Ângelo Sanches será o novo Secretário de Turismo de Canela

Política

14 de dezembro de 2016 às 18:02 hr
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“Se criarmos forças e voltarmos a acreditar, digo que em pouco tempo a mudança acontece. Só vamos ser uma Canela grande para todos, se todos neste momento dermos as mãos”

Natural de Nova Friburgo, no interior do Rio de Janeiro, Ângelo Sanches tem 41 anos e foi nomeado o Secretário de Turismo, Cultura, Esportes e Desenvolvimento Econômico do governo do prefeito eleito Constantino Orsolin (PMDB). Dos sete secretários apresentados por Orsolin, Sanches é o menos conhecido da população canelense, mas já assumirá uma das principais pastas do município a partir de janeiro.

Empresário e jornalista, Ângelo atua há 18 anos na área de comunicação e marketing. Possui formação em Programação Neurolinguística e atualmente cursa mestrado em Direção e Consultoria Turística. O novo secretário já atuou em diversas campanhas publicitárias e políticas dentro e fora do país, e recentemente, em 2013 e 2014, foi o Gerente de Comunicação da Prefeitura de Gramado.

Sanches veio à região pela primeira vez em 2010 a passeio com sua esposa e seus três filhos, quando se apaixonou por Canela e Gramado. Em 2011, após uma tragédia que deixou quase mil mortos em sua cidade natal, vieram novamente para cá e após um período resolveram fixar residência na região.  Desde julho de 2012 moram em Gramado, mas já no início deste ano se mudarão para Canela, pois o novo secretário entende que seria antiético com a comunidade canelense continuar residindo em Gramado.

Ao chegar a Gramado, Ângelo recebeu o convite do Partido Progressista (PP), para participar da campanha de Nestor Tissot. Com a vitória, veio junto o convite para assumir a gerência de comunicação, onde permaneceu até 2014, continuando os projetos de sua empresa após esse período. Em 2016 não pretendia trabalhar nas campanhas eleitorais da região, tendo em vista que teria clientes em potencial no Rio de Janeiro.

Foi aí que surgiu o convite de Constantino Orsolin para trabalhar na campanha do PMDB de Canela e mais tarde o do PP de Gramado também o contratou para fazer parte da equipe de campanha do candidato Pedro Bertolucci. Em conversa com Orsolin, o candidato reconheceu que o partido não tinha condições financeiras, mas que gostaria de contar com os serviços de Ângelo. Ele resolveu comprar a briga por acreditar na simplicidade e no trabalho de Constantino. O resultado das urnas em 02 de outubro deu a vitória à Constantino Orsolin em Canela, enquanto Bertolucci perdeu em Gramado.

A reportagem do Jornal Integração conversou com o novo secretário Ângelo Sanches, que promete diversas mudanças em eventos, melhorias em pontos turísticos e a reeducação da comunidade canelense. Acompanhe a entrevista completa a seguir:

 

JIH – Nas redes sociais dizem que não há ideologia política, pois o senhor participou da campanha não vitoriosa do PP em Gramado e vitoriosa do PMDB em Canela. Em qual partido o senhor é filiado e como responde a esse questionamento?

Ângelo Sanches – Não sou filiado a nenhum partido. Quanto ao questionamento, eu sou profissional. Trabalhei com o PP mas não me filiei ao PP e mesmo assim defendia o partido. Desde o início eu falei que não iria me filiar, porque eu sou um profissional e a política é passageira. Não construí minha vida dentro da política como muitos construíram e dependem disso para viver. Minha ideologia é ser transparente, profissional, honrar os compromissos com a minha família, com a minha religião e com a minha profissão. Essa é a minha política, não faço politicagem e não sou político. No PMDB eu também não fui obrigado a me filiar, e se vir a me filiar, é porque eu quero contribuir com o partido porque sei que ele necessita. Hoje a administração não precisa de um politiqueiro, precisa de alguém que compre a briga, que vá lá e enfrente. Não vou agradar todo mundo, eu preciso agradar meus filhos, minha mulher. Isso está me dando um tesão maior ainda, porque contra fatos não há argumentos. Quando as coisas começarem a acontecer eu quero ver o que as pessoas vão falar. Eu tenho que me preocupar que o brilho nos olhos do canelense volte. Esta é minha única preocupação agora, o resto que acontecer é consequência.

JIH - Como o senhor analisa o turismo em Canela hoje?

Ângelo Sanches - É um pote de ouro que está enterrado e que as pessoas estão tentando descobrir como achar, mas estão cavando no lugar errado. O turismo de Canela tem tudo para ser um dos melhores turismos do Brasil. As belezas naturais estão aqui. Essa cidade respira o meio ambiente, e a marca “Paixão Natural” será o nosso lema. Primeiro temos que ver qual a nossa identidade. Como eu vou vender algo sem saber o que realmente Canela quer ser? Na minha opinião temos que trabalhar hoje a ecologia e o meio ambiente, tudo o que Deus colocou aqui. Já descobrimos que o turismo é a mola propulsora das cidades da Serra Gaúcha, mas para isso precisamos criar esta identidade.

