Política

Daniel Guerra já fez 19 mudanças no secretariado

O dado representa quase o triplo das alterações no primeiro escalão de Alceu Barbosa Velho no mesmo período de governo
06 de maio de 2019 às 12:34
Foto: Paulo Pasa, BD

Em dois anos e cinco meses de gestão, o prefeito Daniel Guerra/PRB já trocou 19 vezes o primeiro escalão. Pelas 16 secretarias, chefia de gabinete e Procuradoria-Geral do Município (PGM), entre janeiro de 2017 e maio de 2019, já passaram 28 cargos comissionados. Além dos pedidos de exonerações, o chefe do Executivo promoveu três trocas coletivas de secretários.

O órgão público que mais trocou de titular foi a Secretaria Municipal de Saúde, com cinco nomes diferentes. Em segundo lugar, com quatro nomes cada uma, vêm as pastas de Habitação e a de Governo. Das 19 unidades administrativas, somente 10 mantiveram os nomes originais desde a posse da atual gestão.

A estatística se refere somente à administração direta (Prefeitura), exceto as subprefeituras. Também não estão contabilizadas as trocas de titularidade na administração indireta (Samae, Codeca e Festa da Uva).

ABANDONO DE BARCO

O primeiro a sair do governo pediu exoneração. O médico Darcy Ribeiro Pinto Filho ficou apenas três meses como secretário de Saúde. Segundo ele, havia um acordo com Guerra para ele ficar apenas durante os 100 primeiros dias de governo.

Na gestão dele, começou a crise com os servidores médicos. O motivo principal foi que Daniel Guerra decidiu exigir a marcação de ponto eletrônico e cumprimento de carga horária total de trabalho da categoria. Os médicos fizeram greve de quase oito meses. No período, a secretaria teve mais dois titulares: Fernando Vivian e Deysi Piovesan, que também pediram exoneração.

Outro caso polêmico foi a exoneração, a pedido, da então secretária de Esporte e Lazer, Marcia Rohr da Cruz. Ela se envolveu em um escândalo público ligado ao impasse entre Executivo e desportistas com relação ao edital do Fiesporte.

Uma gravação onde ela chama o programa de financiamento esportivo de “imundícia” vazou nas redes sociais. Prejudicada política e moralmente pelo fato, ela também pediu demissão.

A saída abriu caminho para a nomeação do professor Paulo Gedoz de Carvalho. Depois de um ano e meio no cargo, Gedoz foi exonerado pelo prefeito Daniel Guerra. O motivo foi a contrariedade dele à intenção do Executivo em extinguir a Secretaria e transformá-la em departamento da Secretaria Municipal de Educação. O fato ocorreu na segunda-feira (29). Nesta quinta-feira (2), Paulo Gedoz emitiu nota de esclarecimento à população, por meio da imprensa. No documento, ele afirma que somente neste dia ficou sabendo que, há mais de um ano, o Executivo vinha mantendo um grupo de estudos sobre a extinção da Smel à revelia dele.

Alceu promoveu sete trocas

Em comparação com o atual governo, entre 1 de janeiro de 2013 e 30 de abril de 2015, o ex-prefeito Alceu Barbosa Velho/PDT fez apenas sete substituições no primeiro escalão do Executivo de Caxias do Sul. Neste período, por 18 secretarias, chefia de gabinete e PGM, passaram 23 titulares.

O cargo de chefe de Gabinete foi o que mais trocou. Manoel Marrachinho assumiu a Secretaria de Trânsito e transmitiu para Edson Néspolo, que, depois foi presidir a Festa da Uva. Com a saída dele, assumiu foi Agenor Basso. As demais trocas de secretário ocorreram uma única vez nas pastas de Gestão e Finanças, Governo, Esporte e Lazer, Trânsito e Cultura. No período pesquisado do governo passado permaneceram sem alteração de titularidade as secretarias de Saúde, Segurança e Proteção Social, Habitação, Agricultura, Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Urbanismo, Receita, Recursos Humanos e Logística, Turismo, Planejamento, Educação, Obras e Procuradoria-Geral do Município.

SECRETARIAS QUE TROCARAM A TITULARIDADE

ATUAL GESTÃO

Saúde: Darcy Ribeiro Pinto Filho, Fernando Vivian, Deysi Piovesan, Geraldo da Rocha Freitas Junior e Julio Freitas

Habitação: Tatiane Zambelli, Elisandro Fiuza, Renato Nunes e Claudir de Bittencourt

Governo: Vania Espeiorin, Luiz Caetano, Daniel Bianchi e Patricia Haubert

Segurança Pública: José Francisco Malmann, Clovis Juvenal Pacheco e Ederson de Albuquerque Cunha

Cultura: Adriana Antunes e Joelmir da Silva Neto

Desenvolvimento Econômico: Carlos Heinen e Emilio Andreazza

Esporte e Lazer: Marcia Rohr da Cruz, Paulo Gedoz de Carvalho e Daniel Bianchi

Fazenda: José Alfredo Duarte Filho e Magda Wormann

Chefia de Gabinete: Julio Freitas e Chico Guerra

PGM: Leonardo da Rocha de Souza, Felipe Dal Piaz e Cássia Kuhn

GESTÃO PASSADA

Cultura: João Tonus e Rúbia Frizzo

Esporte e Lazer: Washington Stecanela e Jó Arse

Gestão e Finanças: Carlos Burigo e Gilmar Santa Catharina

Governo: Agenor Basso e Felipe Gremelmaier

Trânsito: Zulmir Baroni Filho e Manoel Marrachinho

Chefia de Gabinete: Manoel Marrachinho, Edson Nespolo e Agenor Basso

Rotatividade é normal no atual perfil de governo

O cientista político João Ignácio Pires Lucas considera que a grande rotatividade no secretariado de Daniel Guerra reflete a configuração política do atual governo. Segundo ele, o prefeito decidiu se assessorar de profissionais técnicos, e não, de políticos com experiência na administração pública. “É natural que tivesse essa rotatividade, pois são pessoas da sociedade civil, técnicos. Como gestor busca resultados, a inexperiência política deles contribuiu para que houvesse essa troca frequente de secretários”, explicou.

Conforme João Ignácio, o baixo índice de rotatividade no governo de Alceu Barbosa Velho revela outro sistema de fazer política: a coalizão. “São vários partidos que indicam os nomes para compor a gestão. A maioria, pessoas experientes na política. Há uma necessidade de manter as alianças tendo em vista o critério de governabilidade”, afirmou.

Segundo o cientista, no final do atual governo, a tendência é de que haja uma mudança de postura com relação ao secretariado. “Neste segundo momento, com a proximidade das eleições e com a tendência de tentar a reeleição, o atual governo deverá optar por uma recomposição no primeiro escalão. A perspectiva é de que, com as possíveis alianças, nomes de caráter mais político se incorporem à gestão, com o intuito de aumentar a base eleitoral, o que proporcionará mais peso no resultado das urnas”, antecipou.