CORREIOS: Funcionários deflagram greve

Cidades

13 de março de 2018 às 13:00 hr
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Aprovada em assembleia no dia 1º de março, e iniciada a meia-noite desta segunda (12), a greve dos correios segue por tempo indeterminado em todo o Brasil. Mesmo que de forma parcial, ela atinge os setores de atendimento e distribuição. De acordo com o diretor do Sindicato dos Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul, Ricardo Fioravanti Paim, em Caxias do Sul, cerca de 30 trabalhadores já aderiram ao movimento em um universo de 160 colaboradores, entre carteiros e atendentes.

Conforme Paim, entre os motivos da paralisação estão quebras do que foi firmado no acordo coletivo. Cita a falta de contratação por concurso público, fechamento de 2.300 agências em todo o Brasil, extinção do cargo de operador de triagem, cancelamento das férias dos funcionários a partir do dia 1º de abril e exclusão de pai e mãe do plano de saúde, entre outros.

Segundo Paim, as agências localizadas na Rua Os 18 do Forte e nos bairros de Forqueta, Ana Rech e Galópolis estão no plano nacional de fechamento. A extinção é prevista até o final de junho. “Em Caxias, se nada for feito, 20 profissionais ficarão sem trabalho. Com poucas chances de serem realocados, pois a empresa alega não ter condições de ficar com estes colaboradores. Por isso, trabalha com um plano de incentivar a demissão voluntária”, lamentou.

Mesmo com a paralisação parcial, o sindicalista garante que todos os serviços oferecidos não estão sendo prejudicados pela greve. Segundo ele, o déficit no quadro funcional dos Correios é histórico, sendo o principal fator para atraso na entrega de correspondências. “A demanda é muito superior ao que os colaboradores podem suprir. Por este motivo, a greve não impacta na distribuição, pois ela já é deficitária. Só no centro de encomendas de Caxias são 15 mil objetos parados diariamente por falta de trabalhador”, divulgou.Conforme Paim, em janeiro de 2017 foi feito um levantamento que apontava a falta de pelo menos 50 carteiros em Caxias do Sul. Desde então mais 20 carteiros saíram com os programas de demissões voluntárias.

 

Nota dos Correios

 

Em nota divulgada nesta segunda, os Correios reconhecem que a greve é um direito do trabalhador. No entanto, a empresa define o movimento como injustificado e ilegal, pois não houve descumprimento de qualquer cláusula do acordo coletivo de trabalho da categoria. A empresa alega enfrentar grave crise financeira, fruto da queda expressiva do volume de correspondências, objeto de monopólio, e da falta de investimentos em novos negócios, nos últimos anos, que garantissem não só a competitividade, mas também a sustentabilidade da empresa. “Um movimento dessa natureza serve apenas para agravar ainda mais a situação delicada da estatal”, encerra.

 

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