JIH – Quais serão suas primeiras ações como secretário de turismo?

Ângelo Sanches - A primeira coisa que precisamos é fazer um inventário de como está a situação dentro da cidade. As informações do trade já nos foram dadas, agora temos que ver como estamos assumindo a prefeitura. Os projetos já existem e os futuros parceiros tenho certeza que virão naturalmente. Já temos um mapa na mão, já sabemos o que precisa ser feito na cidade. É essa a responsabilidade que o grupo fará acreditar. Primeiro temos que tocar no coração do canelense, tenho que fazer ele voltar a acreditar. No momento que ele acreditar, ele vem para a briga e assim a mudança acontece.

JIH - O Ministério Público pede a criação de uma autarquia municipal para a realização de eventos. O que o novo governo pretende fazer em relação a isso?

Ângelo Sanches – Temos conhecimento deste pedido e inclusive gostaria de marcar uma reunião com o MP para escutar melhor deles sobre isso, ver o que eles realmente pensam sobre isso hoje. Essa autarquia vai ter que acontecer, mas que aconteça no início do governo eu não posso te garantir. Temos que ver se nas outras cidades do Brasil, as autarquias estão funcionando como deveriam e se não estão sendo somente cabides de emprego. Se for para construir uma autarquia, vamos construir uma autarquia séria, com pessoas sérias, fazendo um concurso público de verdade. O MP será muito importante para isso, é ele que possui a sabedoria, que detém a lei e sabe o que pode e o que não pode fazer. Neste primeiro ano acredito que não acontecerá essa autarquia, porque precisamos sentar e alinhavar bem isso e pegar experiência de outras autarquias. Mas a criação da autarquia tem que acontecer. Agora é hora de arrumar a casa e fazer as pessoas e os patrocinadores acreditarem.

JIH - O senhor tem conhecimento dos problemas do Parque do Caracol e de quem será o novo diretor? Quais as ações previstas para o local?

Ângelo Sanches – O novo diretor já trabalhou no parque durante anos e tem uma capacidade gigante em administração. A primeira etapa, o mapa do choque para transformar o Parque do Caracol já está pronto e não é difícil. Precisa somente ter boa vontade e inteligência. O parque tem que ser administrado como uma empresa e deve ter condições físicas e estruturais de atender o turista. O canelense deve se envolver, precisa chegar lá e se sentir em casa, mas ao sair, também deixar a casa arrumada. Digo uma coisa, o parque não será como é. Queremos levar a cultura lá para dentro e estamos com ideias na área da gastronomia também. Iluminar todo o parque, no futuro iluminar a cascata, os projetos já existem. Esse choque administrativo, de chegar lá e fazer mudanças vai acontecer.

JIH - Como fazer com que o Parque do Caracol concorra com os parques privados?

Ângelo Sanches – Você precisa ter uma coisa para chamar atenção, fazer com que as pessoas voltem a acreditar no parque. Para isso, a primeira coisa é dar infraestrutura. A segunda é conversar com as operadoras, ver qual a possibilidade de fazermos um pacotão, e dentro da lei favorecer os guias, porque sem eles as coisas não acontecem. Vamos buscar novamente as agências.

JIH - O Parque do Palácio está fechado há mais de um ano, o que gera grande insatisfação da comunidade. Quais atitudes o novo governo pretende tomar em relação a ele?

Ângelo Sanches – Vamos reabrir o Parque do Palácio. Primeiro vamos abrir, limpar e iluminar. Pintar o que está sujo, tirar o mato, melhorar os banheiros e iluminar, para que as pessoas voltem a utilizar o parque. O que falta ali hoje é boa vontade. Não adianta prometermos nada, além disso, agora com o atual orçamento da prefeitura, mas máquinas e pessoas para limpar nós temos. De início abriremos, mas a vontade política é fazer com que aquilo ali além de ser um parque, possa no futuro receber um dos maiores centros de convenções da região. Tudo isso com a parceria da iniciativa privada, pois a prefeitura não tem condições. Queremos que a empresa faça de tudo no parque, cuide dele para as pessoas usarem e, além disso, que se torne uma referência em saúde para a população. Esse é nosso sonho que pode se tornar realidade. Quero também conhecer os Amigos do Parque do Palácio, não entrei em contato com eles ainda porque acho uma falta de respeito com a atual administração. A futura administração tem o dever de dar uma nova cara ao parque, até para a própria associação ver que há uma luz no fim do túnel. Queremos que a abertura aconteça no primeiro mês de governo, mas não posso garantir.

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