Alunos se mobilizam em Caxias do Sul

Cidades

18 de maio de 2016 às 09:58 hr
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A greve do magistério recebeu reforços em Caxias do Sul. Além da adesão de professores, alunos de duas escolas também entraram na luta. A exemplo de estudantes de Porto Alegre e outras cidades gaúchas, eles decidiram não ir a aula e debater a situação atual da educação e reivindicar melhorias.  
 
Por volta das 7h30 de ontem, estudantes do turno da manhã da Escola Henrique Emílio Meyer fizeram um protesto em frente à instituição, em apoio à greve dos professores da rede estadual de ensino. Em cartazes, podiam-se ler as frases como: “O Emílio é nosso” e “Emílio está na luta – SOS Educação”. 
 
Após, por volta das 8h, os alunos do ensino médio se dirigiram ao ginásio da escola. No local, sentados em cadeiras de plástico, formaram um círculo onde discutiram reivindicações e como se organizariam caso continuassem com a ocupação. Por volta das 11h, cerca de 70 alunos estavam reunidos no ginásio. 
 
Alguns, sentados no chão, cobriam-se com cobertores, para espantar o frio de 10º C. De acordo com a estudante do 2º ano e integrante do grêmio estudantil Gabriela Rodrigues, 16 anos, o foco dos protestos é a busca por melhorias na educação, mas a pauta envolve outros temas.
 
Em relação a decisões do governo estadual, os alunos são contra privatizações e desaprovam o PL 44/2016, que poderá, por exemplo, extinguir a Fundação Estadual de Proteção Ambiental e a Fundação Zoobotânica. Conforme Grabiela, foi dada a opção aos colegas de aderir ou não ao ato. “Cada um pode decidir. Falamos com os professores e a direção sobre as nossas reivindicações”, afirma.
 
O estudante do 1º ano, Diego Silva, 18, é um dos apoiadores do ato. “Eu e meus colegas estamos aqui para ajudar o movimento. Pedimos salários melhores para os professores e uma melhor infraestrutura da escola. Está faltando armários nas salas de aula. Se todo mundo abraçar a causa, vai dar certo”, afirma.
 
Debates – Conforme Gabriela, ficou decidido que a mobilização continuará nesta quarta-feira (18) pela manhã. Os alunos decidiram não passar a noite na escola. “Eles estão com vontade de ocupar. Mas, antes, faremos três rodas de debates de manhã. Daí, decidiremos se continuamos ou não. Acredito que mais alunos participem”, diz.
 
Aulas normais - Segundo a diretora do Emílio Meyer, Cristiane Xavier Paim Silva, os alunos pediram espaço para debater e a escola proporcionou. “Deixamos que eles fossem até o pavilhão para se reunir e discutir. Além de mim, cinco professores ouviram o que os alunos queriam nos dizer”, disse.
 
Cristiane afirma que a escola apoia o movimento, mas que garante o direito de quem não quer participar. “Os alunos que preferirem, podem assistir às aulas normalmente, uma vez que temos apenas um professor e um funcionário em greve”, diz. No turno da manhã, a escola possui cerca de 600 alunos de ensino médio.
 
 
“As manifestações são positivas”
 
De acordo com o coordenador do 1º Núcleo do Cpers, Antônio Staudt, a adesão segue a mesma. “Entre 90 e 100 professores estão parados em Caxias pelo último levantamento que fiz”, afirma. Mesmo que o movimento não seja forte entre os educadores e funcionários, segundo Staudt, a discussão está crescendo. 
 
Sobre as mobilizações dos alunos, Staudt afirma que, além do Emílio Meyer e do Melvin Jones, há uma expectativa de que os estudantes da Escola Clauri Flores Alves também se unam. “Não sei se vai sair, mas estavam se organizando”, afirma. Segundo ele, a instituição é a única que está totalmente sem aulas na cidade. 
 
Conforme o coordenador, as manifestações são positivas. “É um sinal de que a comunidade escolar está do nosso lado. Eu conversei com muitos pais nesses dois dias e eles estão cientes do que está acontecendo com a educação pública. Estão nos apoiando e dizendo que tem que fazer mesmo”, disse.
 
Em relação à reunião que ocorreu na manhã de ontem em Porto Alegre, entre o Cpers e o governo, não houve avanços. Segundo Staudt, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, não estava presente e outra reunião será marcada. “A greve continua. Esperamos que mais professores venham aderir ao movimento durante a semana”, completa.
 
 
Crédito da foto: Priscilla Panizzon
 
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