“Greve dos professores é um ato político e ideológico”

Política

12 de dezembro de 2017 às 09:38 hr
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O atraso dos salários dos professores, as perspectivas para o futuro do Rio Grande do Sul, a sequência do projeto de governo e até o Aeroporto Regional das Hortênsias são assuntos que foram abordados durante entrevista com o secretário estadual de Planejamento, Gestão e Governança, Carlos Búrigo, que aconteceu na webrádio Integração Digital na tarde de sexta-feira. 
 
A primeira questão respondida por Búrigo, que foi prefeito em São José dos Ausentes durante 8 anos, secretário da Fazenda em Caxias do Sul no mandato de José Ivo Sartori e vice-presidente do Corede regional, foi sobre o Aeroporto Regional das Hortênsias. “Conheço muito essa questão do turismo e temos a convicção de que turismo não se faz num só município, turismo se faz numa região, e as regiões precisam ser integradas. Eu continuo brigando pelo aeroporto, sabendo que essa é uma questão complexa. Acreditamos que precisamos ter um aeroporto aqui na região, os visitantes cada vez mais querem chegar mais rápido nos destinos. Somos parceiros para isso, acreditamos no turismo”, disse. 
 
A situação financeira do Estado, o parcelamento dos salários dos servidores e venda de ações do Banrisul também estiveram na pauta da entrevista. “Só encontra obstáculo quem caminha. Em 2015, pegamos um Estado com uma situação econômica muito difícil, com déficit financeiro previsto em R$ 25 bilhões. Fizemos trabalhos árduos com remédios amargos e conseguimos diminuir para cerca de R$ 9 bilhões o déficit para o ano que vem”, descreveu. 
 
“Quanto ao Banrisul, pretendemos vender 49% das ações. O que não vai mudar nada nas agências e não muda nada para os clientes. Precisamos fazer isso para termos recursos para equilibrar o caixa do Estado. E estamos trabalhando num planejamento de estruturação interna do Rio Grande do Sul, que é fazer um Estado que não seja tão gigante, tão lento e tão burocrático, e que trabalhe naquilo que é essencial e de sua responsabilidade que é segurança, educação, saúde, infraestrutura e programas sociais. As fundações, que estamos extinguindo, foram muito importantes em algum momento, mas o Estado precisa se desonerar dessas atividades que não são de sua responsabilidade e entregá-las para iniciativa privada que fará com custo menor e mais qualidade. Esse é o desenho que o Sartori tem feito, com simplicidade, transparência, dizendo onde queremos chegar”, acrescentou. 
 
Professores 
Quando questionado sobre a situação dos professores, Búrigo definiu o movimento grevista como político e ideológico. “Entendemos que nenhum país consegue se desenvolver se não tiver qualidade na sua educação. Entendemos que os professores não ganham bem e que precisamos avançar com isso. Mas falta dinheiro, não temos dinheiro em caixa. E temos conseguido pagar os professores até o dia 10, ou seja, não é parcelado, é atrasado do dia 30 para o dia 10. Então quando vemos uma greve que continua depois do pagamento, a gente vê que isso é muito mais um movimento político e ideológico alavancado pelo pessoal do PT, do PSOL, do PC do B e por outros partidos que na realidade não estão preocupados com a classe dos professores. Nós sim estamos preocupados com os professores, mas também estamos preocupados com os alunos e com os pais dos alunos. Então nos parece que esse grupo que está inflando a greve está mesmo é preocupado com eles próprios. O professor merece todo o nosso respeito, mas estamos numa situação difícil, nós não pagamos o salário atrasado porque nós queremos, ninguém faria isso em hipótese alguma, não pagamos em dia porque não temos dinheiro”, ponderou.
 
A sequência no governo
Para Búrigo, um projeto de futuro é mais importante que um nome. “Primeiro, o que tem que ser reeleito e ter continuidade não é a pessoa, mas o projeto. Onde o Estado quer chegar daqui um ano, cinco anos, dez anos? Para que lado ele tem que caminhar? O Estado tem que ser mais enxuto, tem que fazer as reformas, tem que buscar parcerias público-privadas, tem que fazer concessões, tem que qualificar todos os serviços públicos para a sociedade e dar foco naquilo que se quer. Primeiro temos que escolher qual o projeto que deve seguir, se o projeto for esse, bom, aí vamos discutir quais os nomes. O problema é que a gente tem o costume de escolher primeiro o nome, depois o projeto, é por isso que nosso Estado anda quatro anos para um lado e depois quatro anos para o outro. Está na hora de todos os gaúchos se conscientizarem e andarem por uma estrada que tenha seguimento e continuidade”, defendeu.
 
Ao ser questionado sobre os pré-candidatos Eduardo Leite (PSDB) e Jairo Jorge (PDT), que possuem discursos semelhantes ao de Sartori durante a campanha, disse: “No contexto geral do país somos muito dos extremos, uma hora é oito, outra hora é oitenta, uma hora pode tudo, outra hora não pode tudo, uma hora tu tem candidatos populistas que trabalham apenas o discurso para falar antes da eleição, e têm candidatos muitas vezes que só querem fazer por gestão. Mas o que nós precisamos é de candidatos que tenham condições de fazer as mudanças necessárias, de fazer uma gestão pensando no futuro, mas que também tenham capacidade política para circular entre todos os partidos e na sociedade. Não temos um salvador da pátria, é por isso que o Sartori tem dito e defendido o projeto. Nenhum órgão público, nenhuma empresa consegue trabalhar se não tiver planejamento, se não aplicar o planejamento e se não conferir se o planejamento está sendo feito e tem dado resultado”, finalizou. 
 
Búrigo esteve na região sexta-feira para participar de um evento realizado pelo PMDB gramadense para homenagear ex-presidentes, ex-vereadores e personalidades importantes para o partido. Durante a tarde, logo após a visita ao Jornal Integração, Burigo promoveu visita oficial ao prefeito Constantino Orsolin.
 

 

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