Alceu alega que Ciro Gomes comprometeu harmonia do PDT

Política

08 de novembro de 2018 às 12:00 hr
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O ex-prefeito de Caxias do Sul, Alceu Barbosa Velho, pediu licenciamento do cargo de presidente do Diretório Municipal do PDT pelo período de seis meses. O fato ocorreu nesta terça-feira (6), quando ele comunicou a decisão, oficialmente, à Executiva do partido. A causa foi o clima de animosidade gerado pela decisão dele de apoiar a candidatura do presidente eleito, Jair Bolsonaro/PSL, no segundo turno das eleições.

O fato provocou o descontentamento de três correntes internas: Juventude Socialista e dos movimentos comunitário e sindical, cujos representantes chegaram a pedir a expulsão de Alceu. Eles justificam a intenção pelo fato de que a direção nacional do partido prestou apoio crítico ao candidato Fernando Haddad/PT.

Em entrevista à Rádio Caxias, na manhã desta quarta-feira, Alceu explicou os motivos que o levaram a pedir a licença do cargo. Além disso, avaliou a postura do candidato à Presidência da República pelo partido, Ciro Gomes, quando tentou se coligar com o PT para concorrer à majoritária. O pedetista também fez declarações sobre as eleições municipais de 2020, em Caxias do Sul.

 

Quais os motivos que o levaram a pedir o afastamento da presidência do diretório municipal do PDT?

Alceu: Os três movimentos internos ficaram descontentes com a minha declaração de voto ao presidente eleito Bolsonaro. Entenderam que eu teria que ser expulso do partido, assim como outros companheiros que tomaram a mesma decisão. Sou o presidente do partido e não tem como conviver com essa situação. Então, o melhor que faço é me afastar, até para que eles tenham mais liberdade de ação e encaminhem aí a expulsão do partido. Eu não quero ser o motivo de desagrado de ficar no lugar indesejado. Eles façam o que entenderem e eu não estarei lá para influenciar.

 

Acredita que a decisão nacional do partido influenciou outros integrantes a terem posição igual à sua?

Alceu: Nosso candidato a presidente, Ciro Gomes, criou toda essa confusão, indo lá querer beijar a mão do Lula e dizer que tirava o Lula da cadeia. Besteiras todas que ele disse e hoje se arrepende amargamente de ter estendido a mão ao PT, que através do Lula, de dentro da cadeia, organizou uma frente contra ele. E foi o que aconteceu com o nosso candidato, que ficou pendurado no pincel e tiraram a escada dele. Agora, ele reconhece que foi traído, mas nunca é tarde para rever as atitudes.

 

Foi esta situação que o levou a apoiar Bolsonaro?

Alceu: Eu agi diferente. Contra tudo o que o PT nos aprontou, eu já manifestei lá atrás, não esperei. Então, essa minha atitude é que está sendo analisada. O que está sendo feito agora pela maioria dos companheiros do PDT, de ver essa situação que aconteceu durante a traição. Que a Executiva tome a decisão que quiser. Eu, graças a Deus, estou lá no meu escritório trabalhando. Eu não dependo de política, dependo do meu trabalho. Eu só me doei ao PDT pelas nossas raízes, Leonel Brizola, João Goulart e Getúlio Vargas. Eu não mudo nunca. Assumo o ato de votar no Bolsonaro, como a maioria dos brasileiros, por não aguentar mais diante de uma candidatura que notadamente assaltou o país e dessa turma toda que estava lá junto, inclusive, o ex-presidente está preso.

 

Qual sua perspectiva para as eleições municipais de 2020?

Alceu: Está muito cedo. Acho muita precipitação de certas pessoas em se apresentaram candidatos a dois anos da eleição. Isso não existe. As acomodações vão acontecer lá começo de 2020, que é o ano da eleição municipal. Fora disso é precipitação, mas as especulações são naturais. Seja de que partido for, eu espero que haja uma boa gestão, que venha corrigir o que está acontecendo em Caxias, um desmonte total, uma degradação da cidade, que vive em permanente conflito. Tem tanta coisa boa para fazer em Caxias. Olha tudo o que nós deixamos aqui. Porque que não fazem aquilo que é certo? Infelizmente, é uma bronca atrás da outra, é um conflito atrás do outro. É uma cidade que, a cada dia, se entristece mais.

 

O senhor concorreria a prefeito em um possível confronto com Daniel Guerra nas próximas eleições?

Alceu: Eu não sou contra nenhum candidato, sou a favor de Caxias. Sou sempre a favor de quem ganhou. Sempre peço que dê certo. Agora ganhou o Bolsonaro, Deus o ajude Para o governo do estado, o Eduardo Leite, que faça um bom governo. Quando esse aí [Daniel Guerra] ganhou, eu disse que também fizesse uma boa gestão.

 

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