A expectativa é fechar o ano com 10% de alta. O último trimestre representa cerca de 30% da venda anual do setor.

Nesses 10 meses, os melhores resultados foram observados nas vendas de suco de uva 100% pronto para consumo, que avançaram para 103,4 milhões de litros, 22% de alta, seguido pelos espumantes, com volume de 12,7 milhões e incremento de 13,44%. Os moscatéis, que crescem desde 2017, tiveram desempenho 28,5% melhor, somando 4,1 milhões de litros. Os vinhos tranquilos apresentaram evolução de quase 8%, acumulando 167,5 milhões de litros no período.

A partir deste volume de vendas, o setor estima que, em 1º de janeiro de 2019, haja em estoque nas vinícolas gaúchas cerca de 240 milhões de litros de vinhos, espumantes e sucos de uva e outros 15 milhões de quilos de mosto concentrado. A projeção é do Departamento Técnico do Ibravin.

No mesmo período de 10 meses, as vendas de importados tiveram queda. O volume de vinhos tranquilos cedeu 10%, algo em torno de 10 milhões de litros. Já os espumantes estrangeiros apresentam volume 1,3% superior em relação aos 10 meses de 2017.

 

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